Estará o impasse "mãe X profissional" com os dias contados?

Será que haverá um tempo em que o tão sonhado e garimpado equilíbrio entre maternidade e profissional buscado pelas mulheres serão nos dado por políticas econômicas e respaldados pela iniciativa privada?

 

Prever não podemos. Mas uma coisa é nítida: Estamos chegando num impasse social e econômico crítico, que poucos estão percebendo: a questão critica da mulher mãe e da mulher profissional pode vir a se atenuar daqui a alguns anos. Neste post representarei minha visão ousada embasada no que estudei e vivenciei como mãe, mulher e profissional.

Por que as empresas serão cada vez mais solidárias? Por que o governo é responsável e criara licenças e políticas coerentes a mulher profissional?
Infelizmente não acredito nas questões acima HOJE. Aliás, nunca estive tão desacreditada na “boa vontade” na maioria dos agentes mencionados acima.
Outros já devem estar pensando: “de novo esse papo feminista de desigualdade entre sexos?”. Definitivamente esse não será o tema central, apesar de estar estatisticamente comprovado que, ainda hoje, mulheres em mesmo cargo e nível educacional nas empresas, ainda ganham menos que os homens. Mas não tomarei esse rumo neste post não…
Abordarei aqui dois pontos de impactos: crescimento populacional reduzido e consequente diminuição de mão de obra capacitada no futuro.

O que tem a ver isso? TUDO!
Com a consolidação da inserção da mulher no mercado de trabalho, cada maior está sendo sua contribuição financeira na família, chegando ao ponto de muitas optarem por não ter filhos, por não poderem parar de trabalhar ou pagar alguém para ficar com a criança.
Além da maior contribuição financeira na família, a mulher que decide ser mãe ainda arca com a maior responsabilidade sobre a criança dentro da família, parecendo que o pai ajudar é um favor (aspecto cultural). Se a mulher precisa trabalhar como ele, por que a divisão das responsabilidades com a criança não são também milimetricamente as mesmas, excluindo-se apenas a tarefa do gestar e amamentar que são exclusivamente femininos?
Também não abordarei este tema no post, pela enorme pauta que gera. Talvez num próximo. Mesmo parando por aqui nessa pauta, finalizo já me antecipo: Sim, temos muitos papais que cuidam dos filhos enquanto a mãe trabalha fora. Mas, além de homens nesse contexto serem estatisticamente pequenos ainda, sem julgamento algum de valor também, mas muitos o estão pois perderam o emprego (não por escolha).
Voltando ao contexto da mãe profissional que tem dupla jornada ao ser mãe: elas cada vez tem menos filhos, isso é fato. Obviamente pela dificuldade de se administrar essa vida de mãe, mulher, profissional, dona de casa,…
Então chegamos nos seguintes cenários em relação às mulheres profissionais nos dias de hoje:

  • mulheres que decidem não ter filhos por causa do profissional
  • mulheres que adiam a maternidade por causa do profissional
  • mulheres tendo cada vez menos filhos, uma vez que participam também do orçamento familiar e mais filhos impactaria na renda e na capacidade desta mulher administrar isso
  • Mulheres tendo cada vez menos filhos, pois tiveram que largar o profissional para ser mãe, impactando na renda familiar

Diante das situações apresentadas acima, temos nítida percepção da queda da taxa de natalidade, causando consequente redução da expansão demográfica. Abaixo mostrarei estatísticas para o Brasil.
Vocês estão acompanhando que a Europa já vive um problema demográfico que está causando disseminação de sua cultura, né?
Vamos analisar isso de perto: Para que uma cultura seja mantida por mais de 25 anos, é necessária uma taxa de fertilidade de 2,11 filhos por família. Historicamente, nenhuma cultura sobreviveu a uma taxa de 1,9 e uma taxa de 1,3 já é algo impossível de se reverter.
Vamos exemplificar: Imaginem dois casais que decidem ter um filho cada um (a metade de filhos do que há de pais). Se esses filhos se casam e tem apenas 1 filho, seriam 1/4 de jovens em força de trabalho ativa para cada avós.


