Leitura infantil ativa: Livros não são soníferos, mas poderosas ferramentas de empatia

Livros, mesmo fechados, fazem nossas crianças pensarem e resolverem problemas, após uma historia bem contada. Livros não são soníferos. São poderosas ferramentas de empatia quando lidos com empolgação às crianças. Se a gente conta uma história com emoção, dá a criança a sensação do “estar na pele do outro”, podendo qualquer livro ser usado para promover a empatia e capacidade de decisão dos pequenos. Como? Estudos educacionais têm mostrado repetidamente que é durante o processo de reflexão que o aprendizado profundo acontece. 

Todos sabemos da importância da leitura para as crianças, estudos e mais estudos comprovam e a questão do hábito é inquestionável. Mas muitos ainda estamos lendo para as crianças dormirem como objetivo principal, e não para melhorarem suas competências linguisticas. Meio que no automático, pegamos um livro a noite como se fosse um antídoto prescrito por especialistas de educação infantil para que a criança pegue no sono. Nesse meio tempo, com a rotina do dia a dia que não libera nenhum adulto da pressão do dia a dia, das pilha de louças na pia ou das roupas para lavar, algumas noites até conseguimos dramatizar a trama, com as diferentes vozes de personagens, mas não é facil!

como-ler-para-uma-crianca-de-forma-a-fazer-dela-um-ser-humano-melhor-livros-nao-sao-soniferos-mas-poderosas-ferramentas-de-empatiaSim, eu sei. Não é fácil! Mas você sabia que com um pouco mais de ânimo e interação, não só podem fazer a criança dormir, mas promover a empatia de forma inestimável?

Lemos para expor nossos pequenos à diferentes mundos. Usamos histórias, como fábulas, para envolver as crianças enquanto nos deparamos, sem querer, com a simplicidade de conceitos abstratos, sentimentos e relacionamentos, como um “se você não sabe para onde ir, qualquer lugar serve” de Alice no País das Maravilhas ou um “quem aqui é o Selvagem? Eu que vivo com a natureza ou você que só destrói tudo?” de Pocahontas. E nada mais lindo do que envolver, cada vez mais cedo, a criança nesta trama.

Livros são ferramentas muito mais úteis, não apenas soníferos. Por que? Simplesmente por que a maior riqueza do ler para o desenvolvimento infantil está no fato de envolvê-los.

Pesquisadores americanos (link estudo de 2013, em inglês, aqui) provaram que adultos que lêem mais podem compreender melhor os estados mentais dos outros, pois na ficção literária, há uma profundidade de pensamentos e sentimentos de um personagem, permitindo ao leitor sentir aquilo que não viveu, calçar o sapato do outro e sentir seu calo, preenchendo assim as peças que faltam sob a motivação e perspectiva daquele outro ser. E o que é isso? EMPATIA!

Claro que a maioria dos livros infantis não têm um alto descritivo e nuance, são mais simples, mas se a gente conta com emoção, dá a criança a sensação da pele do outro, qualquer livro pode ser usado para promover a empatia e capacidade de decisão.

Então, como vamos usar os livros de maneira diferente? Vamos puxar o conflito. Leia a história de bullying até que as crianças começam a ser mau para o outro. E em vez de interiormente estremecendo e leitura mais rápida, pressione pausa e fechar o livro. Pergunte ao seu filho o que eles fariam se estivessem na posição do personagem. Brainstorm, e em seguida, abra o livro de volta e permitir que o autor para levá-lo até o fim.

Segundo o Psychology Today, de uma perspectiva neurocientífica, a cada noite a maioria dos pais estão perdendo uma incrível  oportunidade para usar o conflito artificial de uma historinha como prática da vida real. Por exemplo: “O pássaro bebê acorda em seu ninho sozinho e sua mãe se foi. O que você faria, pássaro de bebê?”. Deixe seu filho vivenciar aquilo na pele e dar uma sugestão. Mesmo em livros que você já leu 500 mil vezes, o seu filho pode vir até com uma forma diferente do personagem reagir, uma decisão diferente a cada leitura. Uma nova forma de resolver o problema.

