Passamos do simples ser mãe, do “deixa estar” dos anos 60 e 70 (carpe diem materno?), para o exagero da abordagem super protetora de hoje (pais helicópteros). A questão primordial é: isso é bom ou ruim? O que é diferente hoje é o nível de paranóia! Temos sim mais informação, o que deveria nos dar mais tranquilidade, mas por outro lado, temos maior vigia, o que inclui julgamentos, apontamento de dedos e culpa!
PRESENTE E PASSADO, ENTRE ELES, MÃES.
Uma coisa crucial mudou: a disponibilidade de tempo. Tempo para a família. A taxa de natalidade mundial caiu muito com a introdução da mulher no mercado de trabalho, mas o fato, para as crianças que estão aí é que os pais, sem culpa nenhuma desse fato, estão a cada dia mais sobrecarregados, exaustos e as vezes estressados. O que seria mais fácil fazer ao chegar em casa, após um longo e cansativo dia longe dos filhos, ao vê-los chorar por que perdeu algo?
Opção A: Conversar com a criança sobre a filosofia da vida, explicando-lhe que não é possível ter tudo, que decepções estarão por aí e tudo bem conviver com ela um pouco. No dia seguinte o sol nasce para todos e a vida continua, com uma nova chance para tentarmos novamente, ou
Opção B: Dizer para parar de chorar que agora mesmo está entrando em uma loja online para repor o que foi perdido?
A grande parte da nossa geração de pais, sem querer, opta por B. É como modo de sobrevivência. Pessoas geralmente buscam a solução mais rápida, principalmente no momento em que suas cabeças parecem estar explodindo.
Porém tudo tem seu preço. E qual serás o efeito colateral dessa tendência, que inclui negar experiências e priorizar a compra de coisas materiais?
Não, não achem aqui que estou afirmando que pais cansados e exaustos agem assim por preguiça. Ninguém faz por mal, como disse, é meio que um instintivo o achar que, não apenas podemos resolver as coisas mais rapidamente, como também podemos afogar as frustrações rotineiras de nossos filhos com coisas ou ações que “abafem o caso”.
Assim, quando um brinquedo quebra e a criança começa a chorar, rapidamente a solução mágica parece já prometermos outro. Parece perfeito, né? Eles ficam felizes rapidamente e pais tem mais momentos de paz, tão raros nesse mundo louco que corre contra o relógio. Mas e como fica o desenvolvimento do equilíbrio emocional, base para a felicidade?
Algo que se perdeu, percebe?
Ledo engano achar que educar pode demandar menos tempo, só porque o mundo mudou e nos deixou mais ocupados!
Voltemos ao túnel do tempo.
Pais dos anos 60 e 70 estavam comprometidos com trabalho, em casa ou fora dela, mas suas crianças viviam mais livres, subiam em árvores, não tinha essa de germes e bactérias aos montes, os pequenos se resolviam brincando com os vizinhos da mesma idade. Ora choravam, ora riam, mas aprendiam através da experiência a solucionar problemas criativamente (ou “se virar”), através de reais decepções e alegrias. Ninguém aparecia com um Ipad novo para curar as suas mágoas (até por que ele nem sonhava em existir, as pessoas se viravam aprendendo a superar os sentimentos).
Educar é, sem sombra de dúvidas, um dos trabalhos mais difíceis do planeta, mas acredito que todos concordamos que um dos papéis mais importantes como pais e educadores é ensinar nossos filhos a viver. Tão simples quanto uma leoa ensina seu filhote a caçar e um pássaro seu bebê a voar. Eles irão se machucar? Irão cair? Sim! Mas isso não impede o instinto dos leões e pássaros a guiar seus filhos pela sobrevivência.
O passar dos anos fez-nos correr para o contrário da sobrevivência, né? Poupamos nossos filhotes de aprender a voar, dando-lhes asas prontas e altamente tecnológicas!
