3 mitos sobre o equilíbrio entre a maternidade e uma carreira corporativa de sucesso

Sheryl Sandberg, uma top executiva do mundo corporativo norte americano, não tem nenhuma receita de sucesso para mães que trabalham, mas fala sobre o fazer escolhas de uma forma consciente. Acaba com 3 mitos muito comuns sobre o equilíbrio entre carreira de sucesso e maternidade. Matéria da TIME em língua inglesa traduzida e adaptada pelo site Mamãe Plugada.

A diretora de Operações do Facebook, Sheryl Sandberg que sai do trabalho todos os dias às 17:30 para que ela possa jantar com seus filhos, lança um livro “Lean In: Women, Work, and the Will to Lead,” (Mulheres, Trabalho e a vontade de Liderar). Ela ganha certa de 30 milhões de dólares por ano e tenta quebrar 3 mitos sobre a equação maternidade e se levar em diante uma carreira corporativa de sucesso.

Vamos ao trecho exclusivo do livro de Sheryl Sandberg:

“Hoje nos Estados Unidos e no mundo desenvolvido, as mulheres estão em melhor situação do que nunca. Mas a verdade nua e crua é que os homens continuam a levar o mundo com liberdade. Enquanto as mulheres continuam a ultrapassar os homens em desempenho educacional, ainda não vemos essa presença feminina no top corpo executivo em nenhuma indústria. Segundo a Fortuna 500, as mulheres detêm cerca de 14% das top posições executivas e cerca de 17% das cadeiras em Conselhos Administrativos, números que mal se moveram ao longo da última década. Isto significa que quando se trata de tomar as decisões que mais afetam o nosso mundo, nossas vozes não são ouvidas de forma igual.

É hora de encarar o fato de que a nossa revolução foi interrompida. Um mundo verdadeiramente igual seria aquele em que as mulheres administram metade dos países e empresas e homens tomam conta de metade dos nossos lares. As leis da economia e muitos estudos de diversidade nos dizem que, se aproveitando todo o pool de recursos humanos e talentos, nosso desempenho iria melhorar.

Ao longo da minha carreira, me foi dito mais e mais sobre as desigualdades no mundo corporativo e quão difícil seria ter uma carreira e uma família. Eu raramente, no entanto, ouvi alguma coisa sobre as maneiras de se equilibrar isso. A partir do momento em que nascem, meninos e meninas são tratados de forma muito diferente, essa é a verdade. Mulheres internalizam as mensagens negativas que recebem ao longo de nossas vidas, as mensagens que dizem que é errado para serem francas, agressivas, mais poderosas do que os homens (que homem tem medo do mulher poderosa) e retroceder quando na verdade, poderíamos acelerar.

Não podemos ignorar os verdadeiros obstáculos que as mulheres enfrentam no mundo profissional, do sexismo, de discriminação e de falta de flexibilidade ao acesso aos cuidados de nossas crianças e licença parental. Mas as mulheres podem desmantelar as barreiras internas que prendem-nas. Aqui estão três exemplos:

1. MITO 1: QUERER SER MÃE NÃO IMPLICA EM NÃO PODER BUSCAR SEU LUGAR AO SOL ANTES DISSO

Não deixe – e nem desacelere a carreira – antes TER de optar pela família.

Alguns anos atrás, uma jovem no Facebook começou a perguntar-me muitas coisas sobre como eu equilibrava trabalho e família. Eu perguntei se ela e seu parceiro estavam considerando ter um filho. Ela respondeu que ela não era casada e, em seguida, acrescentou com uma risada: “Na verdade, eu nem sequer tenho um namorado.”

Desde a tenra idade, as meninas obtêm a mensagem de que elas provavelmente terão que escolher entre ter sucesso no trabalho e ser uma boa esposa e mãe. Até o momento elas estão na faculdade, as mulheres já estão pensando nos trade-offs. Em uma pesquisa da turma de 2006 da Universidade de Princeton, 62% das mulheres disseram que anteciparam o conflito trabalho/família (saindo antes ou pausando/desacelerando suas carreiras), em comparação com 33% dos homens que esperavam esse conflito e 46% dos homens esperam que suas mulheres que repensem os seus planos de carreira .

Estas expectativas produzem resultados previsíveis: entre as mulheres profissionais que tomam o tempo para a família, apenas 40% retornam ao trabalho em tempo integral.

As mulheres raramente fazem uma grande decisão ao abandonar a carreira, de uma vez, de sopetão. Ao invés disso, elas fazem um monte de pequenas decisões ao longo do caminho.

Uma advogada pode não lutar com todas as forças por uma promoção, deixa para seu colega de trabalho “a vitória nessa competição”, pois um dia ela quer ter uma família.

Uma representante de vendas pode decidir ter em mãos uma área de vendas menor ou não candidatar-se a um papel de gestão.

Uma professora que pode passar a ser líder de desenvolvimento curricular para sua escola, mas deixa passar.

