A sociedade tem mania de julgar a “capacidade paterna”. Parece que eles nunca darão conta de colocar o bebê dormir, de brincar com as crianças ou de criar efetivamente as crianças. Porém existem sim pais exemplares. Não pais que fazem as coisas como nós mães queremos, mas que amam como amamos e querem o bem de nossos filhos como queremos. Mas muitas vezes, não sabem nem como começar, afinal são tantas abordagens erradas, pré julgamentos, tirações de sarro de uma sociedade machista, que alguns se perdem.
Pensem: é fácil ser mãe de primeira viagem? Por que o pai teria que tirar de letra e ser extremamente proativos em algo que é novo a eles também?
Mamães, esse texto é daqueles que nos faz refletir um pouco sobre como deixamos os pais dos nossos filhos conduzir a paternidade deles. Não adianta cobrar do outro que sejam o que queremos. Esse texto, do blog pessoal da norte americana Rosie Writes, me fez refletir. E achei que valia a tradução e adaptação para vocês acessarem a reflexão dela também.
Adaptei bastante o texto dela, para que pudesse se encaixar a realidade e dia a dia do nosso Brasil. Como jogo de criquet por futebol e por ai vai… Também adicionei algumas reflexões minhas. Na verdade não seria a tradução fiel de Rosie Writes, mas uma inspiração minha sobre o texto dela também. Um certo elogio ao pai da Clarinha, meu marido, que é muito empenhado e amoroso com ela. Um excelente pai.
Espero que gostem!
Conversei recentemente com uma senhora na fila do caixa do supermercado. Como eu carregava um pacote imenso de fraldas para o caixa, simpática senhora sorriu para mim.
– “Tem filhos?”, Ela perguntou com um sorriso.
– “Sim, um menino.” Eu respondi.
– “Com quem ele está agora?”, Perguntou ela.
– “Ele está em casa com seu pai.”
Seu sorriso se alargou.
-“Ohhhh”, disse ela, me olhando docemente. Em seguida, ela soltou o golpe: “Vamos orar para que tudo esteja sob controle quando você chegar em casa!”.
Gargalhadas.
Nesse momento me dei conta de que precisamos parar de falar sobre os pais como se eles fossem apenas acessórios à criação das crianças. Eu ouço essas coisas o tempo todo, e meu marido certamente também.
Como no dia em que estávamos no parque e nosso filho estava vestido sem nada combinar, camiseta manchada, sapatos velhos demais e ouvimos o seguinte comentário bem intencionado seguido de um olhar simpático: “Parece que o papai que o vestiu hoje, né?!”.
Bem intencionado pois todos pensam assim e não há nada de mal em dizer o que todos pensam?
Eu vesti meu filho mal aquele dia. O péssimo trabalho foi meu.
Frases do tipo: “Hoje papai será babá para você ir à um curso?” merecem respostas “não, ele não é uma babá. Ele é um pai”. rsrsrs. Afinal:
- Ele brincará no quintal com meu filho, beijará seu joelho esfolado para a dor passar…
- Ele também será vigiado no banheiro por uma pequena pessoa que não o deixará um minuto sozinho. Nem para suas necessidades.
- Ele fará um forte com as almofadas no sofá, estações de trem e pistas de corrida para os hot wheeels.
- Brincará de luta, salto e depois abraçará nosso filho com calma e orgulho.
- Ele será capaz de identificar uma erupção vermelha atrás das orelhas do nosso filho e encontrar no Dr. Google “possibilidade de morte com erupção vermelha atrás das orelhas” e silenciosamente se convencer de que é um vírus advindo da carne, rsrsrs
- Ele irá se preocupar e pensar em nosso filho – o tempo todo.
- Ele vai fazer tudo errado, depois arrumar, errar, corrigir… Ele é novo como pai, assim como ser mãe é novidade para nós.
- Ele vai ler a mesma pela sexta vez consecutiva (sem pestanejar), vai até modificar a historia e apostar coisas com nosso filho e em seguida, entrarem numa pequena luta de amor sobre os pijamas limpos.
- Ele vai sentar-se ao lado da cama de nosso filho quando ele tiver medo, dizendo “eu te amo”.”Papai está aqui.”
- Ele vai descer para arrumar os brinquedos, e ele irá fracassar na primeira tentativa, parando no sofá com uma cerveja, e lá ele permanecerá até dois minutos depois, quando nosso filho acordará e chorará.
- E ele vai repetir o processo, descerá, voltará, de novo, e de novo, até que ele desiste de cerveja completamente. E de arrumar os brinquedos? Ahhhh nem se fala! Ele é um só (rsrsrsrs, será que não podemos nos dar o direito de pensar assim também?).