Sem querer, estamos ensinando as crianças a burlar o sistema, distraindo-os com smartphones e dando-lhes a impressão de felicidade vem da obtenção do prazer imediato, onde, na verdade, a verdadeira felicidade é algo muito mais profundo. Como diziam sabiamente nossas avós, precisamos ser pessoas de bem e assim podermos deitar a noite a cabeça em paz nos nossos travesseiros.
Como era a maternagem nos anos 60?
Naquela época, não rolava tanta informação, pois a internet não tinha dado o ar da graça. Sem internet, sem mídias sociais, sem a polícia virtual dizendo o que a mãe deve ou não fazer ou ainda, colocando algumas a “juri popular” ao compartilhar no Facebook um ou outro comportamento não na moda vigente no mundo materno da temporada.
SEM JULGAMENTO DE VALORES, TÁ? Vamos aos fatos apenas.
Naquela época, as mulheres fumaram e beberam durante a gravidez. Hoje, as mulheres cortam não só álcool e cigarro, como também sushis, sashimis e tudo quanto é alimento que pode a não ser bom para a criança, afinal a gestação faz parte dos importantíssimos e inquestionáveis primeiros 1000 dias do bebê. Como disse, não estou dizendo que esta certo ou errado, são fatos.
Naquela época, o Dr. Spock era o único guia para a criação dos filhos. Não tinham muitos. Hoje, basta um clique no Google e milhares de manuais de como criar seu filho irão aparecer. A gente até se perde diante de tantas opções e boas maneiras maternas.
As crianças de antigamente brincavam no quintal ou na rua. Nada de ficar o dia todo em telas, grande parte delas até inexistentes. Hoje, as crianças quando vêem-se sem telas, mesmo rodeada de brinquedos (muitas das casas de hoje em dia tem brinquedotecas), sentem-se entediadas e sem saber com o que brincar. Não havia compromissos. Era acordar, tomar café da manhã, ajudar com alguma coisa, brincar e depois ir para a escola.
As crianças de hoje em dia estão com a agenda lotada: piano, futebol, basquetebol, ginástica e dança artística.
As crianças da era pré-Internet não estavam tão expostas. Não havia tanta competição estilo “guerra fria” entre mães para provar qual filho é mais gênio.
As crianças de hoje em dia são tão pressionadas que tem parte de suas infância comprometidas pela alfabetização precoce, pelas agendas de executivo, e pela falta de tempo para simplesmente brincar.
https://www.mamaeplugada.com.br/2016/09/roubo-da-infancia-das-criancas-em-nome-da-educacao/
Nada contra a informação, as pesquisas. Elas são vitais para que possamos a cada dia melhorarmos como pessoas. Mas o mal vem da paranóia. Do desespero pela perfeição. O que muda as mães de ontem para as de hoje, o que deixa as crianças de antigamente em comparação com as de hoje é o nível de paranóia, apoiado pela “polícia virtual”.
Mães sentem-se culpadas por não estarem sendo “boas mães”, afinal não seguiram as regras das últimas pesquisas de criação de filhos e sentem-se pressionadas por isso, por mais que tentem admitir que não, a culpa chega no final do dia para cobrar a conta.
Não deveria ser assim. NÃO EXISTE MOLDE IDEAL.
Ciência só pode nos dar paz se, de uma vez por todas, a gente entenda que NINGUÉM é uma ciência exata, NEM TUDO É APLICÁVEL A ROTINA E CULTURA DE TODO O MUNDO. Só quem calça o mesmo sapato tem o direito de vir dizer.
A culpa não é da informação, mas da intromissão.
A culpa não são das pesquisas, mas dos pitacos.
A culpa não é do Google, mas da polícia virtual.
Mas a culpa é nossa em proteger nossos filhos de tudo, por que a informação tá aí.
A culpa será nossa se eles não aprenderem a desenvolverem-se das situações cotidianas, por os poupamos das frustrações.
A escolha entre a pequena decepção de hoje e a possível depressão de amanhã, é algo que está parcialmente em nossas mãos.
E isso implica em outra grande diferença entre o maternar de hoje e o dos anos 60/70: a perda de liberdade e independência durante a infância. Pais não deixam seus filhos fazerem aquilo que já estão totalmente aptos para executar.
