8 coisas que você precisa saber sobre a birra das crianças

Muitas vezes existe um conflito difícil de ser aceito por nós entre o quanto de tempo e atenção (com qualidade) que os pais podem ofertar e o quanto a criança demanda/ quer/precisa efetivamente dos pais.
É fato que os pais não vivem somente para as crianças, precisam trabalhar, cuidar da casa, preparar comida, dar atenção aos outros filhos, tratar dos animais domésticos, cuidar de si, …

Mas lembre-se que uma criança pequena no auge da fase das birras (terrible two) não sabe disso, tampouco conseguem pedir gentilmente pelas coisas, afinal estão a todo o vapor no desenvolvimento da linguagem.
As crianças não entendem esse contexto social (leia mais) que as circundam, muitas vezes não conseguem expressar através da fala esse turbilhão de sentimentos que aflora e a forma que encontram de se fazerem notadas na hora que querem, é através das birras e dos maus comportamentos.

 

Mas, como lidar com isso?

Entendendo a causa, resolvendo pela raiz, como diz o ditado popular.

 

Ok, pode ser que você não tenha mais tempo para estar disponível com as crianças, mas que tal entendê-las um pouco mais para que, “dançando conforme a música”, estreite o vínculo  e de quebra, consiga o que quer? Pode ter certeza que será mais efetivo do que através de desgastantes imposições.


1. Sono noturno contínuo

Em 2013 a UCL (University College London) realizou um estudo com mais de 10.000 crianças, sugerindo entre sono irregular e problemas de comportamento. Nem precisaria desse estudo né? Nós adultos sabemos bem na pele as consequências de poucas horas de sono ou de sono em pedaços. Com as crianças não é diferente. Vale o esforço para fazê-los dormir bem.
Se quiser saber como fiz a rotina do sono aqui em casa, acesse este link.

Assim como o sono deixa qualquer pessoa irritada, dores também. Já teve dias que achei que Clara estava tendo ataques de birra, e em seguida veio a febre (era dor de ouvido e ela não falava muito bem ainda). Atenção aos sinais que nossos pequenos nos passam, principalmente quando ainda não se expressam através da fala.

 

2. O incentivo é mais eficaz do que a punição

Parece difícil, mas a questão aqui é muito simples. O que está sendo frisado ou está em foco? Você gasta maior energia punindo o mau comportamento ou elogiando e ressaltando o bom comportamento?

 

LEMBRE-SE: Suas atitudes definem o foco!
A criança quer ser percebida, quer atenção, como ressaltado acima, isso é um fato. Que tal usá-lo ao seu favor?

 

Comece reparando em tudo o que ela faz espontaneamente de correto e não deixe passar. Elogie a atitude. Claro que não é de uma hora para a outra que essa mudança de foco começa a fazer efeito nas crianças, mas acontecerá assim que elas perceberem que não precisarão fazer birra para obter atenção ?.

3. Para reforçar o bom comportamento, você deve explicar para a criança o motivo da atitude ser valorizada.

 

Por exemplo, a Clara quando arruma espontaneamente os brinquedos dela, eu digo: “você ajuda muito a Mamãe quando coloca seus brinquedos de volta no lugar, mantendo sua brinquedoteca organizada. Parabéns e obrigada!

Leia também: Relato de resolução de uma birra.

 

4. Você será sempre o exemplo

Não adianta ensinar a criança a arrumar a bagunça no quarto de brinquedos se ela vê sua mesa de escritório uma zona todos os dias. Não adianta querer que a criança seja calma se você é uma pilha de nervos, que seja um doce se vive ouvindo gritos.

 

Sei que queremos o melhor sempre para os nossos filhos e não somos perfeitos. Mas precisamos controlar algumas atitudes nossas na frente delas, se não queremos vê-las fazendo igual.
Gritar por exemplo. É a primeira vontade que tenho ao ver minha casa, depois de limpa, completamente zoneada por brinquedos (parece que eles precisam pegar TODOS de uma vez, né?). Gritar vai me deixar mais leve, ok, extravasarei as emoções. Por outro lado, gritar fará a criança que entender que essa é a forma correta de resolver os problemas da vida (além de cada vez te ouvir menos).


