“Sábado de manhã,
Algumas coisas a fazer: pregar quadros, colocar o papo em dia, se deliciar ao preparar o almoço.
Poucos compromissos e nenhum horário a cumprir!
Tentamos deixar de lado o stress da semana.
Lembrei-me que na minha infância o calçado chegava a me irritar,lembro-me da luta que minha mãe travava comigo sempre quando precisava me calçar.
E seguindo essa tendência continuo assim na minha vida adulta, quando posso, fico livre dessa vestimenta dos pés.
Motivo pelo qual acho muito prático calçar uma havaiana quando preciso: Levar o lixo à lixeira, o cachorro passear, ir ao mercado da esquina, praia, piscina e tantos outros lugares.
Tendo essa satisfação ao ficar descalça, ao cumprir qualquer um destes afazeres, me desfaço delas.Confesso que as deixo pelos cantos da casa. Quando preciso calço a que estiver mais próxima e pronto!
São vários modelos espalhados a alegrar a casa. São diferentes cores e flores. Tem uma que combina com a cozinha, outra com a varanda, às vezes duas juntas na sala…
E assim corria a manhã, já com almoço a caminho, sentimos falta das bebidas.
– Quem comprou as bebidas? -Ninguém.
Lá fui eu… Sou bem pratica e gosto de imediatismo nesses casos.
Automaticamente calçei meus chinelos, dei uma olhada nos cabelos, peguei minha bolsa.
Já no elevador…Senti um ar interrogativo nas pessoas que me olhavam.
Quem sabe aquele dia estava mais bonita ou até mais atraente? Sempre bom pensar positivo!
Sem rugas e com olhos brilhantes.
Talvez o cabelo tenha sido preso de uma forma mais charmosa.
Nunca se sabe.
Fui até o mercado de esquina
Quando desço do carro e coloco meus pés no chão, a surpresa!Ahhhh que maravilha!
Um pé de Havaianas brancas, brinde de hotel, e outro pé com tirinhas bem fininhas douradas, fashion, recordação de um casamento.
Realmente estava muito atraente…
Logo entendi os olhares interrogativos, ri alto na rua devido à espontaneidade do acontecido. Como pude não ter notado!
O que fazer a não ser rir…
Uma nova moda… E assim foi… Fingi não ser comigo… Fiz as compras normalmente com cara de paisagem… Nem sequer fiquei acanhada!
Rio de Janeiri tem isso de bom! Cada um na sua! Não gostou. Não olhe!
De volta ao meu prédio, já no estacionamento, meu vizinho estaciona junto comigo.
Foi um pouco embaraçoso, não estava com a mínima vontade de falar sobre o acontecido a ninguém, e não quis estar com os pés descalços…
Disfarço no carro fingindo pegar algo na porta malas, dando tempo para que ele subisse primeiro e em seguida eu fosse sozinha tranquila, despercebida, livre, leve e solta.
Disfarço mais um bom tempo, e nada dele subir e pior ainda o numero de pessoas foi aumentando enquanto eu disfarçava no carro.
Olha só!
Elevador com problemas. Apenas um deles funcionando a custas de gerador…
Esperei enrolei, continuei o disfarce do carro por mais um bom tempo, ri novamente sozinha, e nada dos moradores subirem…
Não teve outro jeito! Resolvi enfrentar: subi o elevador com as havaianas diferentes.
Acabei me explicando… Não havia outro remédio, era tão visível!
Um deles também teve sua historia de imprevistos para contar.
A moda do chinelo diferente agradou, fez sucesso e ainda rendeu boas gargalhadas!
Melhor não ter mais tantas havaianas pela casa, um par delas já será o suficiente.
Assim correu o sábado sem compromissos, horários, stress e muitas risadas”.
Por Anna Ometto para #reflexoesplugadas


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