Oi Mamães!
Como é difícil a gente abordar uma coisa que não é aquela pintada à tinta à óleo pelos padrões sociais, né?
Quando a sociedade vê uma mãe, logo pensa naquela mulher levitando na gravidade da paciência, jorrando amor em seu olhar, acalento em seus braços, leve como uma pluma, sábia e protetora.
Somos sim tudo isso. Mas não apenas. Somos seres de amor, buscamos placidez, paciência 24h por dia, mas por mais que amemos acima de nós mesmas. Por que? Simplesmente pelo fato de sermos humanas e imperfeitas. Pagamos muito caro por não ser SÓ essa fada plácida que a sociedade impõe que sejamos. Pagamos com culpa. Muita culpa. Algumas boas (que nos faz crescer e melhorar), outras totalmente desnecessárias.
Quando eu escrevo sobre meus relatos reais, os quais não foram nada áceis de expor, afinal na maioria tratam-se de temas profundos e pessoais, pensei em poder dar um abraço naquelas pessoas que viviam se culpando também por não ser aquela mãe que a propaganda de margarina apresenta. Não por não amar. Mas por não serem perfeitas.
Amor é o mais importante. O resto, trabalhamos, corremos atrás, mas sem auto-mutilações.
Por que estou falando isso?
Por que amor doação, amor incondicional, responsabilidade e auto transformação é o que a maioria esmagadora de nós mulheres vivenciamos na nossa jornada de metamorfose após a maternidade.
Mas viver toda essa experiência linda isso não anula o outro lado do “ser mãe”, que está lá sim, podem umas e outras não assumir, mas a partir do momento que a vida não é apenas um mar de rosas, nada que está nela é também.
O amor incondicional é tão grande, que nos transforma. “A mulher metamorfoseou“, como afirmo em um de meus textos. E admitir isso, reconhecendo seus altos e baixos é saudável. Tabu que não é saudável.
- “Nossa, quem pensa assim não deveria ser mãe” – tive que ler de uma outra mãe, confesso que arrepiei.
Dizer a uma pessoa que não vê só o lado romântico da maternidade para não ter filhos, é no mínimo assustador. E é base para tabu materno.
Outra:
- “Tem coragem de reclamar e tem só 1 filho, e minha avó que teve dezenas de filhos” – Gente!!! Vamos por a mão em nossas cabeças!
Primeiro que falar abertamente de sentimentos não é reclamar.
Segundo, que vivemos em gerações completamente diferente da de nossas avós. Hoje a carga social feminina é muito maior, sem que tivéssemos direitos semelhantes. Uma luta que ainda se estende…
Terceiro: Quem disse que a avó com uma dezena de filhos não viveu conflitos internos ao maternar?
Quarto: A mulher que se admite como é, não é um mostro em capa materna não, é uma pessoa que busca sempre se conhecer melhor, para melhorar como pessoa e como mãe. Segundo Augusto Cury, sábio é aquele que tem coragem de identificar as suas loucuras, procurando superá-las. Quer loucura maior do que viver uma metamorfose de vida, de pessoa, de família, de rotina, do que a que passamos ao obtermos o status de mãe? SIM, o amor incondicional sustenta tudo e faz valer a pena. Mas ele não apaga, de forma alguma, a metamorfose que vivemos.
Admitir, reconhecer e entender o lado claro e obscuro do ser é libertador. Não criemos as algemas do tabu onde elas não devem existir.
Em momento algum a mulher se conhecer, se buscar, representa egoísmo. É preciso se amar para poder amar.

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