“É meu!” Essa é uma das primeiras expressões que uma criança aprende a falar, pouco depois de “mamãe”. Embora o sentimento de posse seja humano, natural e inevitável, aprender a dividir é essencial. E a tarefa de ensinar cabe aos pais, dentro de casa, e desde cedo.
Apesar de ter uma nova linha de pensamento de que não devemos ensinar a dividir (segundo essa teoria, o mundo é competitivo demais e os adultos não partilham nada/só conquistam, portanto ensinar a dividir levaria as crianças a não lutarem pelos seus ideais e cederem facilmente), eu acredito que temos que domar o instinto que a criança intrinsicamente tem quando começa a entender seus desejos e ainda não percebe que o mesmo tem que estar em equilíbrio com o dos outros para que possa socializar-se.
Nem 8 nem 80: Ensino minha filha a dividir o que ela tem, ensino que cada um tem sua vez e tal. Mas não ensino a ceder tudo. Concordo que a criança não deva sempre ceder seu objeto toda a vez que aparecer alguém tentando arrancá-lo de sua mão.
Por exemplo, um dia estávamos na brinquedoteca e tudo o que Clara pegava para brincar, vinha uma criança e arrancava da mão dela. Nesse caso, deve-se ensinar a respeitarem sua vez, impondo-se sim. E quando cansar de brincar, ai sim emprestar ao amiguinho.
No caso, minha filha é do tipo mais calma. Mas tem crianças mais expressivas e, que se não forem ensinadas a elas a dividir, as coisas só tentem a se complicar, já que antes dos seis anos, os sentimentos de empatia e solidariedade não são naturais, e devem ser estimulados por condicionamento. Confira abaixo algumas maneiras de ensinar seu filho a dividir:

Foto: Pixabay
Conte uma historinha
- O método mais simples é ensinar através de uma boa historinha infantil. Bem contada, uma aventura onde se aprende sobre a importância de dividir fica na memória da criança. No final da historinha, comente o aprendizado, e confirme que seu filho entendeu a mensagem. Esse é um método eficaz para primeiros exemplos.
- Ainda na literatura, que tal trabalhar palavras como “nosso”, “por favor”, “dividir”, “emprestar” e “devolver”? Pode parecer bobagem, mas elas devem fazer parte do vocabulário dos seus filhos desde cedo.
Não force a barra, dê exemplos
- Procure incentivar bons hábitos no dia a dia. Por exemplo, peça uma colherada de algum alimento ou incentive o seu filho a compartilhar um brinquedo favorito com os irmãos ou coleguinhas da escola.
- Lembre-se de pedir licença para abrir seu closet ou para pegar seus pertences. Essa atitude reitera a noção de propriedade e respeito e forma o caráter de seu filho.
- É fundamental que a criança experimente generosidade. Se um objeto qualquer despertar seu interesse, deixe seu filho explorá-lo, explicando que é um empréstimo: “Essa chave é minha. Você que que eu te empreste?”
- Ensine-o a dividir pessoas. Deixe claro que “mamãe agora vai falar com seu irmão” ou “espere a sua vez” – quando houver necessidade de se dividir a atenção entre duas ou mais pessoas. Largar tudo para atender a um pedido egoísta do seu filho não é um bom exemplo.
Seu filho e os outros
- Observe-o ao redor dos outros amigos, parentes ou irmãos. Essa é uma maneira eficiente de identificar padrões de comportamento. Você saberá se precisa ensinar seu filho a dizer “não” ou se ele precisa ser mais flexível e generoso.
- Se tiver que intervir, faça-o longe de seus amiguinhos para evitar constrangimentos. Interferências do tipo “quando sua irmã terminar de brincar ela te emprestará a boneca”, devem ser feitas com calma, em tom de conversa, nunca de bronca.
- Amiguinho vindo brincar? Aproveite e peça a seus pais que tragam alguns brinquedos dele. Brinquedos de outras crianças são irresistíveis, e, bem mediada, uma troca temporária torna a brincadeira mais divertida e ensina ao grupo todo os benefícios de dividir.
- Estabeleça tempo. Mesmo que seu filho seja muito novo para ter essa noção, a ideia de tempo deve ser incorporada sempre que possível. “Cinco minutos mais, depois é a minha vez”, por exemplo.
Controle suas reações
- Dialogue, promovendo sempre a razão. “Você não vai emprestar seu brinquedo para seu amigo? E se ele não emprestar o dele para você, será que você vai gostar?” Nada como ensinar seu filho a se colocar no lugar do próximo.
- Não ameace. Broncas do tipo “se você não emprestar seu carrinho eu vou tirá-lo de você!” aumentam o estresse e, consequentemente o sentimento de posse.
- Encoraje, celebre e elogie toda atitude correta. “Obrigado, você é muito gentil de me dar um biscoito seu…” Um elogio bem feito é meio caminho para uma próxima atitude correta.
Um beijo, Marrie


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