O dito popular é que coração de mãe não se divide, aumenta de tamanho. E também que mãe ama todos os seus filhos de forma igual, não fazendo nenhuma diferença no tratamento e proteção que despende a cada um deles…Eu mesma só quero ter outra criança se for capaz de dar o mesmo amor e a mesma proteção para cada um deles.
Mas, se é tudo tão lindo assim, por que vemos tantos filhos reclamando que os seus pais protegem mais um irmão? Por que a gente vê pais oferecendo mundos e fundos para filhos “que dão mais trabalho”, enquanto deixam de lado qualquer suporte para aqueles que se destacam?

Conheço bem uma mãe que jura de pé juntos amar os filhos mais do que a ela própria, mas se move para ajudar apenas alguns filhos, enquanto que os filhos que se fizeram por si próprios nunca puderam contar com ela, que diz: “você está bem na vida, se fez, não precisa da minha ajuda”. Ok, precisar não precisa. Mas por que dar tanto suporte para quem já mostrou que não quer sair do lugar? E por que ferir, mesmo sem querer, um filho que seguiu o caminho da independencia, como que uma punição? Não julgo, pois não sei as intenções de uma mãe em fazer essa diferença que todos ao redor notam. Mas percebo o quanto isso devasta o sentimento do filho não preferido. E é nesse ponto que é importante darmos foco.
Aposto que você também já viu coisas do tipo. Esse fato me fez questionar muito essa relação de igualdade de amor e resolvi pesquisar o que a ciência tem a dizer em relação a isso. Vamos lá?
Pesquisas têm constatado que é natural os pais terem sim um preferido. Na Universidade da Califórnia, nos Estados Unidos, cientistas observaram, por três anos, as relações familiares de 384 pares de irmãos e seus pais. Constatou-se que 65% das mães e 70% dos pais pendiam para uma das crias.
De acordo com Elle Libby, psicoterapeuta e autora do livro “The Favorite Child” para o Psychology Today, há três considerações importantes nesse tema:
- amar filhos igualmente: filhos são diferentes, o amor também, embora a intensidade possa SIM ser a mesma.
- semelhanças entre pais e filhos: algumas crianças nascem com o modo de ser, agir e ver o mundo mais semelhante a um dos pais. Estas semelhanças convidam a uma atração natural (se nós admiramos nós mesmos) ou repulsa (se nós não gostamos de nós mesmos) entre mãe/pai e filho. Isto pode parecer que a criança está sendo favorecida ou desfavorecida pelos pais.
- intenção dos pais: geralmente, se há favoritismo por um filho em detrimento de outro é geralmente inconsciente, não deliberada. A maioria dos pais não têm o objetivo de ter um favorito – ele só evolui.
Nesta parte do texto, já pode ter alguém mentalmente dizendo: “Eu amo minhas duas crianças muito. Eu jamais diria qual eu amo mais, pois não há diferença na intensidade desse amor. O que posso admitir é que uma criança é muito mais fácil do que a outra, no entanto, ela não é a meu favorita, por este motivo.”
Ponto crucial: Amor e favoritismo não são a mesma coisa! Apesar de parecerem!
Amor conota sentimentos de ternura e afeição fortes geralmente acompanhadas pela lealdade e devoção. Ao contrário, o favoritismo implica escolher ou preferir uma pessoa sobre outra, como o primeiro exemplo que dei acima. Os pais podem amar fortemente todos os seus filhos, como a maioria o faz. Mas podem também, em certos momentos, preferir ou favorecer um em detrimento os outros.
Na maioria dos casos, o favoritismo vem de forma inconsciente, uma vez que, socialmente, espera-se que os pais não façam distinção entre os filhos, a mãe, então, inconscientemente, mascara tal comportamento seu. Todavia, em alguns casos o favoritismo pode ser mais intenso, tornando-se consciente.
Além do favoritismo puro, existe também o favoritismo temporário, ou seja, aquele em que os pais exercem preferência por um dos filhos num período de tempo crítico, mas esse comportamento muda após esse tempo de dificuldades cessar. Por exemplo, quando há doença, ou numa fase de dificuldades emocionais e financeiras… Nesse caso, quando cessa o motivo, a preferência se desfaz, podendo se manifestar em outro filho, se este carecer, ou ficar neutra, até que surja outro fato que volte a chamar o instinto de proteção. Faz parte do instinto natural do ser humano de sempre proteger o mais fraco. Mas mamães, cuidado com isso! Se um filho perceber isso, pode “querer ser o mais fraco”, para obter o que se quer mais facilmente, de novo, como no exemplo que dei acima.
Em geral, o que acontece é que muitas vezes os pais acabam se identificando mais com um determinado filho o qual os pais consideram ser mais fácil de lidar (o mais brincalhão ou que pode dar mais problemas na escola, …). E geralmente o filho que tem personalidade mais marcante acaba sendo deixado meio que de lado.
A ciência pode até admitir o favoritismo, porém está longe de o colocar em uma situação de tolerância, pois podem causar muitos danos psicológicos nos filhos, principalmente aquele que se sentiu menos amado por um longo período de tempo. Os critérios usados dentro de casa devem ser os mesmos para os todos os filhos.
E como vimos que é natural da humanidade sentir mais afinidade com um filho do que com outro, não sinta culpa se isso acontecer dentro de seu coração. Porém, o recado dos especialistas para os pais é muito claro: manter a conduta de nossos pais e avós, negando, com convicção e com a forca de seus atos (afinal, você é o que você faz e não o que você fala), que você tem predileção por algum.
Sou mãe de apenas uma criança e não há filhos de outros casamentos entre nós, então não posso falar por mim. Apenas vejo algumas historias de pessoas próximas a mim, que são várias, mas em menor numero do que vejo famílias próximas a mim com demonstração de amor de forma igualitária entre seus filhos, o que me deixa aliviada.
Mas e vocês que tem mais de um filho? O que sentem?

Fonte: Isto É.

Fonte: Isto É.
Fontes usadas: Psychology Today e Isto É.

Rita
3 de março de 2016 at 13:17Eu vivia com medo de ter outro filho, porque achava impossível gostar assim de forma tão profunda de outra criança. Mas depois tive a minha filha, e no momento em que peguei nela ao colo descobri que sim, é possivel gostar dos dois da mesma forma, com a mesma intensidade, e isso é uma grande felicidade.
Christiane
15 de fevereiro de 2016 at 17:54Minha experiência já mostrou por diversas vezes que muitos pais, na maioria das vezes mãe, tem uma tendência a “ter do” do filho mal sucedido, do filho que tenha algum tipo de dificuldade, enfim do filho que mostre alguma “desvantagem” perante ao outro. Isso claro no seu entendimento.