O que precisamos nos perguntar, como pais, é: “nossos esforços para que os nossos filhos sejam felizes felizes estão mais voltados ao fato de eles irradiarem felicidade ao ganhar o novo Ipad ou porque estão contemplando um momento em família, brincando ao ar livre ou subindo numa arvore, sentindo uma brisa no rosto?
Por que será que ainda há quem confunda o o ter com o ser?
Por que ainda achamos que momentos de prazer são sinônimos de felicidade?
Por que deixamos de aumentar a família para a criança TER tudo o que ela merece?
Por que essa tentativa de fazer com que a criança seja feliz, por esse conceito desviado de felicidade, pode causar exatamente o contrário?
Estamos verdadeiramente ensinando habilidades, para que nossos filhos, por eles próprios possam um dia tomar as rédeas de uma vida feliz? Estamos preparando-os a sairem emocionalmente bem diante de tantas provações que passarão na vida adulta? Ou, estamos dando-lhes simplesmente coisas para que eles achem que felicidade é esse momento de satisfação ao ter algo que desejou ou estamos criando pessoas que precisarão conquistar para ter o que almejam? Para sentirem momentos de felicidade que só eles poderão ser capazes de lhes proporcionar?
Uma das habilidades mais importantes nossos filhos precisam aprender é a capacidade de ser resiliente diante das dificuldades da vida, para que eles possam encontrar uma maneira de “voltar ao seu lugar feliz” quando as coisas inevitavelmente só estão dando errado. Ou seja, criar pessoas forte o suficientes para conseguirem ser feliz em terra onde “se tem que matar um leão por dia”.
Mas, muitas vezes, nós, os pais modernos, queremos fazer tudo o que pudermos para evitar que nossas crianças sintam desconforto e decepção.
Estudos (veja original em inglês aqui) estão começando a afirmar que pais assim podem ser a culpa das crianças estarem sendo tão narcisistas. Sem julgamentos, falando em termos da análise que está sendo debatida, o pai que está focado em ajudar os filhos a ser feliz o tempo todo a todo o custo, na verdade está está protegendo-os de cometer erros e de, provavelmente, vir a sentir algum tipo de decepção, afinal este sentimento parece ser o oposto da felicidade.
Porém, é exatamente aí, nessa tentativa louca de acertar, que se erra. Pais não são eternos e precisam ensinar os filhos a voar pelas próprias asas, e isso inclui cair em um ou outro treino de vôo.
Dizer não é importante prova de amor!
https://www.youtube.com/watch?v=KzMaZveR5XA
Podemos ensinar nossos filhos a voar, ou seja, essas habilidades importantes, quando eles ainda são crianças. Quanto menores, mais fácil será nosso trabalho de condutores nesse processo.
Leia mais em:
https://www.mamaeplugada.com.br/2016/08/como-ensinar-responsabilidades-a-uma-crianca-de-2-anos-educacao-da-vontade/
Pense na seguinte situação: seu filho pequeno quebra um brinquedo. Quantas vezes aconteceu do seu primeiro instinto ser prometer comprar para a criança um novo? Quantas vezes efetivamente você seguiu esse seu instinto natural de proteção?
Quando dizemos à criança “não se preocupe, não chore, Mamãe compra outro amanhã”, a mensagem que passamos a ela é que há algo de errado nos tipos de sentimentos que consideramos ruins: tristeza, decepção, medo. Passamos a mensagem de que ela precisa ser prontamente suprida com coisas, somente para “não sentir”! Aí essa criança cresce e, ao sofrer uma decepção amorosa, precisa urgentemente torrar o cartão de crédito no shopping, beber até cair ou se afogar em caixas e mais caixas de bombons. Não seria melhor para a felicidade dessa pessoa ensiná-la que tristeza e decepção existirão e felicidade está exatamente no fato de saber superá-la sem muletas?

Impedir que nossas crianças vivam a tristeza e a decepção é impedir que elas aprendam o caminho da superação, o que realmente faz alguém feliz.
Então, quando o seu filho não conseguir o papel na peça de teatro da escola que trabalhou tão duro para conseguir, em vez de tentar distraí-los com coisas ou sensações, deixe-os simplesmente sentir e que aprendam a alçar seus primeiros vôos, caindo e SUPERANDO!
Em vez de animar essa criança, apenas confirme: “Você pensou que seria perfeito para o papel, eu sei, querido. Sinto muito. É difícil quando não conseguimos o que queremos, quando nós trabalhamos duro para obtê-lo, mas as vezes acontece e precisamos continuar tentando”.
A criança pode chorar e sentir-se triste por um tempo, mas a na manhã seguinte, eles acordam, o sol está brilhando e a vida ainda vale a pena ser vivida, eles nem sempre conseguem o que querem, mas aprendem que ainda podem obter algo melhor. E tudo isso começa com a mãe e o pai que compreendendo e aceitando que seus filhos vivam seus sentimentos, que não tentem esconder isso para não viver as decepções da vida.
Nesse sentido, pais superprotegeres chamados “pais helicópteros” atrapalham e muito, como afirma uma pesquisa da Universidade do Arizona.
Quando aceitamos os sentimentos e estamos bem conectados aos nossos filhos, eles são mais propensos a compartilhar as coisas com a gente, mais entusiasmados a fazer o que lhes pedirmos para fazer, são muito mais gentis e felizes de estar ao nosso lado, por isso temos não só que buscar o respeito aos sentimentos das nossas crianças, mas através delas criar nossas conexões.
Mais próximos, estaremos dando maior alicerce emocional para que no futuro, saibam lidar com sentimentos corriqueiros da vida e, mesmo assim, saibam reerguer-se de forma positiva em busca do que lhes faz bem.
Um beijo, Marrie
Leia também:
https://www.mamaeplugada.com.br/2016/09/por-que-decepcao-doi-mais-que-a-raiva-mas-nos-faz-seres-humanos-melhores-se-na-hora-certa/
https://www.mamaeplugada.com.br/2016/04/ensinar-as-criancas-a-esperar-e-mais-importante-do-que-imagina/

Thaisy Maggioni
27 de janeiro de 2017 at 19:19Fernando, Maria Elaine, Ana.
Renata Magalhães
27 de janeiro de 2017 at 16:14Excelente
Jacqueline Theinel
9 de outubro de 2016 at 22:32Mauricio Gilbran
Cami Campos Oliveira
9 de outubro de 2016 at 16:21Natália Chiaramonte Alencar aquilo q conversavamos
Aline Milani
21 de setembro de 2016 at 14:28Alandrei Comachio