Rede de apoio, palavra tendencia e difícil nos dias de hoje. Ela facilita demais a vida. Se você tem, agradeça! Ela não esta ai para todos…
Ah, essa tal rede de apoio… Palavra tendência. Significa ter pessoas (s de plural) de confiança ao redor que estejam engajadas e disponíveis para algum objetivo, como a educação de uma criança. Isso inclui compartilhar dos mesmos valores dos pais. De que adianta você pregar uma vida saudável em casa e chegar na avó e ela oferecer doces o dia todo, até substituindo o jantar? Ou então, você pregar o respeito em casa e, quando seu filho te trata mal na frente de uma pessoa, ela vir para adular, anulando a mensagem que você passa? Claro que cada um tem uma rotina dentro de suas casas, mas existem certos valores que precisam estar engajados, caso contrário, essa pessoa, por mais próxima que seja, não pode ser considerada rede de apoio, pois há confiança.
No mundo da maternidade quase que nos enfiam ela goela abaixo, como se caso você a não possua, a CULPADA é você, que não pede, não procura, que “procrastina”… Como tudo nesse mundo, a culpa é nossa, inclusive pelo fato de não estarmos mais vivendo na época em que quando nasciam crianças numa tribo, todas as mulheres se mobilizavam para os cuidados e educação daquele novo ser (assistam “A Tenda Vermelha”, onde parte do Antigo Testamento é relatado pela visão da mulher, Dinah, a filha de Jacó).
O mundo foi mudando, e o modo de viver em sociedade migrou da cooperação para a competição. Especialmente no âmbito feminino, onde na revolução industrial valorizavam a mulher que ficava às janelas apontando os modos de viver “inadequados” das demais (nesse post conto isso em detalhes).
O fato é que, desde pequenos fomos treinados para buscar o nosso, pensarmos em nós mesmos, termos nossas vidas… aí, o que tínhamos até um tempo não muito distante, como avós que ficavam sempre com seus netos para que seus pais pudessem fazer algo, compartilhando dos mesmos valores na educação desses pequenos, praticamente não existe mais.
Hoje os avôs tem seus empregos, suas vidas ocupadas, suas viagens marcadas. Tios das crianças também tem suas vidas, isso quanto não há competição dentro da própria família de qual criança é a mais prodígio, criando um meio extremamente tóxico de competição.
É muito nítido tudo isso quando a gente vê idosos nas famílias: uns filhos dizem-se ocupados, outros tiram o corpo fora por estarem longe, há ainda quem alega não ter tempo nem dinheiro para ajudar e por aí vai… sempre procurando “o menos ocupado”, como se este não tivesse feito escolhas para ter uma vida assim e, por isso, tenha que viver com tudo nas costas.
As pessoas ficaram egoístas demais e isso não se deve ao fato de que sejam más, mas porque foram criadas para olhar o próprio umbigo apenas. É difícil a escolha de andar contra a maré nos dias de hoje e quem opta por ela, paga um alto preço. Para muitos, pedir ajuda no mundo de hoje é estorvar a rotina do próximo. Complicado!
Nesse cenário, se você tem rede de apoio afetuosa, de família e amigos, sinta-se um felizardo. E, por favor, não seja a pessoa que vive dizendo que o outro TEM-QUE-TER tb.
Para alguns, rede de apoio só pagando. E nesse mundo doido de hoje, complicado confiar nossos filhos às pessoas. Crianças são esponjas e pegam o jeito das pessoas que cuidam delas. Além do medo de serem maltratadas. Ou seja, confiança não é algo que o dinheiro compre com facilidade.
Para outros, nem pagando… Nem todos têm gente ao redor disposta a ajudar e dinheiro para pagar alguém.
Então, antes de culpar uma mãe por ela “não pedir ajuda”, saiba que para algumas, a ajuda simplesmente é inexistente. Ao olhar ao lado, vê pessoas que, ao pedir, irão sim julga-la de incapaz, de chata, de estorvar a vida. Como no exemplo do idoso na família, onde muitos fogem…
E estamos aí, como mães, para reescrever uma nova história. Para criarmos para a cooperação, para um mundo de paz. Por que competição só pode gerar isolamento, inveja, e, no auge de sua fúria, a guerra.
Eu não tenho rede de apoio. Quantas e tantas foram as noites que fiquei doente e nao fui ao hospital, para não acordar minha pequena e leva-la a aquele ambiente cheio de vírus… Lógico que queria ter rede, mas as pessoas ao meu redor tem suas vidas e, se alguma esta disponível, faz questão de fazer tudo ao contrario dos meus valores em relação a educação da minha filha. Então, não tenho rede e decidi viver bem assim, aceitando minha realidade. Porém, quero estar viva para um dia, ser rede de apoio para meus filhos.
