É imensa a quantidade de manuais, livros sobre como educar filhos, mas pouquíssimos se aplicam a nossa realidade, né? Não foi em apenas um post que disse ter aprendido que muitas das respostas que procurava em manuais está dentro de nós mesmas, fruto do convívio, do conhecimento e do respeito das relações familiares. Mas ainda assim continuo lendo livros sobre o tema, não por acreditar em soluções mágicas para temas pontuais, mas por me trazer sempre algum conceito ou pensamento que não havia me atentado antes. E isso certamente deixa meu jeito próprio e único de maternar ainda mais seguro (leia carta de uma criança de 2 anos aos seus pais).
Compartilho aqui o que funcionou e o que achei interessante, pois pode funcionar para mais pessoas também!
Aqui em minha casa estamos vivenciando a fase dos “toddlers” (crianças pequenas de 1 a 3 anos), onde o terrible two (leia mais aqui) impera. Já li muitas coisas sobre a fase, mas a abordagem da Dra. Tovah Klein, mãe de 3 crianças, me chamou a atenção. Ela passou 20 anos estudando comportamento de crianças e fez algumas observações achei que faz todo o sentido, visto o que vivo aqui em casa.
Seu livro “How Toddlers Thrive: What Parents Can Do Today For Children Ages 2-5 to Plant the Seeds of Lifelong Success” é baseado na filosofia de que crianças pequenas jamais devem ser visualizadas com mini adultos ou um quintal dos nossos desejos e sim como pessoas únicas. Ela aborda 6 coisas super importantes para serem levada sem consideração por nós adultos ao educar filhos nessa fase:
1. Dar a eles senso de segurança e ordem.
2. Os escutarmos mais ao invés de só mandá-los fazer.
3. Dar a eles liberdade para brincar e explorar as coisas por eles próprios, sem sair correndo ajudar no primeiro ataque de frustração/birra.
4. Dar a chance para que seu filho lide com a frustração de não conseguir algo e incentive-o a tentar de novo.
5. Olhar para nosso filho como um ser único. Não compare-o. Respeite-o, entenda-o para melhor o conduzir.
6. Criar filhos com limites.
Avaliei um a um dos tópicos acima citados, levando em consideração essa fase que presencio minha filha passar.
Vou começar com um simples exemplo que, quem tiver filhos até 3 anos em casa vai se identificar prontamente: é comum a gente se irritar com o imediatismo dos toddlers, né? Eles não esperam, repetem 300.000 vezes a mesma coisa quando a querem e não esperam. Porém, há explicações para isso. Nessa idade, além de as crianças estarem tendo noção do “eu” e “eu quero” delas, também não têm noção de tempo, ou seja, o imediatismo impera.
Segundo Dra. Klein, o cérebro deles ainda não tem estrutura para entender “daqui a pouco”, “está quase”, ou coisas do tipo que nos ajudam nós adultos a entender noções de tempo e administrar nossas ansiedades. Se eles não entendem, serão imediatistas mesmo. Nos resta paciência para ensinar, ensinar e ensinar, mas o resultado não será imediato (imediatismo de quem? Rsrs).
Outra situação muito comum é “birra” na hora de trocar de roupas ou comer, né? Agora vamos fechar nossos olhos e tentar nos colocar por um momento na pele de uma criança pequena. Eles estão aprendendo a lidar com seu próprio EU, seus desejos e descobertas, mas são os pais têm todo o poder e controle, certo? E onde essas crianças podem manusear um pouco desse poder e controle?
Essa tentativa de “libertação” para eles aparece na hora do comer, do vestir, do tomar banho, do brincar… E por que não dar um pouco de liberdade para eles nesses momentos? Crianças estão aprendendo, nessas pequenas tarefas, o senso de tomada de decisões. Por que então não a deixamos participar um pouco, dando as nossas crianças oportunidade de escolher do que vestir, dentro de opções já pre-selecionadas por você?
Outra coisa muito importante nessa fase da criança: não adianta encher seu filho de presentes, achando que irá atender esse “aguçado” desejo da fase. O que um “toddler” precisa para ser feliz é de segurança. Mais simples, impossível. Imagina o milhão de coisas que estão passando por suas cabecinhas nessa fase, em que começam a se ver como parte do mundo? (Abrangendo um pouco mais o tema, num post aqui do blog falo da importância de brinquedos não estruturados).
Porém segurança não deve ser entendida como super proteção. A decepção também tem que fazer parte. Ainda mais num mundo de que o único desejo conhecido é o dele próprio, característico nessa fase. Portanto não adianta os pais tentarem colocar uma redoma de vidro ou tentarem colorir um mundo perfeito. Proteger sim, entender seu filho e suas fases também, mas na medida certa. Deixe seu filho tentar fazer algumas coisas sozinho e lidar com a frustração de não conseguir, errar e incentive-o a tentar de novo, a insistir.
Ao tentar abrir um pote, por exemplo, Clarinha, com seus recém completados 2 anos, começa a berrar se não consegue, devido à frustração que está sentindo. Para nós pode parecer uma coisa boba, porém vale lembrar que ela não é uma mini adulta e está só se conhecendo.
Como reajo? Eu não vou prontamente ajudá-la a abrir o pote. Eu fico ao lado a motivando a tentar. A se acalmar (tarefa nada fácil) e tentar de novo, mas de outra forma. E quando finalmente ela consegue, comemoro com ela, não só pela sua conquista, mas pela sua superação em acalmar os ânimos e tentar.
Por fim, temos que ter consciência que características marcantes dessa fase como independência, curiosidade, persistência, …, que usualmente fazem com que essas crianças testem nossos limites, são também características importantíssimas para o futuro deles.
Temos que conduzi-los para o caminho da socialização sim, mas com o cuidado de não podá-los demais. Afinal queremos filhos que sofram por aceitar tudo ou adultos com capacidade crítica que saibam se posicionar nesse mundo cão?

Um beijo, Marrie

Christiane
16 de fevereiro de 2016 at 10:15Bom, mas nenhuma gde novidade!!! Nada que na literatura brasileira de referência já não tenha sido abordada com mais consistência.
Aryane Laara
31 de dezembro de 2015 at 14:10Ótimo post ! Não é nada fácil tentar controlar “os pequenos” rs… Qdo querem algo é naquela hora, daquele jeito e PAÇIENCA MAMÃE, força na peruca que eles não entendem. Tbm costumo fazer a mesma coisa com minhas filhas, incentivo a elas não perderem a calma. E a cada conquista bato palma, mostrando a ela que ela consegue.