Carta aberta de um pai que diz exatamente aquilo que sente quando vê outros pais ou mães gritam com seus filhos em locais públicos, após um ataque de birra ou após alguma desobediência. E descreve, brilhantemente, como se formam os julgamentos a partir daquilo que ele viu, mas que por não conhecer a vida dessa pessoa, por não calcar seus sapatos, não tem direito nenhum de julgar. Afinal, todos nós temos momentos de ótimos pais e péssimos pais. Somos humanos e, como tal, passíveis de errar.
“Eu te vejo.
Eu te vejo sentado em um banco do parque com o seu iPhone para fora. Seu filho está chamando a sua atenção e você demora três ou quatro vezes até perceber o “paaaaiiii” que está sendo gritado no parque é o significa que você. Você olha para criança, pergunta o que está acontecendo e depois finalmente retorna ao seu oráculo digital.
Vejo você na fila do supermercado com os seus filhos. A mais velha quer o que parece ser uma mamadeira de plástico cheia de algo que mais parece uma bonda de açúcar líquida, em tom de desinfetante. Quando você diz não, ela começa a chorar. Se joga no chão. Você a agarra pelo braço, sussurra algo em seu ouvido que eu prevejo que não seja algo bom, afinal, percebo na expressão do rosto de sua filha o desespero do que você fala.
Vejo você no restaurante. Seu filho mais novo quer nuggets de frango e macarrão com queijo e eu só posso imaginar é a quadragésima vez recentemente que ele come aquilo. Os dedos de queijo estão segurando seu iPhone e assistindo alguns desenhos animados anencéfalos para que você usa possa engolir algo em paz.
Vejo você perdê-lo no shopping. Seu filho derruba um refrigerante no chão e sua raiva é muito maior do que a situação merece. As pessoas param e olham para você.
Suas palavras são altas e dolorosas, fizeram com que eu perguntasse a mim mesmo o porquê disso tudo, analisasse a situação, mesmo não tendo nada a ver com sua vida.
E aqui, meu caro, está o que eu não vejo.
Eu não vejo…
Você jogando bola com seu filho frequentemente. Você brincando com eles de cavalinho. Você chegar em casa a noite, depois de um longo e exaustivo dia de trabalho, e fazer questão de fazer a leitura de livros antes de seu filho dormir ou ainda passar algum tempinho ensinando-o as primeiras palavras a ele ou, até mesmo, a ler, se forem maiores. Você levá-lo à banca de jornal semanalmente e deixá-lo escolher dois gibis para recompensá-lo por seu trabalho duro e obediente com a Mamãe. E, aos fins de semana, você levar seus filhos a um parque cheio de outras crianças para eles brincarem, interagirem, se sujarem e fazer novas amizades. Você quer que eles sejam capazes de brincar e se divertir enquanto você recupera o atraso em seus e-mails.

O que eu não vejo…Mas nem por isso você não faz!
Eu não vejo. . .
Depois de pegar seus filhos na escola, você passando rapidamente ao supermercado (com eles) para pegar um pouco de frango e leite antes de ir para casa e preparar o jantar. E, na hora do jantar, você explicar às crianças a importância dos legumes e folhas na refeição, sendo os tão esperados doces algo para se pedir em dias especiais.
Eu não vejo. . .
Você não consegue sair para comer com muita frequência. O dinheiro é apertado, e tendo uma família grande, um restaurante é quase inviável. Mas é um prazer, e você quer que todos se divertam. Para você uma “jacada” é um lanche com batatas com batatas fritas e molho de ervas. Uma “jacada” para as crianças significa nuggets de frango e mac-n-queijo. É uma ocasião especial. . . é por isso que, depois de ver a felicidade nos olhos de sua criança diante de tanta porcaria, você decide isso vale os olhares de julgamento dos outros, que nada tem a ver com sua vida
Eu não vejo…
Você perguntar como foi o dia de sua cônjuge. Perguntar como foi o dia das crianças. Ter um diálogo sobre quais os novos desafios para aquela família e quais os caminhos, a curto e longo prazo, trilharão juntos. Você perguntar se a faz feliz. O porquê sente-se tão triste ou ainda o porquê ainda está de pijamas em plena 8 horas da noite.
E o incidente do grito?
Vamos lá…
(me dá um abraço?)
