Não é questão de ajudar, é obrigação, é a parcela do pai nesta parceria de se criar um filho!

Veja relato de pai que entende que não é questão de ajuda, mas de divisão de responsabilidades. Aprendeu a não merecer ser elogiado por fazer sua parte. Afinal, se ele não fizer, sobrecarregará sua companheira com uma tarefa que sim, deve ser sua.

“Eu tinha me colocado em um pedestal por fazer algo tão simples como ajudar minha esposa com o nosso bebê.

Certo dia, estava conversando com minha esposa sobre a longa noite TERÍAMOS com o bebê, e me peguei dizendo: “Pelo menos eu fico com ela. Um monte de homens não fazem isso. Você deveria ser grata.” Eu estava tão cansado, dizendo o quanto ela tinha sorte em me ter ao lado, afinal eu estava “acima da média”como pai.

Minha esposa parou por um momento, inclinou-se na cadeira, nosso filho finalmente dormia seu colo, as 7AM. Seus olhos estavam um pouco vermelhos e seu cabelo castanho estava em um rabo de cavalo frouxo e descabelado. Ela segurou o bebê um pouco mais, e engoliu seco o que eu havia dito. Eu esperava que ela concordasse comigo. Achei sinceramente que ela iria falar sobre alguns amigos que jamais acordaram a noite para ajudar suas esposas com os bebês, afinal eles viam isso como trabalho da mãe. Mas ela não o fez.

Em vez disso, minha esposa Mel cruzou as pernas, me olhou nos olhos e disse: “Eu gostaria que você parasse de dizer isso.”

Na época, Mel era um estudante de faculdade, mãe de três filhos, e trabalhava em uma escola. Ela passou horas sentada na nossa mesa de cozinha, debruçada sobre um teclado, com um livro que estudava à sua direita, e pelo menos uma das crianças estava sempre ali, puxando a perna da sua calça solicitando algo.

E apesar de amar muito estar o máximo de tempo possível com eles nessa rotina doida dela, ela ainda assim muitas vezes havia comentado sobre a pressão que sentia para manter uma casa limpa, cozinhar, levar as crianças ao médico, esportes e outras atividades extracurriculares, procurando mantê-los limpos e saudáveis…

Ela era uma estudante e uma mãe, e ainda assim ela sentiu uma enorme pressão para ser a única e quase beirando a perfeição – cuidadora de nossos filhos. E lá estava eu, alimentando essas expectativas, ao mencionar a minha ajuda no meio da noite, como se fosse uma extensão generosa de meu papel de pai.

Naturalmente, eu não pensava em nada disso na época. O que eu disse foi a minha maneira de tentar fazê-la perceber a minha contribuição para o nosso casamento. Como um pai, muitas vezes eu sinto que estou realmente quebrar padrões, por fazer algumas coisas em casa que não vejo meus amigos fazendo.  Se estou em casa, cuido também da limpeza, das louças. Eu me levanto no meio da noite e faço inúmeras outras coisas para ajudar a tornar o nosso casamento uma parceria. Mas por alguma razão eu senti que deveria receber atenção especial por fazer essas coisas que, têm sido durante muitos anos, visto como trabalho exclusivo da mãe.

“Por quê parar de dizer isso? Indaguei. Eu faço um monte de coisas que outros pais nem sonham em fazer. Eu sou um sim cara bom.”

Mel estava de pé agora, o bebê nos braços. Nossos dois filhos mais velhos ainda estavam dormindo, por isso, estavam conversando em sussurros.

“Porque este tipo de comentário não me faz sentir como se estivéssemos em uma parceria. Faz-me sentir como se você quisesse que eu beije seus pés toda vez que você se levanta no meio da noite. Este é o seu bebê, também, poxa!”

Conversamos por um tempo. Ela me contou o quanto ela apreciava tudo o que eu fazia pela casa, tel família, mas que ela odiava a forma que agia, como se estivesse fazendo algo de extraordinário, onde na verdade eu estava apenas fazendo a minha parte. O papel que TODO PAI DEVERIA exercer.

Minha reação instintiva foi ficar chateado. Eu queria dar-lhe uma lista de outros pais que conhecíamos, família e amigos, que ainda seguem noções antiquadas de papéis e gênero. Comecei a abrir minha boca para começar a retrucar, quando por um momento percebi que era melhor sair de lá antes que eu dissesse algo que não deveria.

Então eu sai para o trabalho, sem dizer uma palavra. Eu dirigi para o trabalho com raiva. Que ingratidão!

No meio do trajeto, pensei sobre a última vez que eu tinha lavado as louças. Eu o fiz esperando receber elogios ou uma recompensa, e pela primeira vez eu me perguntei: Por quê? Eu comi lá, também.

Ai lembrei de quando aspirei o tapete, ou quando passei a minha camisa e percebi imediatamente que eu que tinha as mesmas expectativas sobre essas tarefas. De repente, me senti um idiota.

O entendimento de que Mel deveria ser responsável pela casa e cuidado das crianças estava tão profundamente enraizada na minha compreensão de família, que toda a contribuição que fazia, tinha me colocado em um pedestal. Porém, a verdade é que eu só estava  fazendo algo tão simples como A MINHA PARTE  na tarefa de cuidar do NOSSO bebê no meio da noite.

Fiquei péssimo. Liguei para Mel do trabalho, e disse-lhe o quanto estava arrependido.

“Você está certa”, eu disse. “Esta é uma parceria, e eu não deveria agir como se eu estivesse fazendo alguma coisa surpreendente, onde na verdade, é apenas a minha parte. Eu vou parar.”

Mel ficou em silêncio por um momento. Então ela disse: “Obrigada.”

Autor: Clint Edwards para o site YourTango, tradução e adaptação do texto realizada pelo site Mamãe Plugada. Clint é autor do livro No Idea What I’m Doing: A Daddy Blog. Siga-o em seu Facebook e Twitter.

Pai entende que não ajuda, faz sua parte na parceria

Meu marido levando Clarinha, com 6 meses, na aula de natação. Por que aqui as tarefas devem ser sim divididas quando ele está em casa. Afinal, se ele trabalha fora, eu trabalho aqui 😉

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