Analiso demais as pessoas. Faz parte de mim. Fico quieta na minha observando. E vejo o quanto as pessoas que se sentem frustradas por algum motivo tendem a segurar o desânimo, o choro, a soltar sorrisos amarelos para dizer que está tudo bem onde não está e por aí vai.
É nítido que, se porventura uma pessoa mostra suas emoções em público, a grande maioria começa a se solidarizar mas, tenha a certeza de que, por trás, muitos comentarão o “papelão” ou o quanto essa pessoa é instável psicologicamente.
Aonde chegamos. Ao ponto de as pessoas julgarem o que deveria ser absolutamente normal. O “ser” humano. Com todas as suas fraquezas.
E, se somos humanos, de carne e osso (logo não somos de ferro), poderíamos sim ter o direito de desabar em alguns momentos sem sermos julgados. Acredito muito num ciclo vicioso. Regras sociais que não admitem o que intrínseco ao ser humano levando este ao Rivotril. Você “se amarra” nas suas mágoas, desilusões, tristezas, raivas e não sabe como desgrudar elas de si, sem que seja julgado. Isso leva ao isolamento. A mais tristeza. A mais e mais fundo nesse poço.
Percebo por aí uma certo culto a repressão emocional. Desde que foi estabelecido no mundo corporativo que para ser um grande executivo, demonstrar emoções estava totalmente fora do jogo, demonstrava fraqueza, isso foi se disseminando até outras áreas da vida, já que muitas pessoas (super normal) têm dificuldade de apertar o botaozinho casa/ trabalho. O ser quem você é vira um pouco da extensão do que como a sociedade espera que você seja… E aí que mora o problema.
Desde quando proibir emoções é saudável? É virar uma bomba de si mesmo, prestes a explodir ou se enclausurar de vez.
Como uma panela de pressão, precisamos de “válvula de escape”. A panela libera o vapor e tudo bem. Não explode. Aos poucos.
Proibir emoções, é como proibir que a panela de pressão solte o vapor. Uma hora ela explode. Para dentro de si ou para fora.
A cultura da repressão emocional, além de criar panelas de pressão sem válvulas de escape, perpetua o preconceito na sociedade contra transtornos mentais. As emoções nunca fazem de você alguém fraco. Elas fazem de você um ser humano. Tão humano que é forte o suficiente para admitir que tem emoções, mesmo sabendo que será julgado.
Só consegue ver beleza no mundo que também consegue extravasar aquilo que o atormenta. Como pode ainda pedirem para sermos positivos se não nos deixam soltar para fora aquilo que nos aflige? Paradoxal, não?
Quem guarda ou alimenta tristeza, angústia, desanimo, mágoas, ira, tende a agradar aos padrões sociais vigentes, de repressão emocional, mas pode levar a quadros depressivos. De novo as regras sociais jogando os humanos e suas peculiaridades no precipício.
Está na hora de mudar esse pensamento de idolatria aos sintomas psicopáticos, frios e calculistas. Está na hora de admitirmos o que somos – humanos – com todas as nossas forças, mas também fraquezas e nos livrarmos dessas regras que só andam levando cada vez mais as pessoas aos consultórios psiquiátricos! Sejamos livres para soltar o que nos faz mal e virarmos um recipiente limpo para energias novas e boas!
Por Marrie Ometto #reflexoesplugadas


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