Uma grande amiga que casou recentemente, chegou até a mim com o seguinte discurso: “Ma, você sabe o quanto eu sempre amei crianças e o quanto desejo ser mãe. Mas não me sinto preparada, mesmo tendo toda uma estrutura familiar e financeira para isso. Você se sentiu preparada para ser mãe quando engravidou?”
Essa pergunta dela me fez entrar em transe e parece que fui jogada num túnel do tempo, com meus vinte e pouquíssimos anos. Lembrei-me da garota esforçado e sonhadora que era. Que estudava muito, trabalhava demais e não tinha tempo para pensar em outra coisa que não fosse carreira. Aos finais de semana eu me dava o privilégio de curtir o namorado (hoje meu marido), os amigos e uma balada. Mas não cabia filhos naquela estrutura. Eu até gostava de crianças, levava para cima e para baixo minha irmãzinha, 17 anos mais nova que eu. Mas, apesar de ter o desejo de um dia ser mãe, ele não era latente. Eu conversava muito com meu pai sobre isso, que dizia que ia despertar aos 30 essa necessidade de ser mãe. E era exatamente essa a minha meta de vida.
Acontece que os 30 chegaram. Eu realmente percebi que faltava alguma coisa. Tinha um casamento, uma estrutura financeira para poder colocar um filho no mundo com segurança de que eu poderia dar um bom futuro para ele. Porém, fui racional. Desejei engravidar pelo timing, não que eu me sentisse preparada. No meu caso, eu nunca me senti.
Eu tentei e engravidei de primeira. Ponho essa culpa na dieta Dukan, rsrsrs. Até fiz um post sobre isso (aqui)
Foram anos namorando a mesma pessoa (Rodrigo foi meu único namorado sério). Como eu disse, estava num estágio legal da minha carreira de economista. Eu e meu marido queríamos muito uma criança. Mas, quando me vi grávida, assustei.
Primeiro por que foi rápido demais. Eu não tive tempo de “ficar tentando”, de ter aquela expectativa “será que esse mês engravidei?”. Segundo por que não me achava competente o suficiente para ser mãe. Tinha medo de não dar conta. Amava tanto aquele pequeno serzinho desde a concepção, mas não me sentia preparada de jeito nenhum.
Atribui isso ao fato de que um bebê é concebido antes de ser concebida toda a fortaleza de uma mãe. Ou melhorando a frase, um embrião está em pleno desenvolvimento até que chega a hora do parto, em que está totalmente formado e fortalecido para viver neste mundo sem um cordão umbilical. A mãe está também em pleno desenvolvimento, desde a concepção, para que, quando essa criança nascer, tenha uma leoa para amá-lo e protegê-lo.
Só me dei conta disso depois que tive a Clara. Por que durante a gestação eu tive sim muito medo de não dar conta, de não estar preparada, de não ser uma boa mãe. Hoje avalio que, essa insegurança era apenas do desconhecido, era de algo que estava para mudar a minha vida e eu jamais conseguiria entender como sem que antes eu vivesse aquela experiência. O ser humano tem receio do desconhecido.
Portanto, eu ouso dizer que muitas vezes o “não se sentir preparada” é na verdade o medo da mudança que acontecerá na vida de cada uma de nós após colocar um serzinho neste mundo.
Só quem passou por isso me entenderá!
por Marrie Ometto #reflexoesplugadas


Thalita Soares
17 de setembro de 2016 at 20:33Monique Lima, lembrei de você!!
Monique Lima
17 de setembro de 2016 at 20:57Lindo Thata! Acho que me vejo assim!
Thalita Soares
17 de setembro de 2016 at 23:37Mesmo que mt planejado nunca estaremos preparadas.
Mas a gente semprr consegue.
A certeza é saber realmente quese quer a maternidade.
Dayane Wacksmann
17 de setembro de 2016 at 16:23Camili X Francis da uma lidaa amiga
Nathalia Guedes
17 de setembro de 2016 at 15:28Nany Lima
Nany Lima
17 de setembro de 2016 at 18:08Muito bom!!!
Carolina Medri
16 de fevereiro de 2016 at 17:01Me sinto tão normal quando leio algo assim…rsrsrsrs…estou na 26ª semana da minha primeira gestação e até hoje tenho um quase pânico quando penso que vou ser mãe daqui a pouco, medos, muitos medos, fazer o que né? O jeito é encará-los de frente…bjos
Marrie Ometto
16 de fevereiro de 2016 at 20:05Isso mesmo!
Desejo “uma boa hora” para vcs! um beijo
Alessandra
6 de dezembro de 2015 at 20:40No meu caso, a Gigi foi fruto de fertilização invitro. Na segunda tentativa ela veio. Eu queria muito ser mãe sempre sonhei com isso…mas quando me vi com a bênção eu fiquei com medo. Medo de não saber cuidar, educar, ser uma boa mãe…do mundo (hoje é só tragédia e maldade) Mas é como diz o ditado: “quando nasce um bebê nasce também uma mãe” E hoje eu só posso agradecer a Deus por me dar sabedoria e capacitação todos os dias. Amo ser mãe!!?
Marrie Ometto
6 de dezembro de 2015 at 21:35Alessandra, amei seu relato. Sempre tive curiosidade de saber se o sentimento de “dúvida se dará conta” também acontece em casos de grande luta para engravidar, como o seu! É a sensação é exatamente a mesma ao estar grávida, vindo de primeira ou após muitas tentativas. Obrigada pela contribuição! Um beijo!