Crianças japonesas são criadas para conquista de sua independência, desde cedo.

Criança de hoje será o adulto – e a sociedade – de amanhã. Todos sabemos disso, mas parece que poucos países aplicam na prática. O Japão é um desses países. Não só pais japoneses, mas a sociedade Japonesa, cria as crianças para a independência. Desde cedo, crianças andam pelas ruas livremente e todos ao redor se mostram solicitos para auxiliar essas crianças. Há segurança e apoio de todos. E não pense você que elas são jogadas na rua sem estarem preparadas. Há todo um processo e a independencia é uma conquista para a criança.

Amplamente é falado sobre deixar a criança fazer sozinha aquilo que ela está apta…Apesar daquele nosso sentimento de “Ah, mas passa tão rápido”, sabemos lá no fundo que somos Guias para que nossos filhos tornem-se adultos felizes e, para isso, ensinar independencia e preparo emocional é nosso papel. Debatemos muitas e muitas vezes sobre como lidar com isso no dia a dia, não é fácil, né?

Sim, para nós ocidentais.Pois lá no Japão, parece que isso é algo tão comum que está enraizado não somente nas veias, mas também na sociedade, que dá paz e tranquilidade para que pais possam criar seus filhos para o mundo. Lá, por exemplo, os pais usam as caminhadas para ir à escola como passos iniciais para ensinar às crianças a habilidade vitalícia da independência. Não para livrarem-se das tarefas, mas para dar-lhes suporte para uma vida.

Você deve estar se perguntando: “Como assim? Eles caminham sozinhos para a escola? Tão cedo?”. E nesse momento você tenta imaginar o ato de deixar seu filho ir para a escola a pé, sozinho, com seus 3 aninhos. Parece loucura, neste mundo em que vivemos, né?

Realmente, não imagino essa cena aqui em casa – Clara com 3 anos caminhando sozinha os 3 quarteirões que separa nossa casa até sua escolinha na capital paulista – não, pelo menos, nesse mundo que nos cerca, infelizmente.

Esse é pensamento das mães ocidentais em geral, onde a sociedade pouco se importa com o filho do outro. A cultura é diferente.

O raciocínio dos japoneses é muito simples: a ida à escola é uma aventura das crianças sem seus pais. E não achem que eles se sentem abandonados, não. Eles querem fazer isso sozinhos, assim como seu filho aqui do outro lado do mundo encana de por o sapato sozinho e não há santo que o faça aceitar sua ajuda!

Para as crianças japonesas, é uma conquista poder caminhar sem supervisão até a escola!

Porém, bem diferente do mundo ocidental – a terra dos pais helicópteros – o Japão faz um excelente trabalho em relação à preparar suas crianças para a independência…

E não pense que é assim, de uma hora para a outra. O processo parece rápido demais, mas começa lentamente.

Há muitos anos, quando nascia uma criança no Japão, muitas mães conseguiam conciliar o trabalho com a maternidade, levando os filhos presos ao corpo (com um sling ou canguru) para  trabalhar junto com elas, narrando aos pequeninos o que estão fazendo o que os fazem sentir parte do processo, da rotina delas. Muitos, exatamente por isso, até chegam a aprender a falar antes de andar, de tanto que os pais conversam com seus filhos.

Hoje em dia, mães ainda levam os bebês para todos os cantos e, normalmente, a mãe fica em casa até o bebê completar 3 anos. E depois disso, elas vão para o Jardim de Infância, mas estão sendo instruídas com muito afeto sobre essa tal independência. Desde muito cedo, quando a mamãe passava o dia todo falando com o bebê num sling.

Percebam que o Japão prioriza que os pais fiquem com os filhos até que essa fusão emocional mãe-bebê cesse por completo. Quando ela começa a enxergar-se como um ser separado por completo de sua mãe e do mundo que o circunda. E, a partir daí, quando começam a ir para as escolinhas, as mães assistem aos primeiros dias de aulas, e acompanham as primeiras viagens casa-escola, ou seja, as crianças não são simplesmente largadas nas ruas para que encontrem, por si mesmas, o caminho da escola. Independência é uma habilidade ensinada através da prática e acompanhamento: aprender o caminho da escola segurando a mão de um pai, conhecendo os donos de lojas ao longo do caminho,… Educar para a independência, para os japoneses, é ter a certeza de que as crianças não só sabem como fazê-lo para chegar até o destino, mas que também o farão com segurança.

