E quando pai e mãe estão exaustos?

Sexta feira à tarde: Estava cansada de um dia que, apesar de aos olhos da sociedade ser spa/férias, para mim foi um longo, puxado, exaustivo dia como mãe, dona de casa e blogueira.

Marido chegou exausto também. De um dia de muito trabalho, cheio de estresses do mundo corporativo. Ao chegar em casa, ambos cansados, dividimos as funções. Até aí ok. Meu marido se esforça nessa de entender que pai não tem que ajudar, tem responsabilidade tanto quanto a mãe (pausa para o se esforça: numa sociedade machista como a nossa, em que grande parte das mães criam filhos com “privilégios” em relação às filhas, fica difícil para eles).

Fui fazer minha parte, daquilo que dividimos das tarefas do turno da noite. Fiz minha parte rapidinho, queria descansar um pouco. A última função combinada para aquela noite, da minha parte, era fazer o jantar e dar para a Clara. Depois, conforme combinado, iriamos brincar um pouco com ela e a bola iria para ela dar banho, preparar o tetê (mamadeira)e colocar na cama para dormir (função dele quando chega em casa, até para fortalecer o vínculo entre eles. Lembrando que vínculo só se tem com quem cuida).

Clara nunca deu trabalho para dormir. É só colocar na cama, não há necessidade de ninar.

Até aí foi o combinado. Só que o marido, assim como eu, estava exausto, porém estressado com o trabalho. E começou a me pedir para fazer as coisas. Eu, cansada do meu dia, me estressei de ele querer dividir a parte dele do fim do dia, visto que já tinha feito a minha. Não cedi. A discussão deu início.

Foi uma discussão boba, rápida. Porém com um ponto crucial para ser observado. Ele achou um absurdo eu não ajudá-lo quando requisitado, como se fosse minha obrigação, já que “escolhi abandonar meu trabalho fora para cuidar de tudo isso aqui e ainda trabalhar em casa”.

Ele é ruim? Não, muito pelo contrário. Ele só não está livre do pensamento patriarcal da nossa sociedade, que sobrecarrega a mulher feito burro de carga, dando-lhe única e exclusivamente a responsabilidade por tudo (educação, casa e dinheiro), tira-lhe o tempo para que possa ser atuante ativa na sociedade (por mais que trabalhe fora e se envolva com questões econômicas e sociais fora maternidade, no precioso tempo dela há muito o que fazer nas demais zilhões de jornadas que possuem) e ainda por cima a premia com o dom de maternar.

Voce pode estar pensando: “sim, a sociedade hoje está mais flexível em algumas famílias o homem fica em casa e a mulher sai para trabalhar”. Claro! Mas tenha a certeza que, quando essa mulher chega em casa, ela não se recusa ao turno da casa. É dela. A mulher se sente no dever de participar ativamente de tudo, principalmente no que se diz respeito ao maternar.

Sim, o dom de maternar é lindo. Nunca na vida senti o que sinto como mãe. Mas não é justo só porque a sociedade romantiza a maternidade, temos que arcar com todo o peso em nossas costas e ainda perdermos peso nas lutas sociais, fazendo-nos cada dia mais sobrecarregadas. Lógico. Nossas representantes estão ocupadas demais nas jornadas múltiplas diárias.

Eu me recusei a ajudá-lo como forma de contribuição. Pode parecer idiota. E até foi mesmo, pois eu poderia evitar uma briga, cedendo, como sempre. Porém, quis mostrar que o combinado não sai caro e não é porque nasci do sexo feminino e virei mãe que preciso aceitar tudo. Não é porque minha vida mudou muito com a maternidade (enquanto a dele segue normalmente como antes), que preciso achar que isso foi uma escolha minha e portanto, devo ceder e ponto.

Algumas faíscas saíram. Bicos se formaram. Ele fez a parte dele. Clara foi dormir no horário e, mesmo percebendo o clima (eles percebem tudo e exatamente por isso os ânimos precisam ser acalmados), não pareceu se incomodar, já que apenas foi um climão. Eu deixei meu recado. Ele pareceu entender após algumas horas de reflexão na varanda. Coisas da maternidade real.

 

Um beijo, Marrie
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1 Comment

  1. Monique Oliveira

    16 de março de 2016 at 09:10

    Não é fácil para o pai se colocar na posição de igualdade de deveres com a mãe. Aqui não está sendo fácil, marido professor, muito trabalho trazido para casa e eu tendo que ‘pedir’ pra ele as coisas. Sempre deixei claro que eu não ia aceitar, porque o sonho do filho era dele e não meu, mas e agora? Amo meu bebê e ele não pode pagar por isso, então acabo aguentando.

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