
Você pessoalmente acha que a palmada ajuda na educação das crianças ou apenas as afasta de você?
Vamos deixar de lado o que vivemos. Sei que na nossa época, era normal “havaianas voadoras” e puxões de orelhas. Mas as informações não estavam disponíveis como estão hoje. O que “deu certo” no passado, no escuro, hoje é um risco que se corre, já que a informação está ai, e pais conscientemente tomam as suas escolhas.
Imagine uma criança berrando no shopping ou em algum local público (quase nem sabemos o que é isso, #sqn, rsrsrs). A mãe tenta acalmar a criança, que permanece irredutível aos berros. A mãe perde a paciência (hoje, como mães, entendemos nitidamente que paciência é algo que buscamos a cada dia), só que aí vem um ponto que divide opiniões:
(a) a mãe cede para a criança, que pára de berrar;
(b) a mãe ignora a criança, até que ela cansa de berrar e pára;
(c) a mãe argumenta, conversa e entram num acordo;
(d) a mãe vai embora suando com a criança ainda fazendo birra;
(e) ouve-se um som estalado de palmada no bumbum da criança, que passa a berrar ainda mais.
Como disse, sem julgamento de valor, cada mãe seleciona a opção que combine mais com seu estilo de maternagem e valores familiares. Mas quero discorrer sobre a opção (e). Vamos analisar os fatos por partes, para depois melhor discorrer sobre ela.
Do lado da mãe: Sei que paciencia tem limites, sei que o dia a dia exaustivo cansa, sei que berros de crianças entram em nossa camada cinzenta cerebral e parecem ecoar lá por horas, deixando-nos doidinhas. Aliando tudo isso à pressão dos olhares de desaprovação em público, a situação ainda se agrava.
Do lado da criança: Ela está fazendo a birra como papel dela de descoberta no mundo. Ela precisa entender até que ponto ela pode ir para conseguir o que quer, da sua parte. Ela sabe que em publico você suará frio, pois já aconteceram inúmeras vezes, e você sempre se comportou da mesma forma (educação por exemplos). Ela não faz isso para te atingir, ela não é um mini adulto e ainda não tem essa noção. Ela vai aprender a parar de se comportar dessa forma assim que você provar a ela que aquele comportamento não exerce poder sobre você. Sendo assim, não seria mais efetivo ignorar?
Primeiro: Bater seria uma forma de mostrar que você perdeu a compostura, de tanto que aquilo te afetou.
Segundo: Já pensou a tristeza no rosto da criança, de estar sendo agredida fisicamente pela pessoa que ela mais confia neste mundo? Como ficará a noção de segurança desta criança?
Terceiro: Já pensou na humilhação que esta criança esta sofrendo em publico e o quanto isso pode afetar sua auto-estima?
Quarto: O filme que pode se passar na cabeça da criança: “Poxa, logo você que diz me amar tanto, me protege e me alimenta, está aí covardemente num tamanho no mínimo 2x maior, me causando dor física?”. Esse é o modo certo de agir? Bater quando quiser algo? Isso é respeito? Por que argumentar/negociar, né? Ou, em contrapartida, posso me sentir inseguro em qualquer canto, já que não posso confiar em ninguém mais?
A palmada está mais associada a comportamentos mais agressivos e anti-sociais em crianças, justamente por terem em casa o exemplo de que a força é a maneira mais eficaz de se resolver os problemas, diz estudo da Universidade do Texas. Este estudo afirma ainda que crianças que apanham com freqüência apresentam maior probabilidade de sintomas de depressão ou ansiedade, tanto no momento eles estão punidos (humilhação e sentimento de desproteção), quanto no futuro, por “abalar seus alicerces”.
Há ainda evidências que sugerem que ela corrói o vinculo entre as pais e filhos, tornando as crianças menos propensos a confiar em seus pais, por motivos já citados acima.
Em resumo, a palmada confunde as crianças. E é exatamente isso que não queremos quando educamos, né?
A criança é uma página quase em branco. Quase, pois carregam genética. Mas ela transmite muito mais o que recebe, os exemplos que o meio as mostram, do que qualquer outra coisa. EXEMPLOS, EXEMPLOS, EXEMPLOS. Exemplos é o que você faz, não o que você fala.
Tenha a certeza que nossos pais não sabiam disso ao lançar chinelos havaianas voadores na nossa geração. Mas nós temos ciência disso. E agora? Como você escolherá agir?
Um beijo, Marrie

Priscila Ponte
26 de abril de 2016 at 10:30É preciso se controlar mesmo. Eu, por diversas vezes, senti vontade de dar um tapa bem dado na minha filha de tanta birra. Por duas vezes, dei esse tapa, mas nunca soube o que realmente causava.
Daniela
14 de fevereiro de 2016 at 01:30Amei o texto! Ótima reflexão! Quando eu era criança apanhava muito e hoje com minha filha quero agir ao contrário, diálogo sempre e muita paciência como você mesmo menciona!!?
Marrie Ometto
14 de fevereiro de 2016 at 15:07Paciencia é difícil, mas precisamos exercitá-la dia após dia, tipo mantra, né? rsrs. Nossa geração apanhou bastante, não fui espancada nunca, mas tomei muitas boas chineladas. Como mencionei, antes não havia essa conscientização. Além dos contras mencionados da palmada, uma que não citei é que no dia que a gente dá a primeira, pode virar hábito…