Mais importante ainda, coisa que falta em muitas das sociedades ocidentais, é a confiança na comunidade: Os japoneses ajudam a promover a independência das crianças.

Os vizinhos que vêem crianças andando ou brincando sozinhas não chamam a polícia, nem a polícia prende os pais. Em vez disso, eles ajudam. Quando uma criança japonesa está em sua rota para a escola, ela frequentemente encontra pessoas nos cruzamentos, placas, sinais que designam lojas e casas seguras em caso de emergências, e a boa vontade CULTURAL da vizinhança que sempre ajuda os pequenos caso estejam perdidos. Desta forma, garantem que as crianças possam não apenas ser independentes, estarem mais livres, mas também estejam aprendendo esse processo em segurança.

Mas essa responsabilidade vem por um passo de cada vez. A criança para obtê-la deve conquistá-la. Os pais não soltam crianças despreparadas para as ruas, é uma abordagem de independência que se aplica à responsabilidade. E assim é para tudo, a independência vai sendo uma lição ao longo da vida.

E isso proporciona às crianças a confiança que precisam para dominar não apenas tarefas simples como caminhar até a escola, mas também auto estima para progressivamente ir fazendo coisas mais difíceis, até atingir os desafios que a vida naturalmente irá lançar o sobre o seu caminho. É um pequeno passo para ajudar as crianças a crescer em direção a uma idade adulta bem embasada.

Em nossa sociedade, como não confiamos na comunidade, muitas vezes não deixamos crianças bem maiores andarem até a esquina, por medo de assalto, roubo, estupro, e por aí vai. Em um mundo onde a sociedade em geral não preocupa-se com as crianças, também não interessa o futuro. Mas, um dia, essa criança será jovem que precisará tomar um ônibus, um metrô ou caminhar para algum lugar. Isso sem passo a passo, de sopetão, bem diferente do Japão, que tem consciência de que as crianças de hoje são os adultos de amanhã e por isso, há uma enorme responsabilidade de todos para que as crianças estejam preparadas e amparadas.

Um marco importante para as famílias, por exemplo, é o chamado  Hajimete No Otsukai (Minha Primeira Missão), onde as crianças de aproximadamente quatro anos de idade são atribuídas para completar uma tarefa para a família, como comprar coisas no supermercado, por exemplo. Executar uma missão – sozinho – é outra coisa pequena que ajuda a promover a habilidade de independência.

Percebam que nada aqui é imposto, é tudo amparado e bem passo a passo. Não precisa ser aos quatro anos, mas em torno de quatro, quando geralmente essas crianças conquistam esse direito de poder fazer algo pela família sozinhas. Se elas não puderem ir em segurança, não irão.

Achei lindo o conceito e a maturidade CULTURAL, mas me peguei pensando em minha filha, no Brasil, onde não tenho confiança de soltar a mãozinha dela nem na garagem do prédio onde moro que, apesar de ter placas com limites baixíssimos de segurança, sempre tem um ou outro apressadinho que não respeita… Então, sigo educando para a independência da maneira segura que consigo e imaginando: “que delicia seria se todos, não apenas as nossas crianças, pudessem andar livremente e sem medo pelas nossas ruas?”.

 

Um beijo, Marrie

OBS: De acordo com a pesquisa da Safe Routes to School National Partnership (SRTS), que diz que apenas 1,7% dos alunos andam de ônibus e que como algumas escolas banem o estacionar rapidinho para deixar na escola, andar até a escola é uma necessidade entre os japoneses…

Quer saber mais sobre essa ida dos pequenos japoneses para a escola sem os pais? Leia mais aqui: http://savvytokyo.com/preparing-your-child-to-walk-to-school-in-japan-without-you/

Leia também:

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32 Comments

  1. Quel Soares

    25 de novembro de 2016 at 22:59

    Olha isso, Ediléia Ferraz Felipe, Edilene Ferraz! Lembrei da nossa conversa hoje!! Acho que só depois dos 18 anos, né? E com restrições!! Rs

  2. Daniele Sayuri Mory

    25 de novembro de 2016 at 20:37

    É por isso que estou indo criar os meus lá!

  3. Marcelle Barros

    25 de novembro de 2016 at 18:17

    Inconcebível a idéia pra caipira aqui!

