Geração Alpha: "Aonde liga?"

“Aonde liga?” foi a frase que minha filha Clara, de 25 meses, repetiu a cada presente de natal não movido a pilha que recebia…
Minha primeira reação foi ficar boquiaberta enquanto a pequena procurava um botão onde pudesse fazer funcionar alguma engenhoca prontamente ali. Em seguida, me lembrei do conceito dos brinquedos não funcionais, que relatei aqui no blog ter preparado uma caixa com potes, tampas, colheres e formas de silicone, para que ela pudesse criar ludicamente a brincadeira (leia aqui). Não que ela não goste de livros ou objetos de encaixe e empilhar (ela ama), mas percebi que mesmo esses brinquedos, vem com alguma “funcionalidade”(livros com sons, lego com carrinho ou que vira algo, …).
Meu irmão respondeu prontamente à pequena Clara: “o botão desse brinquedo está na sua cabeça. É você que terá que criar o que ele vai fazer”. Ela riu e começou a brincar, sem mais procurar o botão, parece que entendendo o recado, Rsrs.
Nesse momento percebi duas coisas:
1. que Clara estava achando que os brinquedos ganhados em caixas eram todos tecnológicos em detrimento dos brinquedos não funcionais, que geralmente coloco na caixa de brinquedos dela sem ter tido uma prévia caixinha ou embrulho bonito.
2. Que é fruto dessa geração alpha, aquela nascida após 2010, onde a tecnologia é um fato na vida delas, muito diferente das gerações anteriores (X e Y).
Assim como no advento dos televisores não se sabiam ao certo se a pessoa que assistia TV muito próximo a ela ficava com a visão prejudicada, não sabemos também quais as consequências desse bombardeamento de tecnologia, pilhas e de coisas prontas que nossas crianças estão recebendo.
Apesar de tantas incertezas, a única coisa que sei disso tudo é que, para as nossas crianças alphas, tecnologia é uma realidade e não dá para deixá-los simplesmente de fora de tudo (como um dia já defendi).
Nosso papel é fomentar algum tipo de equilíbrio: precisamos mostrar também o charme que o mundo não virtual, aquele que já vivemos muito (porém quase não lembramos, ou seja, precisamos resgatar em nós também) e dar a tecnologia aos pequenos em doses homeopáticas.
É preciso mostrar que nem tudo já vem pronto/ com um botão é muito importante. E que se quiser fazer do simples algo complexo, é preciso criatividade.

Afinal, alguém tem que criar esse botão, né?

 

Um beijo, Marrie

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