De acordo com a Organização Mundial de Saude (OMS), 1 em cada 3 mulheres no mundo vão vivenciar algum tipo de violência física ou sexual em suas vidas, sendo estas geralmente causadas por seu parceiro masculino.
Essa estatística inspirou a CARE Norway, ao produzir a campanha “#DearDaddy”, querido Papai em português.
O vídeo é uma carta contada sob a perspectiva de uma bebê ainda não nascida, ao seu Pai, trazendo à tona a discussão de que os pais devem conversar ativamente com suas filhas sobre abusos domésticos e sexuais.
A bebê ainda na barriga da mãe, conta sua história que ainda não começou, como se pudesse ver o futuro e aclama: “acabe logo com isso antes que comece. Me ajude para que não viva isso! Pare com brincadeiras masculinas idiotas, pois por trás de cada brincadeira, sempre há um pouco de verdade e solidifica o comportamento que grande parte dos homens têm em relação às mulheres.
O conteúdo é forte e retrata a estatística da OMS citada acima. A campanha é bem clara no alerta de que pais têm que ter consciência de que suas filhas precisam muito mais do que proteção contra os perigos óbvios, como violência nas ruas, monstros, bichos ou carros ao atravessar a rua. O perigo nítido e aprisionador é cultural.
O vídeo narra o depoimento de uma menina que vê seu futuro marcado pelo abuso (lembrando que parece realidade distante, pois o tema é tabu, mas são 1 em cada 3, né?), começando assim:
“Querido Papai, vou nascer menina. Isso significa que, lá pelos 14 anos, os meninos de minha classe já começarão a me ver com outros olhos e me chamar, em todas de grupos, de b**scate, de pta, de gostsa , vagab*nda e por aí vai… É apenas um modo dos meninos se divertirem, eu entendo, então você não irá se preocupar com isso, né? Provavelmente fez o mesmo quando adolescente em rodas de colegas, para impressionar seus amigos”.
Ela continua a história contando como, com 16 anos, vai vivenciar experiências de meninos a tocando enquanto estava bêbada na balada, mesmo com ela dizendo NÃO, que não queria!
Quando ela finalmente conhece o Sr. Perfeito, seu futuro marido, o #DearDaddy estava super orgulhoso e feliz por ela. Afinal ele era inteligente, tinha um bom trabalho,… O que mais ele poderia desabar?
Porém um dia, após casados, ele deixou de ser o Sr. Perfeito, sem que ela soubesse o porquê. Ela diz no vídeo: “sim, fui criada para não me fazer de vítima das situações cotidianas e ser uma mulher forte e independente. Será que estou reagindo demais e por isso meu marido está deixando de ser o Mr. perfect?”. Pausa para a culpa. Por que as mulheres se sentem SEMPRE tão culpadas?
Ela continua: “Numa noite aconteceu algo que foi demais para ele aguentar…e ele me chamou de vagab*nda. Assim como você chamava as meninas no colégio por trás para impressionar os amigos, Papai. Outro dia ele me empurrou. Ele diz ser minha culpa. Estou confusa pois eu o amo e o odeio ao mesmo tempo e não sei se realmente fiz algo errado, como ele vive dizendo. Estou sendo apenas eu. E num outro dia ele quase me matou”
Ela ainda explica que não era para aquilo estar acontecendo com ela. Era uma mulher estudada, tinha um excelente trabalho e foi criada num lar com amor. E agora ela se vê numa situação em que não consegue escapar: “o abuso sofrido pelos homens ao longo de sua vida”.
Gente, esse vídeo foi um choque para mim como mãe de menina. Ele está sendo viralizado nos Estados Unidos e infelizmente ainda não vi nenhuma versão traduzida. Deixo aqui para vocês o vídeo em inglês, na Íntegra.
O recado dado ao “Dear Daddy” (Querido Papai) representa TODOS OS PAIS DESTE MUNDO. A criança ainda na barriga da mãe faz o apelo: “Querido Papai, quero te pedir um favor. Pare logo com isso antes que tenha a oportunidade de começar. Abra a minha mente e me proteja disso, por favor”.
#DearDaddy quer passar a mensagem de que a violência doméstica, vivida e não assumida por muitas mulheres, está aí e não deve ser tratada como um tabu. O que começa como uma simples brincadeira de adolescente aprisiona por toda uma vida. E para o adolescente menino que começa brincando, depois destratar uma mulher em casa fica mais fácil e “socialmente aceitável”.
O menino precisa mudar a forma de como ele enxerga e trata uma mulher e isso vem de casa. A menina precisa entender que ela não é responsável por homens a tratarem de forma hostil. Enquanto pais e mães não abordarem isso em casa, a estatística se permanecerá para o futuro dos nossos filhos.
Brincadeiras idiotas e de cunho machista precisam parar. Isso se arrasta para uma vida!!
Um beijo, Marrie


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