Sim, as notícias por aí nos faz querer proteger mais. A informação desse mundo, que parece a cada dia menos seguro, nos apavora e faz a mãe tigre sair de dentro de nós. Mas o fato é que querer poupe-los de tudo, protegendo-os de tudo o que pudermos não é sustentável. Um dia, não poderemos dar conta de algo. E aí, uma situação comum, que esperariam que essa pessoa já tivesse inteligência emocional para resolver, será como se o mundo tivesse caído em suas costas!
“Ah, mas hoje ele é pequeno e dou conta”. A menos que vivamos numa cápsula, numa redoma de vidro, algo um dia irá sair dos conformes. E aí? Quem estará lá, não terá o intuito de por panos quentes.
Nada como os pais como condutores na educação dos filhos, deixando-os traçar seu próprio curso e cometer seus próprios erros. Não sei se acompanharam, mas este ano um bebê morreu pois seus pais lhe impuseram dietas veganas. Nada contra o conceito, muito pelo contrário. Mas existe um momento em que escolhas podem ser feitas. É como, tratar esses seres como mini adultos, como se eles já pudessem saber o que é melhor para eles e decidir qual conceito de vida seguir.
As crianças têm de aprender, cair e levantar. Não se pode ter tudo, eles não podem fazer tudo, tampouco não podem ser bons em absolutamente tudo.
Um beijo, Marrie
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https://www.mamaeplugada.com.br/2014/05/fim-licenca-maternidade-e-adaptacao/
https://www.mamaeplugada.com.br/2016/01/harvard-fala-sobre-o-preconceito-as-maes-no-trabalho/

Cintia Penha
27 de setembro de 2016 at 15:09Tenho 1 filho de 11 anos e Fiz uma experiência esse bimestre, eu e meu esposo achamos que ele está muito dependente, espera que eu o lembre de tarefas, de datas de provas, de comer, de tomar banho, enfim, como estou disponível o tempo todo quase que só pra ele, faço tudo. Deixamos as rédeas soltas, não cobrei estudos, não lembrei de tarefas e fomos surpreendidos! Já tivemos 2 notas 10! Por isso também não devemos subestimar a capacidade de organização e de comprometimento deles, do jeitinho deles e não nosso eles sabem o que estão fazendo! Estou disponível para ele, mais não faço nada por ele. Como disse o texto, talvez ele se decepcione, talvez ele caia, mais isso é importante para o desenvolvimento dele.
Mamãe Plugada
27 de setembro de 2016 at 15:44Perfeita sua colocação! Não é fácil! Parabéns pela determinação!
Jana Padilha
27 de setembro de 2016 at 14:43Excelente texto,sempre a opção A, por favor…Eu adorei seu texto,sou mãe de uma menina de 6 anos,ele se chama Mahaila, ganhei ela com 18 anos,ela nasceu com problemas hormonais raríssimos, mas fizemos tratamento e acompanhamento com ela para o resto de nossas vidas. Ela veio para me ensinar, e muito. Aprendi a ter o que nunca tinha tido antes: Paciência,compreensão,dar valor a pequenas coisas. Minha pequena Mahaila é encantadora, doce,amorosa,muito obediente. Assiste TV,filmes,mas não tem tablet ou coisa do tipo, tem revistas de colorir,jogos de memória,caça-palavras. é muito esperta e comunicativa. Uma dica para as mamães: Menos aparelhos eletrônicos, optem por brincadeiras onde vcs possam ter mais contato com seus filhos, eles vão crescer e vc se arrependerá do carinho e afeto que deixou de dar.
Mamãe Plugada
27 de setembro de 2016 at 14:51Me arrepiei com seu relato, Jana Padilha! Quanta sensibilidade! Parabéns pelo anjo Mahaila que te ensinou tantas coisas lindas! A maternidade nos ensina muito, se dermos a ela a chance e a humildade de nos ensinar!???
LeleJuninho Santos
27 de setembro de 2016 at 14:30Ótimo texto! Amei
Mamãe Plugada
27 de setembro de 2016 at 14:32Obrigada LeleJuninho Santos❤️