- Ele irá verificar as fechaduras nas portas e a temperatura de seu quarto para sussurrar um último adeus, na certeza de que ele provavelmente vai dormir pelo menos 4 horas esta noite.
- Ao sair, ele vai olhar para o berço ou para a cama e pensar para si mesmo: “Meu Deus, ele é lindo.”
Ao lado de tudo isso, estou eu. Fazendo exatamente o mesmo tipo de coisa, todos os dias.
Claro, existem sim pais que não dão a mínima para os filhos nesse mundo. Pais que acham que filhos é obrigação da mulher. Pais que admitem precisar ajudar, não serem também responsáveis na criação de suas crianças. Mas, acreditem, também há mães assim. Não podemos julgar os pais só porque eles não fazem as coisas como queremos. Muito provavelmente as maes que me leem jamais parariam para uma cerveja no sofá ao invés de arrumar os brinquedos né? Mas eles são diferentes…Tem outras prioridades e não se incomodam com aquela ZONA.
Bons pais precisam ser parte significativa na criação dos filhos.
Temos que parar de olhar para os rostos sorridentes de mães e filhos de revistas, propagandas de Margarinas, novelas, filmes, publicidade e mídias perfeitas.
Imaginem o lado do pai. Observem a comunicação que a sociedade coloca sobre seu papel de telespectador na criação de filhos. Olhem quanta pressão que colocamos ao afirmarmos que só mães que amam e são as cuidadoras natas. Só mães tem instintos. Só mães que podem fazer tudo corretamente.
Mas e os pais?
É normal ver pais raramente tendo menções em aulas de pré-natais. Os cursos já se chaman “curso de gestantes”.
É normal ver que bons pais, que sentem comportamentos comuns como inquietação, coração protetor como de leão, seres capazes, leais, instintivos, serem retratados pela sociedade como patetas.
É comum ver memes de pais fazendo tudo errado, colocando uma meia de cada cor, enrolando a mamadeira com corda para a criança se alimentar sozinha; mas nada para mães. Porque nós nunca fazem coisas estúpidas, não é? (cof com com tosse)…
É normal para nós que muitos pais tenham cerca de 5 dias de licença de paternidade (se houver), quando uma criança nasce.”
E é comum ver no Facebook aquelas correntes virais, sugerindo compartilhamento de fotos e mensagens do quanto amam ser mães, ou de como a maternidade mudou a vida delas…
E nada dessas brincadeiras para os pais, impressionante! Por que não o desafio paternidade? Será que pais orgulhosos não gostariam de expor 3 fotos que provem o quanto eles gostem de ser pais? Será que não precisariam de mais dias de licença paternidade para curtir esse momento tão importante em suas vidas? Será que também não merecem nossa salva de palmas por dividir sim as responsabilidades com a mãe, dia jeito deles, mas nunca negando nenhum tipo de responsabilidade?
Porque eles estão muito ocupados pensando em futebol, certo?
Errado.
Eles também assistem Galinha Pintainha.
BASTA QUE VOCÊ DÊ OPORTUNIDADE A ELE PARA ISSO! Se você o fizer, por que ele insistirá? Se ele é um pai amoroso e responsável, se permita isso, deixe a criança um pouco com ele para que possa fazer alguma coisa por você.
E uma salva de palmas para eles!


Nutricionista Mayra Montelato
17 de junho de 2016 at 01:56Meu marido é melhor pai do que eu sou mãe. kkkkkkkkkkk
Layla Lima
5 de junho de 2016 at 02:26Alexandre Hauser !! Especialmente pra vc!
Alexandre Hauser
5 de junho de 2016 at 03:37Pois é Layla Layla Lima, na verdade, fazem o dever de amar seus filhos do mesmo modo que as mães, mesmo que role umas brincadeiras de virar de cabeça para baixo ou de esconde esconde…..
Alessandra F. Schumacher
4 de junho de 2016 at 20:01O pai das minhas filhas não podia ser melhor, se não estraga, ele é realmente magnifique, me sinto orgulhosa de ter escolhido o melhor pai para as minhas filhas
Rejane Vieira Alves Ferreira
4 de junho de 2016 at 15:59Assim como tbm existem pais bons existem pais que não o são. Assim tbm como as mães. Temos é que parar com essa cultura romantizada de que paternidade e maternidade é uma maravilha para todos. Tem pessoas que fazem um favor em não ter filhos, pois não tem habilidade para isso. O problema é que poucas são as pessoas que se conhecem e sabem os seus limites.
Rildenia Moura
4 de junho de 2016 at 11:47Ernandes Curica
Rildenia Moura
4 de junho de 2016 at 11:47Ernandes Curica
Karina Fazzio
4 de junho de 2016 at 10:44Rogério Varise