A ciência já comprovou a influência direta da alimentação no desenvolvimento infantil. Cada estrutura corporal depende de vitaminas e minerais específicos para sua formação. A ingestão de alimentos adequados e o cuidado em suas apresentações desde a introdução alimentar são fundamentais para um pleno desenvolvimento cognitivo.
Thalita Monzani, nutricionista responsável pelo cardápio e acompanhamento dos alunos da Senses Montessori School, indica como selecionar as melhores opções e quais os cuidados necessários para que as crianças tenham hábitos de alimentação saudáveis.
Cuidado desde a barriga
As crianças têm tendência a aceitar melhor os alimentos consumidos com maior frequência pela mãe, ao longo da gravidez. Isso porque o desenvolvimento do paladar inicia-se no feto, possibilitando a ele uma memória alimentar.
Introdução alimentar participativa
Durante os dois primeiros anos, fase em que está em processo de formação do paladar, é importante que a criança tenha acesso à maior gama de alimentos possíveis, nas mais variadas apresentações e texturas.
Aos seis meses, idade média da introdução alimentar, o sentido mais aguçado na criança é o tato. Permitir que o bebê conheça o alimento por meio do toque gera nele uma atenção plena ao alimento à medida que ele tem acesso ao odor, textura e sabor.
Deve-se respeitar os sinais de satisfação da criança. Deve-se respeitar os sinais de satisfação da criança. Durante a infância, ela tem fisiologicamente condições de indicar sua saciedade, comendo apenas o necessário.
O cuidado com a consistência também é importante. Os alimentos devem estar bem macios, mas não líquidos, permitindo a oportunidade de mastigar – exercício crucial para desenvolvimento do maxilar e, posteriormente, da fala.
Persistência e criatividade nas apresentações
É natural que, no primeiro contato com um novo sabor, a criança o recuse. Apresentá-lo de outra forma é importante para que ela acostume com o alimento.
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Comida de verdade
O Guia Alimentar Brasileiro, considerado um dos melhores do mundo, divide os itens em três grupos: in natura, processados e ultra-processados. Quanto mais industrializado, mais o alimento perde seus benefícios nutricionais. Portanto, os itens in natura e os preparados com esses ingredientes, como bolos, biscoitos e pães artesanais, devem ser priorizados.
Melhores escolhas
Para que o cérebro da criança se desenvolva adequadamente e produza as sinapses que permitem a fixação do aprendizado, ela precisa de uma ingestão adequada de carboidratos. Ele está presente, por exemplo, em grãos, farinhas, frutas, raízes e legumes.
Outro nutriente importante para aumentar a concentração e a memória é o selênio, presente em peixes e castanhas (estas, por terem maior possibilidade de desencadear alergias, devem ser ofertadas após os dois anos de idade).
Já o cálcio, encontrado em verduras verde-escuras, gergelim e no leite e derivados; têm interferência direta no desenvolvimento motor, ósseo, dentário e muscular, assim como a Vitamina A está relacionada ao desenvolvimento da visão.
Em contrapartida, estudos já associaram uma maior incidência de casos de déficit de atenção e hiperatividade em crianças que consomem mais corantes amarelos e vermelhos – presentes em alimentos processados como sucos de caixinha, gelatina, bolos e doces industrializados, portanto, deve-se evitar que esses alimentos na rotina alimentar da criança.
Olho no rótulo
Nem tudo que têm embalagem é vilão e muitas vezes esses itens trazem praticidade ao dia-a-dia.
Para os alimentos processados, o Guia Alimentar Brasileiro recomenda priorizar os que têm até cinco ingredientes em sua composição. Esta lista é obrigatória nos rótulos e apresenta os compostos em ordem decrescente de quantidade. Se o primeiro deles for açúcar, por exemplo, é um indicativo de que o alimento pode oferecer poucos benefícios nutricionais.
Seja o exemplo
Assim como em qualquer situação de educação, o desenvolvimento de hábitos saudáveis de alimentação na criança depende do comportamento alimentar da família.
Apresentar a alimentação em um momento agradável e tranquilo, que permita a mastigação lenta, permitirá à criança absorver mais nutrientes e ter uma relação saudável com a comida.
As distrações são os principais fatores que induzem ao sobrepeso na infância e adolescência, porque não permitem a liberação hormonal que gera a saciedade. Portanto, recomenda-se evitar o uso de tablets, TV ou brinquedos que dispersem as crianças neste momento.
O reflexo da criança pequena é muito mais seus atos que suas palavras.
Um beijo, Marrie
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