Sexo frágil? Até quando sustentaremos esta teoria?

Gente, quem inventou que “mulher é o sexo frágil” não poderia ter criado um dito popular tão tosco… Frágil aonde? Desde quando? Em que espécime?
“Ah, antes da mulher rasgar o sutiã, quando SÓ – pausa para este só – cuidava da casa”… Pára tudo!!! Quanta baboseira!
A mulher tem uma carga enorme sobre suas costas desde a infância. Ela é criada para ser a fortaleza, o alicerce do lar. Não são poucas as familias que dizem e insistem que a mulher é que sempre tem que estar bem para sustentar toda e qualquer situação de adversidade familiar.
Em se tratando de mulher com filhos, a fragilidade não existe ou simplesmente não dá tempo de ser registrada: Ela gesta, dá à luz, amamenta, vê seu corpo mudar e tem uma enorme pressão da sociedade para estar bela logo após o parto (hein?). Tudo muda na rotina familiar com a chegada de um novo serzinho, e estatisticamente falando, 85% dos casais se estremecem no primeiro ano de vida da chegada de um bebê (tem post aqui no blog falando desta estatística alarmante). E quem segura as pontas? A mulher mal pode ter um puerpério em paz! Já se vê tendo que rapidamente se recompor para “equilibrar o lar”.
Quando falamos de mulher moderna, ou melhor, mãe nos tempos atuais, adicione ao parágrafo anterior à pressão do “participar ativamente da renda familiar” ou “manter uma carreira de sucesso” a tudo citado acima. Ela se vê tendo que equilibrar seu lar, amamentacao, adaptacao a nova realidade até que a licença maternidade tem fim (quando ela existe), e essa mulher se vê como malabarista, equilibrando lar, maternar, carreira e SER MULHER (nos moldes que a sociedade impõe, como se o sexo feminino tivesse pouco fardo para carregar: estar sempre linda, cabelos e unhas feitas, corpo bonito, pele de pêssego, depilada, na moda, …).
Quem é frágil não tem psicológico para isso tudo não. Surta! Pira!
O que mais me deixa doida, quando converso com as pessoas, é essa coisa que as próprias mulheres jogam em cima delas mesmas. Vou explicar. Não foi apenas uma única vez, em qualquer crise conjugal, que fui aconselhada da seguinte forma: “quem tem que correr atrás de reconstruir o lar é você. A mulher. Homem não faz isso”. Por que poupa-loa tanto, meu Deus? Isso é cultural, é um ciclo vicioso, é um mal que as próprias mulheres enfiam na cabeça de seus filhos, que crescem achando que não precisam de responsabilizar por serem também parte estrutural ativa do lar(e não passiva como se vê na grande maioria das famílias).
Frágil em relação ao homem, só temos em relação à força bruta (falando na maioria, claro que existem as mais fortes, rsrs). E para isso Maria da Penha existe, apesar de muito pouco aplicada por conta da mulher que sofre violência em casa cair na ladainha do assédio moral (advinda da pressão da sociedade), de que ela é responsável por estar sofrendo agressão física, por não estar “equilibrando aquele lar corretamente”.
Tá na hora desses conceitos mudarem. De homem ser educado com responsabilidades iguais a das mulheres em relação ao equilíbrio (e alicerce) do lar. E quem pode mudar isso somos só nós, Mães! Dando exemplos! Parando com essa pressão que nós mesmas muitas vezes colocamos sobre as meninas. Fazendo o pai ser mais participativo no dia a dia dos filhos e das funções do lar e mostrando aquilo não como prêmio, não como “que homem bom tenho em casa,ele troca fraldas” mas como algo natural e saudável para equilíbrio de um lar.

Eu faço minha parte. Ou tento. E você?

Um beijo, Marrie
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Por Marrie Ometto

Reflexões Plugadas

2 Comments

  1. Thaís Xavier

    19 de novembro de 2015 at 09:13

    Uauuuu!!!
    Digitando com os pés, porque as minha mãos estão batendo palmas!!!
    Eu nem sei o que falar, a não ser que concordo plenamente com você.

    Em uma conversa com amigas (todas mais velhas que eu), começamos a falar de um rapaz que traiu a esposa e que todas nós conhecíamos os envolvidos. Algumas falaram que a culpa era da esposa, que não soube segurar seu homem (oi?), outras falaram que a culpa era da amante, que deu em cima de homem casado (oque?). Aí eu pergunto, cadê a responsabilidade do homem?
    Meu coração até acelera em falar disso, fiquei muuuito assustada.

    Por mais mães como você no mundo.
    Beijos

    1. Marrie Ometto

      19 de novembro de 2015 at 21:24

      Ahhh muito obrigada!

      Imagina, como podem jogar uma culpa dessas na mulher? eu não entendo isso, sinceramente!

      bjs, obrigada por comentar aqui

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