  4. Adrielle Advento

    25 de novembro de 2016 at 17:56

    Vai fazer isso aqui é seu filho não volta p casa kkk

  5. Breno Peck

    25 de novembro de 2016 at 16:30

    Com três anos indo sozinha pra escola no Brasil a criança no mínimo é roubada. Pra vocês verem o quanto que a violência no Brasil rouba da gente: até da criação dos nossos filhos ela nos priva.

  6. Thalita Gondim

    25 de novembro de 2016 at 16:13

    Nossa sou igual a vc, moro no térreo e o parquinho é ao lado, mas sempre estou lá com ela…
    No estacionamento e elevador até aperto a mão!

    1. Mamãe Plugada

      25 de novembro de 2016 at 17:23

      A verdade é que nem dentro do prédio a gente fica sossegada ????

    2. Thalita Gondim

      25 de novembro de 2016 at 18:44

      Sim!
      Meu marido é gerente condominial, acredita q já houve caso da criança ser abusada na brinquedoteca por outro morador, enquanto a mãe conversava lá fora?
      Sou neurótica mesmo, não confio nem em parentes! ??

    3. Mamãe Plugada

      25 de novembro de 2016 at 23:55

      meu Deus, estou horrorizada Thalita Gondim???

    1. Aline Miranda

      25 de novembro de 2016 at 15:25

      ? isso q é independência hahahahha

  7. Andressa Machado

    25 de novembro de 2016 at 15:16

    Isto é verdade meus sobrinhos que nasceram no Japão sempre foram sozinhos pra escola, meu irmão quando contou fiquei besta!

    1. Andressa Machado

      25 de novembro de 2016 at 15:20

      Coitado, meu sobrinho veio pro Brasil para o casamento do meu irmão e quando ele ia atravessar a rua ele fazia o sinal de pare com a mão, porque ele pensou que os carros parariam como lá no Japão, meu irmão falou, meu filho aqui as pessoas não respeitam isto não (não generalizando, óbvio) mas vai fazer assim com a mão ver se não é atropelado?

    2. Andressa Machado

      25 de novembro de 2016 at 15:21

      Detalhe ele tinha 3 anos na época e lá uma criança de 3 anos dando sinal é respeitada!

  8. Raisa N'Zinga Carreiro Branco Santos

    25 de novembro de 2016 at 15:10

    La não tem pedófilos ou casos de sequestros??? Gente fiquei boba e encantada ao mesmo tempo, eu lembro q eu aos 7 anos ia sozinha p escola, e não era tão perto não, e hj falo q minha mãe era s noção kkk ela fica brava.

    1. Mamãe Plugada

      25 de novembro de 2016 at 15:16

      Acho meio impossível não ter nenhum caso. Mas o que acontece é que toda uma sociedade está preparada para crianças estarem livres, o que gera uma segurança ímpar!

    2. Mamãe Plugada

      25 de novembro de 2016 at 15:18

      Ah, eu também ia com uns 9 anos a pé para a escola, algumas vezes… mas era tão tranquilo, pertinho…. hoje, tá osso!

    3. Andressa Machado

      25 de novembro de 2016 at 15:18

      Verdade, Má! Aqui a sociedade não aceita mudar, coisa de gente mimada?

    4. Raisa N'Zinga Carreiro Branco Santos

      25 de novembro de 2016 at 15:22

      Hj não tem condições aqui na nossa cultura de deixar ir sozinho, mesmo sendo perto, Japão é incrível, tenho uma amiga q está la ha 10 anos e não pensa em voltar.

  9. RosiMeire Tonet Ferreira Camargo

    25 de novembro de 2016 at 15:06

    Adoro a cultura japonesa… carater respeito e honestidade deles me encantam… País incrivel…

    1. RosiMeire Tonet Ferreira Camargo

      25 de novembro de 2016 at 15:10

      Não conheço… só pela tv… uma vez vi uma materia q passou na Ana Maria… ela foi pra la… me lembro q passou durante uma semana inteira…. mostrando td da cultura de la… faz 5 anos… eu tinha acabado de ter meu primeiro filho… ai que vontade de criar filhos com aquela educação…

    2. Mamãe Plugada

      25 de novembro de 2016 at 18:12

      E liberdade, né? Pq, sem percebermos, o que roubam com essa violência que vivemos é nossa liberdade, desse pequenos ?

    3. Viviane Carvalho

      26 de novembro de 2016 at 01:58

      E isso ai Ma, falou o que estava pensando!!

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