
Nada me deixa mais exausta psicológicamente do que, após um dia exaustivo e rotineiro qualquer, o marido chegar em casa e, ao abrir a porta e seus olhos se depararem com os meus, lançar como suas primeiras palavras: “Nossa! Estou esgotado!”.
Sabe por que? Por que num casamento pós filhos, somos sócios e não estamos numa disputa para quem faz mais, quem faz menos ou quem está mais cansado.
Não seria melhor: “nossa, que saudades?” AHAHAHAHAHAHA…
Brincadeiras à parte, o dia a dia é exaustivo para quem trabalha fora, para quem trabalha em casa, para quem cuida de criança, para uma dona de casa ou para quem joga no time do “todas as alternativas anteriores”.
O fim do dia é exaustivo mesmo que você faça aquilo que mais ama, afinal amando ou não o seu trabalho, ele na rotina, é majoritariamente transpiração – e não a amada inspiração. Nada nessa vida vem sem muito esforço. Portanto, acaba cansando!
Eu já trabalhei fora e sei que, no fim do dia, por mais realizadas que estejamos com um projeto bem sucedido, o que mais queremos na vida é arrancar os sapatos e nos arremessar no sofá! Já fui dessas…
Todos nos cansamos no final do dia! Sendo um dia ótimo, ou um dia daqueles em que só rolou stress na empresa (ou birra em casa ou pior – em público). Cansaço que não necessariamente queira dizer que estejamos insatisfeitos com o que fazemos ou queiramos outra vida.
Mas o fato é que, para quem trabalha em casa, a chegada do marido subliminarmente representa os 5 minutinhos que podemos ir ao banheiro. É como se nas letras miúdas do rodapé da vida, viesse garantida a chuveirada que talvez passamos o dia sem ter tempo para tomar. Ou talvez aquela garfada fria, que está sob a mesa desde o horário do almoço, mas infelizmente não tivemos tempo de sequer sentir o gosto. Serviu apenas para saciar o olfato. Significa tudo o que fisiologicamente como seres humanos temos direito de ter, mas não foi possível fazer, pelo simples fato de um bebê ou criança pequena demandar demais e o dia não ter mais de 24h.
Ou seja: Ouvir um “estou cansado!” assim já de cara, soa como um “me esqueça por hoje, pois preciso descansar”.
Pode ser loucura da minha cabeça (estou sozinha?). Mas me irrita, pois eu vejo meu tempo para fazer coisas simples como um banho em paz, ruir!rsrsrs
Me entristece, pois parece que tudo o que passei no dia a dia não foi cansativo. Por mais que as palavras não tenham sido emitidas, sinto-me como se as pessoas achassem que “estou de férias” no meio desse turbilhão de férias + trabalho da casa + trabalho em casa.
Me cansa, pois se eu entendo seu cansaço, por que precisa lembrar-me toda hora dele? E por que raios não entende o meu? Só por que não falo? Quem não chora, não mama? rsrsrs.
Diálogo é essencial e já conversei muito com meu marido sobre o quanto frases do tipo “estou acabado”, “estou esgotado”, “estou muito cansado” comprimem meu cérebro, deixando-me extremamente irritada.
E pós diálogo, a conclusão foi a mais básica possível: do mesmo jeito que eu espero a chegada dele para me dar minutos de paz para fazer algo, ele também espera a chegada à nossa casa para descansar da pressão que sofreu ao longo do dia, do trânsito infernal, do “um leão por dia” que teve que decepar. São aqueles tão sonhados pés pro alto no sofá do lar doce lar.
Entendo e respeito isso. Não é fácil. Nem para um lado, nem para o outro.
Porém, vale ressaltar que a criação dos filhos é responsabilidade de pai e de mãe. Ambos estão cansados, exaustos, acabados no fim do dia, mas esse nem é o fato mais importante: criança PRECISA do convívio e de cuidados de ambos no dia a dia.
Talvez eu não devesse me irritar com a frase “estou cansado”, já que ela não disse explicitamente “vou ficar de pernas para o ar agora à noite e você que se vire”. Essa complementação veio da minha cabeça.
Mas ainda assim, prefiro não ouvir que está cansado. Pois também estou e não digo.
Mesmo não necessariamente tendo horário de almoço, café da manhã e tendo trabalhado em casa com ela pendurada no pescoço ou em suas sonecas. Às vezes as mães nem sequer dormir tem como direito, não é mesmo?
Não, não achem que estou eu aqui reclamando pois estou insatisfeita. Amo demais meu trabalho em casa e meu papel como mãe criando bem de pertinho.
Mas como disse anteriormente, fazer o que ama não poupa ninguém do cansaço da labuta.

Já que estamos todos cansados, que tal dividirmos as atividades então do período noturno?
Coisas simples que ainda precisam ser feitas, como dar o banho na criança, passar um tempo brincando com ela, dando papá, contando uma historinha, colocando para dormir, o que quer que faça e seja útil para nossa rotina, que eu vou ali fazer alguma coisinha, tá?
Alguma coisinha que eu precise muito como ser humana. Como um banho, uma garfada na comida fria ou uma ida ao banheiro em paz.
Tudo isso pode ser dividido. É bom para a mãe, que ganha um tempo. É bom para o companheiro, que estreita o vínculo com seu filho (que é estreitado nos cuidados do dia a dia, vale enfatizar). E a criança ganha com uma família harmônica, cansada sim, porém feliz!
Por Marrie Ometto #reflexoesplugadas

Dan
19 de janeiro de 2017 at 12:17Nossa! Perfeito!! Tudo que quase todas as mães sentem e pensam e com certeza quase nunca falam!!
Marcelle Barros
20 de agosto de 2016 at 01:45Estou cansado = não me incomode, não me requeira.
Thais Kozikoski
19 de agosto de 2016 at 23:46Marcello Marques
Monalisa
21 de julho de 2016 at 23:20Nossaa!!! Me identifiquei com cada palavra!! Kkkkkk