Infelizmente são poucos ainda os homens que precisam fazer enormes rearranjos em suas vidas após o nascimento de seus filhos. Em relação as mulheres, a maioria precisa de milhares de novas rotinas e adaptações. Texto de hoje sobre as cargas desiguais que uma mulher tem ao decidir ser mãe e continuar com sua carreira.
Somos iguais? Ah tá bom…
Olha só o que eu ouvi com meus próprios ouvidos, em 10 anos no mundo corporativo:
“Vou contratar um homem, pois não engravida e não sai de licença eterna”.
“Vamos contratar um temporário para seu período de licença maternidade, mas veja bem, a área só precisa de uma pessoa: fica quem se destacar”.
“Seja sincera, pensa num outro filho? A área não pode arcar com um rombo de staff que uma licença maternidade poderá causar [em entrevista de emprego, numa grande empresa de Headhunter multinacional, tentando realocar-se após o nascimento do bebê]”.
Tenho certeza que vocês também ouviram coisas parecidas, seja com vocês ou com colegas.
Se eu parei de trabalhar fora por que não amo minha profissão? De jeito nenhum. Sempre amei com o que trabalhei. Porém, chegou um momento em que não quis mais ter que escolher entre minha filha e uma fonte de renda. Infelizmente, no meu caso, não houve como ponderar. Isso num mundo onde cada vez é mais difícil viver com o salário de apenas uma pessoa num lar.
Poderia encontrar uma empresa que fosse mais humana? Sim, se tivesse sorte. Até tentei. Porém, quem contrata uma recém mãe? Todo mundo sabe que bebê na escolinha fica doente… Eu, mesmo com um excelente currículo, falando 3 línguas, não encontrei. Por mais adepta a causa feminista, as empresas são racionais e não querem arcar com esse prejuízo.
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Estaria a mão invisível do homem determinando a continuidade da espécie? Ou colocando um dedinho para que a desigualdade de gêneros nunca se desfaça?
Mesmo Adam Smith dizia que, em mercados em que a mão invisível não promove o equilíbrio, o Estado deveria intervir. Então, cadê?
Quantas mudanças nós mulheres temos que fazer em nossas vidas após os filhos. Quantas os homens precisam fazer? Ainda são mínimos os homens que tem suas vidas reajustadas por conta dos filhos. Motivo número 1 é a cultura, que naturalmente coloca filhos como responsabilidade das mulheres, basta observar o número de homens que pagam pensões para os filhos que equivalem a uma noitada deles com a mulherada e ainda acham muito.
E ainda há quem diga que o feminismo é balela! Fazendo textão no dia da mulher pedindo “cadê o dia do homem”…. Fácil dizer que temos direitos iguais, mas deixar as cargas desiguais, né?
Por Marrie Ometto, autora de “Desapareci ao Virar Mãe, Mas Reencontrei-me” que aborda muito essas questões.
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