Estudos educacionais têm mostrado repetidamente que é durante o processo de reflexão que o aprendizado profundo acontece. A parte mais poderosa da leitura muitas vezes acontece quando você fecha o livro, encerra a história. Aí a gente fica pensando naquilo. Como resolveria? O maior valor da história é seu reflexo nas cabeças dos nossos filhos, depois nos pensamentos, muitas vezes indo contra os seus pressupostos e seus mundos cuidadosamente construídos. Fazem nossas crianças simplesmente imaginar! A PENSAR! (leia mais aqui).

Sim, os livros, depois de uma história bem contada, mesmo depois de fechados, fazem nossas crianças pensarem!

Há ainda outra variedade de estudos que falam que, se você tomar uma decisão sobre algo, você se lembrará muito melhor dela. O cérebro fica muito melhor em tudo o que pratica, e a reflexão permite à criança a pratica ativa de decisões, isso se ela não estiver apenas passivamente ouvindo o livro, mas participando! Neurocientistas ainda afirmam que  os resultados da prática ativa da leitura acarretam em mudanças sinápticas e fortalecimento das vias neuronais da criança.

Como pais, estamos no controle do que seus filhos praticam de uma forma íntima e poderosa. Nós todos queremos que nossos filhos gostem de ler.  Mas, em um nível mais profundo, o que nós realmente queremos? A empatia é ouro para as crianças. Ensina-as a viver de forma mais leve em sociedade: as pessoas empáticas são mais satisfeitas com a vida,   mais felizes, são melhores em relacionamentos, são melhores chefes, colegas de trabalho, negociadores e amigos.

Ler livros para os nossos filhos como obrigação, para dormir apenas, direto, sem pausa ou reflexão, pode ser comparado ao colocá-los diante de uma tela, para assistir a um filme*: serão mero espectadores, talvez sendo até  sugados pela trama, vendo alguém tomar decisões por eles. A verdadeira magia acontece dentro de nossas próprias cabeças quando tentamos ver sobre a ótica da vida de outra pessoa, na história.

Por isso, quando você tiver um tempo, não apenas para leia, mas para reflete e chame a criança para a reflexão. Elas adoram contribuir e você verá como ela se sentirá mais feliz, mais consciente, e gostando cada vez mais de ler!

Leitura não é uma coisa que vem do nada. Não é uma imposição. Tampouco, gosto por leitura é dom. É – simplesmente – hábito e o gosto vem da interação.

https://www.mamaeplugada.com.br/2016/07/como-criar-uma-historia-infantil-passo-a-passo/

Eu gosto de ler, sempre vi minha mãe ler e tive muito acesso fácil a livros, desde muito pequena. Meu tio é professor de literatura e eu via um mundo onde sempre pude interagir e solucionar ao meu modo.

Gosto de proporcionar o mesmo para a Clara e leio para ela desde quando ela parecia nem sequer me entender. Desde quando ela parecia não prestar atenção. Lia mesmo com ela rasgando tudo e enfiando na boca, mas depois com a maior boa vontade remendava o livro todo. Insisti. E melhor: fiz dela parte disso. A envolvi. E agora a maior alegria é vê-la todos os dias escolhendo um livro diferente para levar para a escola e, assim que chega, faz toda e conta para alguns amigos que estejam interessados.

 

Um beijo, Marrie

OBS: veja como ela participa, desenvolve e “resolve problemas” na trama…

Leia também:

 

https://www.mamaeplugada.com.br/2015/06/5-dicas-para-incencentivo-leitura-antes/

https://www.mamaeplugada.com.br/2016/09/roubo-da-infancia-das-criancas-em-nome-da-educacao/

https://www.mamaeplugada.com.br/2015/04/diy-cantinho-da-leitura/

5 Comments

  1. Suzii Azevedoo

    21 de outubro de 2016 at 20:25

    Eu adoro lê pros meus pequenos, nós divertimos horrores, entramos no mundo de imaginações deles é incrível!

  2. Cintia Cassimiro Moresi

    21 de outubro de 2016 at 18:12

    Rafa ama livros desde pequena e sempre me pede para contar histórias. Sempre tentei ler a noite, antes dela dormir, mas ela chorava, se irritava…até que passei a ler pela manhã ou a tardezinha e deu super certo rsrsrsrs. Ela passou a curtir mais e a amar os livros

    1. Mamãe Plugada

      21 de outubro de 2016 at 18:54

      Elas curtem a interação, né? E fiquei muito feliz ao saber que é exatamente isso que as faz pensar e as ensina empatia☺️

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