Muitas vezes, mesmo sem perceber, as mulheres param de lutar pelas novas oportunidades. Desacelera. E, no momento em que um bebê realmente chega, essa mulher muito provavelmente esteja em uma posição drasticamente muito diferente do que poderia ter sido se ela não tivesse desacelerado. Se mantivesse o brilho nos olhos de quanto entrou na Universidade. Mas, o tempo vai passando, a pressão por família aumentando e a mulher, desacelerando. Inconscientemente.

Então, se antes de sair de licença essa mesma mulher era uma top executiva e tinha salário alto e responsabilidades, a motivação dela por ficar e equilibrar isso pode ser maior (mas nem sempre. Comigo, Marrie, não foi. Meu salário anual era maior que de meu marido e optei parar. Mas concordo, o que mais vejo são mulheres dizendo “Não vale a pena financeiramente eu retornar”. Não foi o meu caso, mas vejo poucos casos como o meu em relação ao outro lado).

Voltando…Encontrar maneiras de avançar na carreira nos anos que antecedem à maternidade, aumentam os motivos para que as mulheres busquem um equilíbrio entre carreira e maternidade. Se ela não o faz, quando ela retorna ao local de trabalho depois que seu filho nasce, ela é susceptível de se sentir menos satisfeita. Neste ponto, ela provavelmente já joga as suas ambições lá para trás, uma vez que ela já não acredita que ela possa chegar ao topo. Com um filho no colo e tão longe desse topo executivo.

Há muitas razões poderosas para sair do mundo corporativo. Ninguém deve julgar estas decisões altamente pessoais. Meu ponto é que o tempo em que uma mulher, muitas vezes inconscientemente, vai diminuindo suas ambições por que, UM DIA, deseja ter uma família. Para aqueles que já estão vivendo o aqui e agora, e não têm uma escolha, optar por deixar uma criança aos cuidados de outra pessoa para poder retornar ao trabalho é realmente uma decisão muito difícil. Resolver no aqui e agora e não reduzir o ritmo com anos de antecedência.

Apenas um trabalho muito bem pago, convincente, estimulante e gratificante vai atribuir uma competição justa entre as vantagens de se retornar ao trabalho e ficar em tempo integral com o bebê.

2. MITO 2: Sucesso e prazer andam juntos. O preço é caro para as mulheres.

Em 2003, Frank Flynn da Columbia Business School Frank Flynn e Cameron Anderson, professora da Universidade de Nova Iorque lideraram uma pesquisa: um estudo de caso da Harvard Business School sobre uma empresária chamado Heidi Raizen, um capital ventura de sucesso que “chegou lá” usando a sua personalidade extrovertida e vasta rede pessoal e profissional, incluindo muitos dos mais poderosos líderes empresariais do setor de tecnologia. Metade dos estudantes que participaram da pesquisa foram designados para ler a história de Heidi como ela é. A outra metade tiveram acesso a mesma história, com apenas uma diferença: trocaram o nome Heidi (feminino) para Howard (masculino).

Quando os alunos foram entrevistados, eles classificaram Heidi e Howard como igualmente competente. Mas Howard foi visto como muito mais atraente. Heidi foi vista como egoísta e não “o tipo de pessoa que você gostaria de contratar ou trabalhar”. Esta experiência suporta o que a pesquisa já mostrou claramente: sucesso e simpatia são positivamente correlacionados para homens e negativamente correlacionada para as mulheres. Quando um homem é bem sucedido, ele é apreciado por homens e mulheres. Quando uma mulher é bem sucedida, as pessoas de ambos os sexos gostam muito menos dela.

Eu acredito que este viés é a própria essência do porquê as mulheres são retidas. É também o cerne da razão pela qual as mulheres ocupam-se de “não avançar”. Quando uma mulher se destaca em seu trabalho, tanto os homens como as mulheres vão comentar que ela está indo super bem, mas “não será bem quista por seus pares.” Ela provavelmente também será taxada de  “muito agressiva”, de “não saber trabalhar em equipe”, de ser “política”; de não ser “digna de confiança” ou  ainda, de ser “difícil”.

Essas são todas frases que foram ditas sobre mim e por quase todas as mulheres sênior que conheço.

A solução é ter certeza de que todos estão conscientes da carga de as mulheres pagam para se conquistar o sucesso. Recentemente, no Facebook, uma gerente recebeu feedback de que ela era “muito agressiva”. Antes de incluir isso em sua revisão, ela decidiu cavar mais fundo. Ela voltou para as pessoas que deram o feedback e pediu que dissessem quais ações agressivas que ela tinha tomado. Depois de responderam, ele perguntou “à queima-roupa”: “Se um homem fizesse as mesmas coisas, você o teria considerado muito agressivo?”. Cada um deles disseram que não.

3. MITO 3: É preciso ser tudo!

Pare de tentar TER e SER tudo: Feito é melhor que perfeito

Ter tudo. Equilíbrio entre trabalho e família. Talvez a maior armadilha já definida para as mulheres foi esta frase. Não importa o que qualquer um de nós tem e o quanto somos gratos pelo que temos, ninguém tem tudo. Nem podem. O próprio conceito do TER tudo ferem as leis básicas de economia e do bom senso. Ser uma mãe que trabalha significa fazer ajustes, ter compromissos extras e fazer  sacrifícios todos o santo dia.

