Recente estudo fala sobre a criação de crianças na honestidade. Para mim, o exemplo – nas mínimas coisas – é a melhor pedida.
E exemplo dos pais também prevê constância, coerência e a consequência – como Içami Tiba defende.
- Constância significa que você – como cuidador – sempre se comportará da mesma forma, independentemente de onde esteja. Não é por que você está sendo observado que se comportará melhor. As crianças captam tudo!
- Coerência é quando todos da casa (pai, mãe) se comportam da mesma forma em relação a um ato da criança. Ela entende assim isso como um valor.
- Consequência é como VOCÊ como cuidador age diante de um ato do filho. Se ele te conta que fez algo errado, você escuta e corrige ou já vai logo dando uma bronca?
Como já disse por aqui, crianças pequenas são muito mais espelhos e do que gravadores. Elas refletem o que somos e não nossos sermões sobre ética e moral.
E vamos e venhamos: muitos tratam a honestidade como algo aplicável ao aprendizado necessário aos políticos corruptos, mas a verdade é que honestidade começa em casa e por simples conceitos: não estacionar o carro em vaga de idosos/deficientes, deixar uma pessoa atravessar na faixa de transito, não fazer xerox de livros afinal o autor precisa também pagar suas contas e trabalhou honestamente, não falsificar CDs e filmes, e por aí vai…
A honestidade é algo que vem do pequeno e vai crescendo. Não podemos cobrar honestidade das pessoas se nós cometemos diariamente pequenas desonestidades, independentemente de o Governo já ser ladrão o suficiente.
Mas voltando às aplicações nas crianças: Quando se trata de moralidade, a pesquisa (leia original em inglês no link, publicado no Journal of Experimental Psychology, neste link) mostra um pouco do que falei acima, sobre as “pequenas desonestidades da vida”, uma vez que as crianças pequenas não entendem muito bem as nuances entre o certo e o errado, por isso o cuidado sobre se tema deve ser redobrado.
Apesar de moral e honestidade ser algo de muito valor para uma criança pequena – que ainda está experimentando o mundo – pode ser muito ruim viver sob padrões tão elevados, especialmente quando há um castigo na linha, onde elas acabam não debatendo essas nuances do certo e errado com um adulto que a ama.
A linha de raciocínio é: Se honestidade é um traço amplamente ensinável, por que não dar às crianças um melhor incentivo para aprendê-la, do que puní-la quando não feito mas contado?

A PESQUISA
Os autores do estudo analisaram crianças de 4 a 9 anos e pediram-lhes para lerem duas histórias sobre crianças se comportando mal:
- Na primeira, o personagem principal roubava doces de um amigo;
- Na segunda, as crianças empurraram alguém de um balanço.
Metade das crianças leram uma versão (primeira história), em que o ladrão de doces confessou o “crime” à sua mãe, enquanto que a criança que empurrou o balanço (da segunda historia), omitiu. A outra metade leu essas historias de maneira contrária, onde o ladrão de doces não contava o feito à sua mãe e o do balance foi contar.
Para cada um dos grupos, os pesquisadores iam interrompendo as crianças ao longo da leitura para perguntar sobre seus pensamentos em relação aos infratores das histórias: o que eles achavam que os personagens estavam sentindo, o quão fortes eram suas emoções,… E, ao terminarem a leitura, os pesquisadores fizeram perguntas semelhantes em relação às mães das personagens.
Ao mesmo tempo, os autores do estudo também aplicaram um questionário aos pais das crianças, pedindo-lhes para avaliar certas afirmações sobre o mentir, como “A criança confessou a um erro, mesmo sendo muito improvável que ela fosse descoberta”.
RESULTADO
As crianças naturalmente mais honestas e sinceras, eram também as mesmas que costumavam a ligar a honestidade nas histórias à emoções mais positivas, declarando que os personagens se sentiriam melhores uma vez que desabafaram o feito – e que as mamães das historias ficaram orgulhosas de elas terem não só se arrependido do ato ilícito, mas também por terem contato o feito, mesmo sendo muito difícil que essas crianças fossem descobertas, “pegas no pulo”.
Ou seja: que as crianças são mais inclinadas a serem honestas quando elas sabem que a honestidade vai agradar seus pais.
E, olhando por essa ótica, ser acessível aos nossos filhos é fundamental. É preciso ter isso como constância. Se, ao contarem algo que fizeram de errado aos pais, esses logo aplicarem um castigo, essas crianças tenderão a não contar mais as coisas. Omitirem ou mentirem. Por outro lado, se contarem, levarem uma lição de moral positiva, tipo “fiquei feliz que pensou sobre o assunto, se arrependeu e me contou, mas quero que não faça mais” ou ainda “Quando eu era criança fiz isso também, mas aprendi que não era legal…” é algo mais rico para a relação e desenvolvimento da honestidade. E, numa situação extrema, de pais que escondem as desonestidades do filho para livrá-los de punições externas, mostram o exemplo de que tudo é passível de um “jeitinho”.
Precisamos de paciência, empatia. Não é questão de ser um buda, de não ficar zangado! É sobre primeiramente encorajar com um “estou feliz que você me disse” antes de lançar os sermões necessários, mas mais difíceis para a criança.
Tem que haver um nível de diferenciação em:
- Sinceridade quando a criança faz o bem e te conta;
- Sinceridade quando a criança faz algo mal mas te conta;
- Quando a criança mente para você sobre algo de errado que fez.
Na primeira situação, é mais facil para a criança, pois provavelmente será elogiada pela honestidade e bom comportamento.
Na segunda ocasião, você como pai consegue averiguar pontos em que precisa de atenção e pode trabalhar no dialogo com essa criança, se não perder a cabeça antes.
E, na terceira ocasião – e mais perigosa – é aquela em que você não está tendo a confiança do seu filho e provavelmente será muito mais complicado corrigi-lo. O importante é mostrar o quão terrível pode ser se você “pegar no pulo” as mentiras da criança, sem que sejam contadas. E, se contarem, isso será mais leve, pois só de admitir algo, já é um traço de boa índole.
Um beijo, Marrie
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Elisabeth Bauerle
9 de maio de 2017 at 09:01Nadja Baeuerle
Naissa Baeuerle
Tina Ribeiro
9 de maio de 2017 at 05:04Dario Ribeiro
Priscila Vieira
9 de maio de 2017 at 00:38Fábio Junqueira
Josie Batista Ribeiro
8 de maio de 2017 at 23:05Agostinho Ribeiro
Paula Lavorato
8 de maio de 2017 at 18:50André Lavorato
Erica Matias
8 de maio de 2017 at 15:40Epitacio Dias . Excelente reflexão.
Cassia Aguiar
8 de maio de 2017 at 11:40Edilio Correia❤