A mulher é metamorfoseada a mãe. Ela ainda é uma mulher, mas não dá para ignorar que mudou. Assim como a borboleta ainda é a mesma lagarta, mas em forma diferente.
Achei que havia sumido. Mas apenas deixei de ser a lagarta. Demorei quase 1 ano para perceber que já estava voando como borboleta, que não precisava mais do chão sólido que antes procurava. Agora as prioridades são outras e, mesmo assim, aprendi a me apreciar nessa outra forma.
Hoje vejo maternidade como potencial oportunidade de consciência espiritual e transformação pessoal.
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O fútil dá lugar ao simples. Uma bolsa ou sapato, que talvez fosse importante para você no fim do mês, dá lugar às leituras de como ser uma pessoa mais paciente ou mesmo a um tempo exclusivo ao seu filho, nem que seja para o preparo de um bolo de cenoura.
Na minha experiência, julgo essa evolução, a qual ainda estou passando dia após dia (graças a Deus), ao compromisso permanente que temos do acolhimento de uma criança.
Seja através da adoção ou concepção, as mães passam a abraçar uma perspectiva mais ampla na vida, que espelha os valores espirituais fundamentais e tradições de sabedoria concreta. A gente passa a filosofar mais, sem ao menos nos darmos conta que o estamos fazendo.
Quero deixar claro que não to aqui fazendo apologias a nenhuma religião. Religião, seja qual for, trata de valores espirituais fundamentais, para que os indivíduos possam viver em paz. É uma forma de filosofar. De ver além da vida. De busca pelo equilíbrio.
Mas, afinal, por que mudamos tanto assim? Por que, parece que no metamorfosear, deixamos de priorizar valores mundanos, coisas materiais, para começar a filosofar as questões mais simples da vida, do tipo: “como posso fazer meu filho mais feliz?”.
Na minha auto-análise, vejo 6 fatores que influem fortemente nesse processo, todas embasadas no conhecimento do AMOR INCONDICIONAL, que surge com a maternidade. Me ajudem caso tenha me esquecido de algo:
1 – Fase forte de interdependência: se você acha que já amou muito na vida, espere até ter filhos. É bizarro você achar que aquele bebê necessita de você para tudo, sendo que nós passamos, pelo menos por um período, a depender deles também, numa fase de interdependência muito forte.
2 – Transcendência do ego: se somos egocêntricos, tenha certeza que o amor incondicional dará um jeito nisso. Amor incondicional é amor sem pedir nada em troca. É doação. É colocar até na frente. Um chute no “ego” como “centro” das atenções, rsrsrs.
3 – compaixão e empatia: Me vejo muito mais “manteiga derretida” depois da maternidade. Agora me coloco em situações que antes não imaginava, dada essa atenção especial à valores mais intangíveis.
4 – Atenção plena e maior consciência: por que será que ficamos tão esquecidas após a maternidade? Esquecemos tudo! Mas quem aí não sente até a dor do filho? Não percebe quando algo está errado? O sexto sentido, resultado dessa conexão forte, atenção plena ao ser que mais te importa na vida, te deixa esquecida do resto…
5 – Significado e propósito na vida: não sei vocês, mas parece que eu encontrei minha missão. Deixar para este mundo um ser de bem.
6 – Fé e um poder superior: tudo na vida que não sabemos como explicar, respondemos filosofando, buscando fé em algo, procurando um poder superior que nos guie na nossa jornada como estrelas guias desses nossos corações fora do peito.
Ser mãe é sim cansativo. Mudar não é fácil. E nossa metamorfose é rápida e intensa demais. Mas é linda, a partir do momento que evoluímos espiritualmente.
Sou mais cansada, mais esquecida, mais doida, mas certamente uma pessoa melhor, com um coração mais lapidado.

Por Marrie Ometto #reflexoesplugadas
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