Eu amava as princesas Disney* na minha infância, mas hoje preciso admitir que me sinto enganada por elas. Me fizeram acreditar em príncipe encantado. Em perfeição. Em felizes para sempre.
Não faz muito tempo que eu cai na real e parei de procurar nos relacionamentos aquele príncipe encantado perfeito. Aquele cara que chega de cavalo branco, na hora exata e te salva de todos os males do mundo com o beijo do mais puro e verdadeiro amor. Que te livra de todos os problemas. Já viram alguma princesa com exaustão mental?
Vida real é que a mulher geralmente fica com grande parte das resoluções dos problemas da família. Com as pequenezas do dia a dia que não são vistas, nem valorizadas e tampouco agradecidas. Aquelas coisas que te fazem gastar um tempão para depois ouvir: “tá cansada de que?”.
Geralmente todo o “penso” das respostas instantâneas de onde estão as meias, a cueca, o casaco, a jarra, a tampa do tupperware, a roupa que foi pra lavar e não voltou…
E ficar sonhando com o cara que adivinha o que a gente tá precisando, sem que seja preciso dizer nada – em meio a esse desgaste mental invisível – fez com que, por um tempo, eu sentisse raiva dessa herança dessas princesas. Me fizeram de boba por anos!
Ao me livrar dos preceitos que elas inundaram minha infância e perceber que aquele cara ao meu lado que não escuta meus pensamentos, que nem sempre é proativo, que nunca sabe onde tô afim de ir jantar, que pede ajuda para encontrar absolutamente tudo na casa e ainda solicita que eu lembre de itens que ELE precisa resolver (como se não bastasse minha agenda própria), esse cara TAMBÉM é um excelente amigo, um parceiro de verdade, ele não nega nada do que pede, está sempre ao seu lado, te faz dar altas risadas e o melhor: ele é real e te ama até depois do “e viveram felizes para sempre”, que geralmente ocorre antes dos filhos nos desenhos Disney, né?
Esse cara sim deveria ser o personagem que as crianças escutam a infância toda. O parceiro. O amigo. O cúmplice. O homem de verdade que sabe respeitar uma mulher, apesar de ter passado longe de escola para principes, numa sociedade de criação ainda tão machista que foi na nossa época.
Um beijo, Marrie

OBS 1*: Com meus trinta e poucos anos, minha infância era servida das princesas tradicionais: Branca de Neve, Cinderela, Bela Adormecida. Só mais tarde começaram a sair outras princesas, mais inquietas, arretadas até, mas já estava ficando crescidinha. Acho ótimo que exista a Mulan como referência para as meninas de hoje.
OBS 2: Hoje, não gosto da forma que contaram a história dessas princesas (a história original de Bela Adormecida é tão bela!). Me custou terapia – e amadurecimento – essa visão Disney da vida, rsrsrs.
OBS 3: Das princesas pra mim: “Te enganei, ahahahaha. Pegadinha!”.
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Giovana Olivieri Marques
16 de setembro de 2017 at 02:08Que lindo ver um post sobre o empoderamento e a força feminina. De crença, de força, de ideal. Mas sabe, Marrie, os contos de fadas, cheios de simbolismos, podem nos ensinar isso tudo também quando repassados de forma mais profunda. Uma pena que normalmente nos chegam apenas a versão disney deles… reforçando espereótipos, criando beleza e apagando toda riqueza que esses contos clássicos nos trazem. E que bom que vc percebeu isso tudo! 🙂
Luciana Lima
15 de setembro de 2017 at 10:17Sensacional! Parabéns por descrever tão bem a realidade ❤
Bianca Coelho
15 de setembro de 2017 at 09:36Eu nunca gostei de princesa, nunca me “iludi” rsrsrs. Esperei, escolhi bem … E sabia que seria uma eterna contrução diária.
Nayara Rodrigues
15 de setembro de 2017 at 05:41Ramon Rodrigues
Fabienne Cruz
15 de setembro de 2017 at 01:44Maravilhoso texto, Marrie!!! Amei!
Mamãe Plugada
15 de setembro de 2017 at 02:09Obrigada, Fabienne!
LeleJuninho Santos
15 de setembro de 2017 at 01:03Marrie vc descreve todos os “itens” da minha vida… ou somos muito parecidas ou não sei o que é… hahaha… até irmã bem mais velha eu tbm sou…rsrs vou comprar seu livro essa semana… sou muito sua fã… beijo e sucesso sempreeeee
Mamãe Plugada
15 de setembro de 2017 at 02:13Que delicia, essa identificação, Lele! Adorei ❤️
Juliana Poli
15 de setembro de 2017 at 00:40Concordo plenamente.
Sabrina J. Moresi
15 de setembro de 2017 at 00:38Adorei !!!!
Mamãe Plugada
15 de setembro de 2017 at 00:44❤️❤️❤️
Anna Gabriela Fonseca
15 de setembro de 2017 at 00:32Que texto foda! Escrevendo cada dia melhor! Parabéns, Marilia!
Mamãe Plugada
15 de setembro de 2017 at 00:33❤️❤️❤️ obrigada ?
Flávia Barcelos Vieira Dias
15 de setembro de 2017 at 00:28Fernanda Manoela Bego Faleiros, sobre algumas coisas que falamos hoje!
Fernanda Manoela Bego Faleiros
15 de setembro de 2017 at 00:49Bem verdade