Emocionante carta que representa a mensagem que um recém nascido gostaria de trazer, certamente, a todos que o recebem, em especial, a sua mãe, no auge do puerpério. Texto extraido do meu livro “Desapareci ao Virar Mae, mas Reencontrei-me”, disponível para compras aqui.
“Querida Mamãe,
Eu e você fomos um só por nove meses. Duas almas em uma só.
Sair deste abrigo úmido, quentinho e seguro para um mundo cheio de ar, temperaturas instáveis e pessoas não me deixam seguro. Preciso de você, Mamãe, bem pertinho. Do seu colo, do seu cheiro, das suas vibrações e da sua voz a cantarolar, como ouvia muito ainda na sua barriga. Um lembrete dos velhos tempos.
Para mim, eu ainda sou você, Mamãe. Eu sinto o que sente.
Sinto sua alegria antes mesmo que sorria.
Seu desespero antes mesmo de chorar.
Sua angustia antes de gritar.
Por que estou tão conectado a você, minha mãe, que não basta aparecer bem para mim. Eu sei o que se passa lá no fundo contigo. Afinal, quem mais ouviu seu coração bater lá de dentro?
Não se sinta insegura, Mamãe. Não exija tanto de si. Sou seu espelho. E fico bem quando estiver bem, mesmo que para você esteja sendo “menos eficiente”. Preciso tão pouca coisa e muito de você.
Me sinto inseguro ainda com muita gente querendo me tomar de ti, Mamãe. Eu ainda não entendi nossa separação de corpos. Aos poucos vou entendendo. Mas, por hora, prefiro ficar quietinho, no aconchego de seu colo.
Mamãe, peça por mim paciência a todos que me amam. Já já entenderei melhor deste mundo e vou adorar outros colos e carinhos. Outros afagos e beijinhos.
Por hora, não choro só por fome, frio ou por que preciso ser trocado não, Mamãe. Não sei o que é ser manhoso também, como dizem as visitas. Choro por que ainda estamos conectados na alma, mas não habito mais seu corpo e ouvir seu coração bater me dá acalento.
Posso estar exigindo demais de você. Mas prometo: essa fase passa!”
Por Marrie Ometto, do livro “Desapareci ao Virar Mae, mas Reencontrei-me”,Editora Bianch.
Olá Mamães,
Como foi sucesso a “Carta de uma criança de 2 anos à sua mãe“, resolvi compartilhar em mais cartas o que vivi com a Maternidade.
Cada fase tem sua peculiaridade. Os bebês e crianças não pensam como nós e estão em franca construção de seus eus. No caso de um recém nascido, ele ainda acredita ser parte de sua mãe, até mais ou menos 1 mês de vida. E esse processo de se enxergar como um ser único vai se estendendo ao longo do primeiro ano de vida. Aí surgem as ansiedades da separação.
Segundo Laura Gutman, o bebê recém nascido é a própria sombra materna. Reflete como um espelho todos os sentimentos mais profundos de sua mãe, até mesmo aqueles que ela nunca percebeu e estão lá no fundo. Um bebê é a alma da mãe exposta, para que ela possa analisar.
Esse é mais um motivo do puerpério ser tão complexo: não basta a nova rotina, os novos horários de sono, o saber dar banho, trocar ou dar de mamar. É preciso admitir nossas fragilidades e respeita-las, ao vê-las ali, expostas num bebêzinho. É preciso ter coração aberto para enxergar o que está ali afligindo e resolver de vez.
Espero que gostem!
Um beijo, Marrie





Marilu Marum
5 de julho de 2017 at 00:11Tatiana Amaral é tudo isso mesmo ❤
Tatiana Amaral
5 de julho de 2017 at 01:32Tudo isso mesmo … que lindo ?????? imagina que não chorei
Tatiana Amaral
5 de julho de 2017 at 01:33Luiz Eduardo
Naiara Carvalho Laura Belonato
4 de julho de 2017 at 19:25Karine
Priscila Almeida
4 de julho de 2017 at 18:25Que texto liiiindooo
Natália Carleto
4 de julho de 2017 at 17:34Bruna Manduca
Bruna Manduca
4 de julho de 2017 at 17:53Chorei, Ná! Ainda bem que estou sozinha na minha sala. Lindo demais! <3
Natália Carleto
4 de julho de 2017 at 17:57Lindo, né?!
Uma fase difícil, mas passa tão rápido… Um vínculo que aumenta a cada dia, o amor que achamos já ser imenso, ainda cresce e multiplica.
E no colinho da mamãe vai ser onde o Matheus vai encontrar o acalanto.
Bjs em vcs