Voltar ou não a trabalhar após ter um bebê nunca é uma decisão fácil…

Trabalhar fora, trabalhar em casa, fazer os dois…CADA UM COM SUA DECISÃO! Por que enaltecer sua decisão às custas de diminuir os demais?

Hoje, depois de vários momentos em que nas entrelinhas de uma conversa foi destilado que “estando em casa, não faço nada”, abro a rede social e ouço um “mãe TEM-QUE-TER grandes aspirações e sonhos fora e que não tem sentido a preocupação em voltar a trabalhar fora tendo um bebê, pois é um orgulho para um filho uma mãe que trabalha fora.

Parei. Respirei. Ela tem razão sim em partes, mas perdeu a razão o TEM-QUE e nas entrelinhas que “faz menos” das demais.

É, e sempre será, orgulho para o filho um mãe que lhe dê atenção, tempo, carinho e amor – seja ela rica ou pobre, casada ou solteira, alta ou baixa, magra ou gorda, independente de cor, de religião, que trabalha fora ou não. Como cansa esses TEM QUE e esses influencers* que jogam regras no ar, das janelas de suas redes sociais.

Michelet, um historiador francês, uma vez explanou que foi dada às mulheres na era do pós revolução industrial a função de guardiãs dos bons costumes da aldeia – sendo valorizadas aquelas que ficavam às janelas fiscalizando tudo – fiscalizando (leia-se julgando) outras mulheres. A sociedade fez isso, aliado à teorias deterministas de homem cérebro/mulher coração, para tirar as mulheres das lutas por ideais de igualdade em plena revolução das luzes (leia mais aqui)! Parece que nada mudou, né?

As janelas das vilas, foram trocadas pelos feeds das mídias, e as mulheres continuam a se valorizar às custas da desvalorização da outra.

É um orgulho a mãe ter sonhos grandes fora de casa. É louvável uma mãe ter sonhos gigas em casa também. É de se admirar uma jornada longe do filho, que saudade que dá. É de se aplaudir também quem ama a ponto de pausar as coisas para continuar depois. Se der. Um dia.

As coisas já são tão difíceis para as mulheres. São tantas as diferenças, tantos os pesos adicionais… meu marido, por exemplo – um super paizão – mas não sente culpa por não voltar para casa todos os dias ver a filha, pois trabalha em esquema de escala. Sente saudades, culpa não. Eu, sempre sonhando grande e tendo conquistado muito cedo muitas delas (antes de ter minha bebê eu já tinha meu apartamento próprio), um dia vi que precisava parar. Não dava para os dois trabalharem em ritmos loucos como trabalhávamos, fingindo que o bebê não mudaria nada em nossas rotinas.

Sinto saudades sim. O caminho de volta não é tão simples. Eu admiro quem continua. Mas admiro também quem fica em casa.

Estar em casa cuidando de um filho não significa não ter grandes sonhos… Significa com muito trabalho e proximidade  ter o imenso sonho de criar uma pessoa de bem.

Trabalhar fora para dar condições do filho ter um futuro financeiro melhor é também louvável.

Seu filho, se crescer uma pessoa de bem, terá orgulho do que quer que tenha feito, pois você o criou!

Sei que qualquer que seja a luta da mulher, ela teve que fazer escolhas difíceis. Não se culpe, você faz o melhor diante da SUA REALIDADE, levando nas costas o peso da desigualdade.

Por Marrie Ometto, autora de “Desapareci ao Virar Mãe, Mas Reencontrei-me”, disponível para vendas na Amazon (link http://bit.ly/livrodesapareciaovirarmae), Editora Bianch e Livraria Cultura.


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