Não, não vi que você não conseguiu dormir durante toda a semana por conta do sono das crianças e ainda assim teve que trabalhar todos os dias. Não vi que você teve uma discussão com sua esposa e que aquele dia isso ainda estava te corroendo por dentro. Não vi que você estava estressado no trabalho, e que, geralmente, pequenas coisas como estas que as crianças fizeram não o deixam surtado como ficou desta vez. Eu não vejo as centenas de vezes que você NÃO GRITOU com o seu filho. Eu não vou ver você dizer depois que está arrependido e tentar explicar às crianças que às vezes até os adultos ficam com raiva e gritam, e isso não significa ser certo, apenas que são humanos e também cometem erros. Eu não verei sua criança perdoá-lo, com um abraço apertado.
Então, vamos fazer um acordo.
Vamos nos dar folga. Vamos descansar o julgamento e reclinar sobre o fato que não conhecemos o cotidiano um do outro. Em vez de pitacos e acusações, vamos lançar um sorriso dizendo “sei bem como é!”.
E acima de tudo, vamos reconhecer que erramos muitas vezes. Seja por cansaço ou pela tentativa de acertar. Todos nós temos altos e baixos. E no restante do tempo dentre os trilhos altos e baixos dessa incrível montanha russa, estamos em algum lugar no meio, fazendo o melhor que pudermos.
Sabendo que estamos todos juntos nisso, vamos nos acalmar um pouco, julgar menos e desfrutar do passeio”.
Carta escrita pelo pai e blogueiro norte americano John Kinnear, do Blog Ask Your Dad. Traduzido e adaptado em língua portuguesa pelo Site Mamãe. Todos os direitos reservados. Se for usar, favor dar os créditos. Obrigada!
Leia também:
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https://www.mamaeplugada.com.br/2015/12/respostas-para-palpites-maternos/
https://www.mamaeplugada.com.br/2015/11/sobre-pitacos-na-maternidade/

Marcelle Barros
19 de setembro de 2016 at 11:17Lembrei de um caso parecido.
Da última vez que levei o bb de 20 meses ao cabeleireiro infantil, havia um menino do lado da cadeirinha dele de aproximadamente 6 anos cortando tb.
Sentei pra ler uma revista enquanto o bb cortava o cabelo e brincava quietinho com uns bichinhos.
Enquanto o outro menino “maiorzinho” dava um show a cada tesourada. Sua avó o segurava e o abraçava acalmando. Sua mãe do outro lado, tb tentava distraí-lo. O cabeleireiro paciente também tentava realizar seu trabalho hercúleo, mas os gritos ficavam cada vez mais estridentes. O meu olhar de desaprovação ia de encontro aos olhares das outras mães que comungavam do meu pensamento: Que chilique! Que menino mimado! Que mãe é essa que não sabe contornar a situação. Enfim…
Até que foram embora, e quando o próximo mini-cliente se sentou no lugar dele, a mãe foi logo soltando ao cabeleireiro: – Vc devia cobrar o dobro para meninos assim! E o paciente profissional fez a surpreendente revelação: – Ele é autista…
Fiquei secretamente tão envergonhada quanto a corajosa mãe palpiteira. Fiquei um bom tempo reavaliando todas as situações onde fui cruelmente injusta ao julgar e comparar crianças com comportamentos inadequados em público. Quem sabe o que se passa com o seu filho, é só vc. Somos as melhores mães que damos conta de ser, mediante a individualidade daquele serumaninho em formação.
Lição do dia: antes de julgar, procure entender melhor a situação.
Karen Sousa
19 de setembro de 2016 at 00:21Leandro Messias
Edson Ribeiro Dos Santos
18 de setembro de 2016 at 21:31Lucianne Oliveira
18 de setembro de 2016 at 18:57Ariel Gomes
Tatiane Inácio
18 de setembro de 2016 at 11:37Cassiana Azevedo olha a pertinência. Amei!
Cassiana Azevedo
18 de setembro de 2016 at 12:27Simplesmente perfeito! Nuuuuuuuuuuuu!! Arrasou! Como diz minha amiga mito:”qual a amostragem?” Perfeito !!! leitura obrigatória! E reflexão obrigatória tb!
Tatiane Inácio
18 de setembro de 2016 at 13:13???
Gisele Godoy
17 de setembro de 2016 at 23:04Perfeito ! Amei
Mamãe Plugada
17 de setembro de 2016 at 23:07