Vou introduzir este Post com uma pequena história: Assim que chegamos no interior, nesta quarta, passamos na casa da minha sogra, onde tem um cachorrinho novinho, ainda filhote porém de porte grande, ou seja, estabanado e muito brincalhão.
A pequena Clara, de 2 anos e 5 meses, ama qualquer tipo de animalzinho. Ela foi fazer festa para ele (chama-se Palito) e, entre gritos de alegria, pulos, lambidas e latidos, num acesso de êxtase de ambas as partes, Palito pulou na Clara.
Levando em consideração que ele, de pé, tem o dobro do tamanho da Clara e eles encontravam-se numa área externa cheio de pedras rústicas (e pontudas), conseguem imaginar o estrago, né?
Enxerguei o pulo do cachorro em câmera lenta: Clara alegre, patinha do Palito cheia de barro encostando no ombrinhos da Clara e ela caindo no chão de pedras pontudas, feito uma árvore enorme cortada por um lenhador. Eu enxerguei a pedra pontuda que iria tocar a cabeça dela. E tocou. Pois eu vi detalhadamente tudo, em câmera lenta, mas eu estava estática, como num pesadelo.
Graças a Deus não foi nada. Só alguns arranhões nas costas, na cabeça e um “galinho”. Mesmo assim chorei. E muito.
Como pude ter visto tudo isso, em tantos detalhes, e não conseguido fazer absolutamente nada?
Bom, passado o episódio, outra coisa me marcou.
Clara passou o dia seguinte todinho falando flashes deste momento. Para vocês terem uma ideia, ela dizia: “Palito pulou”, “dodói cabeça Clara”, “passou remedinho”, “ele tava brincando”.
Apesar de Clara já falar muitas palavras e até formar frases relativamente bem, a história era grande demais para ela conseguir encaixar num enredo. Achei muito interessante, pois eram flashes de uma cena marcante real, reparados com veracidade e até ordem cronológica, mas que não se conectavam. Se eu não tivesse presenciado a cena, talvez não daria atenção a essas palavras isoladas e esse diálogo seria certamente perdido.
Eu percebi a angústia dela tentando contar para minha mãe. E esta, que até então não sabia de absolutamente nada do ocorrido, não entendeu patavinas. Achou que Clara estava usando seu vocabulário de forma aleatória, sei lá. Mas quando depois contei a minha mãe o ocorrido, em outra ocasião, ao ela me disse: “Nossa, Clara me falou tudo isso, eu que não entendi”.
Só uma coisa martela em minha mente agora: Gente, imagina quanta coisa não deixo passar por não dar bola “às palavras soltas de uma história grande e complexa” que ela tem para me contar?
Coração apertou. Juro que a partir de hoje, investigarei mais o que ela tem a me dizer. Aprendi que nada vem solto, à toa! Nada!


Priscila Ponte
9 de maio de 2016 at 11:56Nossa, que aprendizado! Adorei!
Lilian
6 de maio de 2016 at 11:27Muito bom, adorei! Bom pra aprender sempre!