Sobre o tanto de palestras que estou vendo grávidas de primeiro filho e mães de bebês pequenos – sem nenhuma formação na área de psiqué, saúde ou infância – enchendo auditórios e cobrando para falar sobre maternidade.
Vejo as palestras de especialistas estarem cada vez mais vazias, em detrimento de pessoas que nunca estudaram o assunto – mas repletos de seguidores – encherem auditório.
Pode ser que essa seja a nova onda. Mas não vou surfar nela, não concordo isso. Eu mesma, uma economista formada (pela USP) e pós graduada (FIPE-USP), não abordo a maternidade sem me basear em estudos (vide “especialistas”) que não sejam em meu filosofar (reflexões, que, mesmo assim, estudei filosofia antes para falar). O máximo eram minhas reflexões, mas cunhadas em muito conhecimento de humanas que eu sempre estudei em toda a minha vida. Mas ainda assim, para falar com mães, achei pouco só isso e fui estudar Freud, onde a primeira infância é fundamental, e desde o ano passado faço especialização em Psicanálise.
Mesmo assim, não sou uma especialista em maternidade. Nem quero que me vejam assim. Sou uma estudiosa em humanas, um pouco de exatas e com experiência científica (fiz pesquisas já), mas não me sinto apta a criar manuais para ninguém e confesso que to assustada com mães de bebês muito pequenos e grávidas de primeiro filho dando palestras sobre maternidade.
- Photo Source: The Royal Society of Victoria
Tanta gente que estudou para abordar o assunto e pagamos para ouvir quem expõe “o que acha”.
No meu caso, acredito que sempre serei uma Mamãe Plugada, a maternidade é parte importante de mim e sempre estará presente em minhas escritas. Mas não quero ser especialista nisso e aqui – nesse cantinho plugado – falarei do mundo que me encanta: Decor, escrita, reflexões, DIY,… exatamente por que não quero que me vejam como criadora de manuais.
Algumas dessas “especialistas com base em número de seguidores” nem curso superior tem, mas vendem ingressos para ensinar uma mãe a ser uma boa mãe como ela (oi?), como se isso fosse possível através de um manual de dia a dia. Uma coisa é entender algo cientifico e usar isso de forma que se encaixe em sua rotina, ajudando-na. Outra é pegar a formula da dita cuja e achar que vale pagar para o achismo dela virar sucesso na rotina da sua casa.
Eu já recusei convites para falar em mesas redondas sobre maternidade (no caso eu falaria sobre o dilema que vivi entre mercado de trabalho – era economista – e o quanto me senti obrigada a ter que escolher entre a carreira agressiva que levava e a maternidade), pois ao meu lado, teriam mães de primeira viagem com muitos seguidores, mas com a experiência com bebês pequenos e sem nenhuma historia de superação para contar da maternidade. Neguei, pois achei que aquilo seria uma enganação.
Mas já palestrei sobre meu livro ao lado de especialistas. É bem diferente.
Voltando ao conteúdo do blog: Tentarei, com muito respeito, também expor aquilo que precisamos refletir mais e certamente não agradarei a todos. Sei disso, e não vou me incomodar. Números de seguidores e de likes não foram capacidade e nem caráter de ninguém. Não estamos – ainda – no black mirror (ou estamos?). Nessa onda de minimalismo, menos é mais.
Quero que siga comigo que se identifica em pensar além da manada. Gente que goste de ouvir além do que pensa, que não precisa de influencers para afirmar sua verdade. Gente que pense diferente também, mas que proponha respeitosamente o outro lado. Gente que se identifique. Gente que gosta de crescer junto.
Um beijo, Marrie Ometto, autora de “Desapareci ao Virar Mãe, Mas Reencontrei-me”.
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