5. Recompensar quando “fizeram QUASE direitinho” é encorajador

Temos que entender que o cérebro das crianças estão em formação, além de ninguém ser perfeito. Recompense/ elogie o esforço, não o resultado. Eu incentivo minha pequena Clara a arrumar a cama. É óbvio que fica toda desarrumada, mas eu vejo o esforço que ela tem para esticar os lençóis e elogio isso, para encoraja-la a continuar me ajudando. Depois, sem ela perceber, vou lá e dou aquela ajeitada, rsrsrs…

 

6. Nunca é cedo demais para que aprendam a se comportar bem

Ouço muitas pessoas dizendo: “relaxa, faz tudo por eles, depois cresce e você sentirá falta!”. Realmente eles crescem muito rápido e sentiremos muita falta. Acontece que não os criamos para nós, mas para o mundo.
Quando se trata de estabelecer limites claros, respeitando o tempo deles e incentivando pela calma e paciência, nunca é cedo demais para começar e dar a elas independência.

Hoje muitas crianças não sabem qual comportamento ter, exatamente por não serem encorajadas/motivadas quando fazem algo corretamehte. Elas só percebem que estão se comportando mal quando “quebram as regras”, que nunca tiveram ciência da existência.


7. Nunca entre num conflito criado pela criança

Eles irão te testar, isso é fato e tarefa delas (leia mais)! É assim que descobrem o mundo. Cabe a você, como adulto, a não entrar numa disputa por desejos com a criança. Se você estiver declinado a ceder, faça-o imediatamente, para que a criança não perceba sua ma atitude como solução para conquistar o que quer.

 

8. As crianças desenvolvem em velocidades diferentes – idade nem sempre é um guia confiável para o comportamento.

Muitas pessoas me perguntam: “quando começa o terrible two?”, mas, apesar de ter uma faixa de idade onde é comum acontecer, depende do desenvolvimento de cada criança. Portanto você como mãe/pai, não deve dizer “você é grande para isso” ou “já está na idade de você aprender aquilo”. Incentivar a “adequação à idade” nem sempre funciona e muitas vezes é muito desmotivador. É lógico que temos que estar de olho em alguns marcos de desenvolvimento, como o desenvolvimento da fala, pois há inúmeros quadros que podem resultar deste atraso. Mas não forçar o que não precisa ser forçado, sabe?
Entender as faixas de desenvolvimento por idade é para você monitorar um crescimento saudável de seu filho, nunca para usar como meta ou comparações a ele.
Por aqui estou trabalhando arduamente nisso e está servindo inclusive para eu ir melhorando como pessoa a cada dia, sabe? Quero ser exemplo para minha pequena e uma mãe que ela tenha prazer em recordar, mas educando-a principalmente para as adversidades do mundo.

Um beijo, Marrie

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4 Comments

  1. Viviane Carvalho

    11 de junho de 2016 at 01:18

    Nesse momento estou me sentindo muito, muito perdida sobre como incentivar pedro a desenvolver…Pedro e prematuro, nascido de 31 semanas e ainda não come sozinho( apesar de estar despertando essa vontade nele) ele está muito atrasado no desenvolvimento se comparado a uma criança da idade dele…leio muita coisa e fico perdida!!
    O que vc acha a respeito de desenvolvimento entre meninos e meninas??? Poderia fazer um post sobre isso…

  2. Mel Graciosa

    9 de junho de 2016 at 17:21

    Perfeito Marilia Ometto! Seus textos são muito concisos e claros, e se vê que são resultado de pesquisa e experiência. Por isso recomendo! Pra quem ainda não conhece, fica a dica de um excelente blog materno para seguir.

    Ana Canoas Ana N. Pereira Samantha Nascimento Simplício Simen Simen Paula Fernanda Kelly Figueiredo Soares Fernandes M Fernanda Peñaflor Gabriel D B Souto Vinícios Pereira Lucyana De Sá Bezerra Lulli Fer Lu Luzinha Fernanda King Carla Ferreira Pauleni Gomes Giovana Braccialli Vinci Sa Cla Aline Aline Aline Pytel Glaziela Barreto Nataly Oliveira

    1. Mamãe Plugada

      9 de junho de 2016 at 17:40

      Mel Graciosa sua linda! Muito obrigada!!❤️

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