No caso da Europa, a taxa caiu tanto, que precisaria de 80 a 100 anos para reverter este quadro. Porém não há modelo econômico que sustente a cultura por este tempo, sem contar o caos econômico (exemplo previdenciário).
População encolhe, força de trabalho se reduz, cultura desaparece. Na União Europeia inteira, a taxa de fertilidade já beira 1,38% e sua população só não está declinando por conta de imigração Islâmica. A Alemanha já declarou: “a queda da população alemã não pode mais ser detida. Sua espiral descendente não é mais reversível. Esse será um estado muçulmano em 2050”. Agora imaginem se não houvesse os imigrantes muçulmanos? A Europa estaria diminuindo, diminuindo, até sumir?
Enfim, também não é pauta deste post discutir cultura ou religião. Apenas mostrar o quão significativa é para uma nação e sua força de trabalho a queda na taxa de fertilidade. Tudo isso provocado pelo grande dilema que a mulher contemporânea vive: buscar o equilíbrio entre ser mãe e ser profissional implica em cada vez menos filhos.
Segundo Elisabeth Badinter*, analisando dados de diferentes países referentes aos nascimentos e constituição familiar, podemos apontar que “o modelo da complementaridade dos sexos que comanda a estrita separação dos universos masculino e feminino” e a “ausência de uma política familiar decididamente cooperante para as mulheres” são fatores decisivos para que a maternidade seja cada vez mais posta em xeque e adiada.
Nosso país já nitidamente não investe em cultura e educação como seria preciso (nem preciso destacar aqui a vergonha de sermos um dos países mais corruptos do mundo) e, apesar de dizerem que “o nível educacional aumentou”, nunca houveram tantos analfabetos funcionais. Diplomados que escrevem limpeza com “s”. Em um país com 53 mil notas zero no Enem 2015 versos 104 notas máximas, já podemos imaginar o quanto isso pode impactar. O nível de educação aumentou não pela cultura adquirido, mas pelo tanto de universidades que se abriu em pequenas portinhas, onde deixar o RG é suficiente para o ingresso na mesma.
Também não irei entrar em detalhes em relação ao nível educacional brasileiro. Como ressaltei acima, meu intuito neste post não é esse. Só preciso expor algumas coisas e meu julgamento de valor às vezes me faz falar demais.
Voltando: Nosso país não chegou ainda ao nível crítico europeu de declínio de taxa de fecundidade. Mas está caindo, saindo da média de 2,4 filhos por casal em 2000 para 1,7 filhos por casal em 2015.


Então queridos políticos e profissionais de Recursos Humanos, vale a atenção. Hoje as mulheres estão sendo, em sua maioria, pressionadas em suas posições para não terem mais filhos. Amanhã a realidade será aponta ser bem diferente.
Enquanto hoje são frequentes os assédios morais e o sofrimento de inúmeras ao ter que optar por uma carreira de sucesso e a maternidade (podemos contar nos dedos as empresas no Brasil que deixam a mulher menos preocupada nessa questão profissional X maternidade), num futuro não muito distante, a não ser que a tecnologia substitua quase que totalmente a humanidade, as empresas num futuro próximo terão de implorar por políticas que proporcionem à mulher ser mãe é profissional de forma plena, por um puro desfalque de mão de obra produtiva.
Espero que minha Clarinha possa se realizar como mãe e como profissional da área que escolher, conseguindo dividir igualmente seu tempo entre educar seus filhos e ser produtiva naquilo que ela ama fazer. Hoje com minha nova profissão empreendedora eu consegui isso. Trabalho em casa. Mas tive que me reinventar e abandonar o trabalho CLT convencional numa área extremamente machista a qual eu me inseria. Mas e se eu só soubesse fazer aquilo? E se só fosse feliz profissionalmente daquela forma?
Enfim, hoje nós mulheres precisamos nos reinventar ou achar empresas que respeitem a mulher para podermos ser plenas no profissional e no maternar. Porém, prevejo pelos dados que daqui alguns anos, não sofreremos tanto mais deste problema…
Veremos! Sou esperançosa por uma posição social mais justa pata as mulheres.

 

*Fonte: Badinter, Elisabeth. Um amor conquistado: o mito do amor materno, 1985, citada por Tatagiba, Ana Paula. (2011) em Projetos profissionais e/ou maternidade: críticas a um dilema/sofrimento feminino (ainda) contemporâneo.

 

Um beijo, Marrie
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