Por Marrie Ometto
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Jéssica
10 de abril de 2021 at 20:07Não tenho rede de apoio pq meus parentes não estão nem aí pra mim
Qdo minha filha nasceu minha sogra veio do interior ficou 1 semana comigo e depois voltou p casa dela e meu marido trabalhando o dia todo eu ficava com cuidado da filha, casa etc para eu fazer e até hj é assim.
Até p ir ao médico, ou fazer um exame tenho q levar ela comigo pq meus parentes nunca procuraram saber se eu preciso de auxílio, mal mal para trabalhar eu deixava ela com minha madrasta mesmo assim depois de uns meses ela já falou q nao ia poder continuar ajudando. Eu entendo que a filha é minha e do meu marido mas nao custava nada as pessoas estederem a mão de vez em quando… me sinto sozinha e sobrecarregada. Somos eu e meu marido por nós e por nossa filha, fico triste pq a coisa mais comum e o q mais vejo sao pessoas que têm filhos e os familiares ajudam sempre e no meu caso isso não acontece, raros são as pessoas q ainda procuram saber se pelo menos estamos bem, se preocupar sabe em saber noticia..je
FERNANDA CAMILA CRUZ
13 de setembro de 2020 at 07:34Me senti emocionada com o seu relato! Sinto-me na mesma situação que você relatou! Também não tenho rede de apoio, ou seja, pessoas de confiança com que possa deixar minha bebê. Perdi minha mãe com dois meses de gestação. Ela era a pessoa que em toda minha vida expressava o enorme desejo de um dia cuidar da sua netinha que ela ficava imaginando. Meu esposo ajuda, mas sempre está a reclamar. Parece estar me prestando um favor! E não contribuindo com os cuidados de nossa filha. Perdi totalmente o encanto por ele! Minha mãe descobriu um câncer no intestino em estágio avançado com 45 anos em julho/2017 e eu decidir por me casar e ter um bebê para que ela pudesse vivenciar isso! Por mais que acreditasse que ela poderia se recuperar, tinha medo de não viver isso com ela e ela também! Não falava, mas sentia o quanto ela esperava por isso! Então, antecipei o casamento e a gravidez, pois já tínhamos também 09 anos juntos e acreditava conhecer bem a pessoa ao meu lado. Tinha ainda 1 ano de faculdade para concluir. Eu a perdi em março/2018. Minha maior dor que só foi sendo consolada com a presença da minha querida filha que recebeu o nome de sua avó Claudia. Para finalizar o curso, precisei da ajuda do meu esposo, que só reclamou e reclamou de ter que ficar com ela para eu frequentar as aulas… Depois vem comentários, mesmo que não diretamente, do tipo “Porque não terminou os estudos primeiro para depois pensar em engravidar…”, “Já que foi irresponsável, agora tem que se virá…”. É difícil!!! Temo ficar doente e não poder cuidar da minha menina!!! Também tenho que lidar constantemente com aqueles que vivem querendo enfiar doces na alimentação dela, por acharem que assim ela vai comer bem.
Quero ser forte e superar tudo isso e ser feliz com minha menina!!! Também dar a ela tudo que me faltou nesse momento tão LINDO que é SER MÃE!!! Mudou a minha vida, me transformou!!! Serei eternamente grata pela vida da minha filha, meu maior tesouro.
Agradeço pelo texto. Também achava que só eu não tinha a tal rede de apoio… Enfim, que consigamos fazer o melhor para nossos bebês hoje e sempre!!! Grande abraço, Fernanda Camila Cruz Perpetua
Marina de Mello
24 de maio de 2020 at 16:57Palavras realistas, tristes e emocionantes. Me vi em cada uma destas situações e é muito triste não ter ninguém com quem contar. Meu sonho era criar uma comunidade de ajuda para mães sem rede de apoio. Sempre me disponibilizo a ajudar mães, pois é exatamente o que eu precisava também. Se alguma mãe quiser e precisar de alguém pra desabafar, podem me chamar. (21) 9 9679-8085
Um beijo e força para todas nós!
Pamela Lima
10 de abril de 2020 at 16:10Eu tenho zero rede de apoio, desde sempre, nao tenho parentes nem amigos… tbm quando fico doente nao tenho quem me traga um prato de comida ou troque uma fralda do meu filho… é bem dificil, nao consigo atingir as exigencias, nem mesmo tenho qualquer tempo para mim, e as barreiras financeiras impedem que eu pague por uma ajuda qualquer… as vezes penso que sou a unica, nem converso sobre isso com ninguém pq a maioria das pessoas tem amigos e família e não compreende essa situaçao.