O que passa pela cabeça de uma criança de 2 anos em plena fase de birras e afirmação de seu eu?
“Antes eu achava que fazia parte da minha mamãe. E quem vai dizer que eu não fazia? Morei 9 meses dentro dela, em um quarto quentinha, onde não precisava me preocupar com comida (selv service 24h) ou com higiene. Se eu quisesse algo diferente, bastava ligar no tele desejo e mamãe já ia para o papai dizer que eu nasceria com cara daquilo. Mamãe cantava para mim, conversava comigo, acariciava meu quartinho. Quando sai de lá, tive que aprender a duras penas a respirar, a mamar, a viver num ambiente cheio de espaço e mudanças de temperaturas. Tive que colocar fraldas e roupas. Mas ainda assim eu sentia fazer parte de minha mãe, coisa que fui aos poucos e com o passar dos meses, percebendo-me como um ser individual. Depois de 1 aninho, já comecei a me expressar. E, se tenho vontade de algo, por que esperar? Mamãe quer que eu entenda…que eu espere… Mas eu fico sim chateada! Poxa vida, se quero, por que não tenho na hora? Mamãe diz que não existem só minhas vontades. Mas será que mamãe também tem vontade? Ela diz no “terrible two”, na adolescência do bebê. Eu não entendo nada disso. Só sei que tudo é muito novo para mim e descobrir, tentar o dia todo, sem sucesso algumas vezes, me frustra, por isso faço o que ela chama de birra. Mas, quero chamar a atenção, quero ajuda! Se quero abrir um pote e não consigo, mamãe acha que é manha, mas é muito frustrante para mim. Ela me diz que não sou o centro do mundo, que existem outras pessoas com vontades também, e que devo ser parte importante deste mundo em equilíbrio com todos. Ai mamãe, como você fala difícil. Hoje com meus 1 ano e 10 meses ainda não entendo. Ainda me acho o centro do universo. Mas prometo tentar te entender…”


Comente! Sua opinião é importante!