Não quebre a imaginação do seu filho. Não vamos criar barreiras ao pensar fora da caixa intrínseco a uma criança.
Em uma das grandes empresas que passei, tínhamos uma área corporativa que era dedicada exclusivamente a incentivar a inovação dos funcionários da Companhia.
Como assim? Explico.
Eu tive a honra de ir a um desses encontros promovidos pela área de Inovação. Uma das atividades foi desenhar uma casa. Um não poderia ver o desenho do outro. Adivinhem?
Todas as casas iguais. Padronizadas. Pensamento em massa. Aquela casinha quadrada, com telhadinho que nos foi imposta na infância (“isso é casa! Não esse rabisco”), produzidos de forma massificada por todos os executivos, que estudaram nas melhores universidades do país e atualmente profissionais também de uma das melhores empresas para se trabalhar.
Por que ninguém desenhou um apartamento? Uma Oca? Um castelo? Um ninho? Foi chocante perceber como os cortes abruptos que tivemos na infância nos deixam absolutamente comuns e com baixíssimo nível criativo.
Não quer dizer que aquelas pessoas não sejam inteligentes, pois o são e muito. Mas perderam praticamente 90% da habilidade de pensar fora da caixa, de sair do senso comum e de resolver de forma criativa e inovadora algum problema.
Este foi um dos motivos que me fez refletir -e muito – do porque colocar tão cedo minha filha num padrão de ensino tradicional. Não que eu não a coloque depois. Mas preferi preservar durante a primeira infância dela seu livre pensar, livre brincar, livre existir.
Claro que isso não vem só da escola. Vem muito mais de onde e com quem a criança passa mais tempo e possui maior vínculo. Abaixo vou deixar um trecho do livro “O Pequeno Príncipe”, de Antoine de Saint-Exupery, onde o menino de 6 anos tem seu desenho não compreendido, para que possam refletir comigo em relação ao que expus acima:
“As pessoas grandes (…) tem necessidades de explicações detalhadas. Aconselharam-me a deixar de lado desenhos (…) e dedicar-me de preferência à geografia, a história, a matemática, a gramática. Fora desencorajado pelo insucesso do meu desenho número 1 e desenho número 2. As pessoas grandes não compreendem nada sozinhas, e é cansativo para as crianças ficar toda a hora explicando.
Tive então que escolher outra profissão (…). Convivi com as pessoas grandes. Vi-as bem de perto. Isso não mudou muito minha antiga opinião.
Quando encontrava uma que me parecia um pouco esclarecida, fazia a experiência do meu desenho número 1, que sempre conservei comigo. Eu queria saber se ela era na verdade uma pessoa inteligente. Mas a resposta sempre foi a mesma(…). Então colocava-me em seu nível. Falava de bridge, de golfe, de política, de gravatas. E a pessoa ficava encantada de conhecer um homem tão razoável”.
Esse texto é um tapa com luvas de pelica né?
Será que por que você não viu uma estrela num desenho ela não é mesmo uma estrela? Por que sua visão de mundo não é igual a do outro não quer dizer que alguma seja certa e a outra errada. Cuidado com imposições irreversíveis. O pequeno príncipe sempre me ensina muito!
Por Marrie Ometto
Leia também:
https://www.mamaeplugada.com.br/2015/07/incentive-seu-filho-imaginar/
https://www.mamaeplugada.com.br/2016/06/ja-que-e-pra-sonhar-nao-economize-em-sonhos/


Comente! Sua opinião é importante!