Para a maioria das pessoas, sacrifícios e dificuldades não são uma escolha, mas uma necessidade, dificultadas pela nunca expansão do horário de trabalho. Em 2009, os casados de renda média trabalhavam cerca de 8 horas a mais por semana do que em 1979. Da mesma forma que as horas de trabalho aumentaram drasticamente, aumentam as mães que largam tudo para ficar com seus filhos (Meu caso, Marrie. Era CLT sim, mas “cargo de confiança”, trabalhar 12 horas por dia sem um centavo de hora extra era comum).

maes-que-trabalham-foraUm dos banners favoritos nas paredes no Facebook declara em grandes letras vermelhas, feito é melhor do que perfeito. Eu tentei abraçar este lema e deixar de seguir padrões inatingíveis. Meus primeiros seis meses no Facebook foram realmente muito difíceis. Muitos dos meus colegas seguiram o exemplo de Mark Zuckerberg e seguiram trabalhando horas noite adentro. Eu, na contra mão, preocupei-me em não sair muito cedo para não parecer “old school”. Com isso, eu perdi jantar atrás de jantar com os meus filhos. Foram muitos. Eu percebi que se eu não tomasse o controle da situação, meu novo emprego iria se provar insustentável. Comecei a me forçando a sair do escritório às 17:30, ficando somente se eu tivesse uma reunião crítica. E segui por esse caminho. Entregava mais do que nunca enquanto estava lá, produtividade mil, e finalmente eu aprendi que eu podia andar na contramão dos corujões.

Eu não tenho as respostas sobre como fazer as escolhas certas para mim, muito menos para qualquer outra pessoa. Eu sei que eu posso muito facilmente gastar tempo incidindo sobre o não posso e não quero fazer. Quando me lembro que ninguém pode fazer tudo e identificar as reais prioridades em casa e no trabalho, me sinto melhor. Hoje  estou mais produtiva no escritório e, provavelmente, uma mãe melhor também. Em vez de perfeito, devemos apontar para sustentável e gratificante.

Acredito que, se mais mulheres seguirem em frente em busca de seus ideais de vida, podemos mudar a estrutura de poder do nosso mundo e expandir as oportunidades. Experiência compartilhada constitui a base da empatia e, por sua vez, pode desencadear as mudanças institucionais que precisamos. Mais liderança feminina vai levar a um tratamento mais justo para todas as mulheres no mundo corporativo.

Precisamos também de homens que incentivem suas mulheres à buscarem suas carreiras de forma plena, sem mimimis, sem “quem vai lavar a louça” ou ainda sem “me sinto mal pois ganho menos que você”. Até por que, crianças com pais envolvidos e amorosos têm níveis mais elevados de bem-estar psicológico e melhores habilidades cognitivas.

https://www.mamaeplugada.com.br/2016/06/a-importancia-da-presenca-do-pai-na-primeira-infancia/

O trabalho árduo de gerações antes de nós significa que a igualdade está ao nosso alcance. Podemos fechar a lacuna de liderança agora. O sucesso de cada indivíduo pode fazer o sucesso um pouco mais fácil para a próxima geração”.

Bom gente, essa é a visão de Sheryl Sandberg, top COO do Facebook para mães que trabalham ou um dia lutaram por suas carreiras. Achei interessante, e embora não concorde com absolutamente tudo, vi sim muitas colegas irem “desacelerando” os passos por conta de “um dia chegar uma família”. É de se pensar.

Acho que sim, “não deixemos para amanhã o que se pode fazer hoje” e muito menos desaceleremos o hoje por conta de uma família do amanha que ainda não existe. A frase do não deixe para o amanha é de Benjamim Franklin. Esse cara descobriu a eletricidade. Precisamos dar algum crédito a ele.

Quase 1 ano atrás, levantei esse debate aqui no site Mamãe Plugada, já que eu vivi essa dúvida. Tinha uma carreira em ascensão e resolvi parar. Claro que com o currículo que tenho, tenho oportunidade de retornar quando quiser, até recebo propostas corporativas de trabalho até hoje. Cada um com seu impasse e suas decisões. Eu não consigo mais, pelo menos por hora, voltar para o mundo corporativo como eu o conheci.

E vale também lembrar: o mundo corporativo não é a única forma de uma mulher se satisfazer profissionalmente!

https://www.mamaeplugada.com.br/2016/01/estara-o-impasse-mae-x-profissional-com-os-dias-contados/

 

Um beijo, Marrie

 

Leia também:

 

https://www.mamaeplugada.com.br/2016/01/harvard-fala-sobre-o-preconceito-as-maes-no-trabalho/

 

https://www.mamaeplugada.com.br/2015/01/minha-decisao-de-pausar-carreira/

 

https://www.mamaeplugada.com.br/2016/05/de-economista-passando-a-dona-de-casa-e-agora-empreendedora-digital/

Comente! Sua opinião é importante!