Pais, parem de incentivar: Criança pequena não namora!! Isso é adultizar antes da hora.

Um alerta aos pais sobre pular etapas e adultização infantil. Criança é criança. Ela beija sem saber o que é namoro!

 

Minha filhinha Clara adora beijar quem ela gosta. Não beija estranhos, nunca a obriguei a beijar ninguém ao cumprimentar (afinal educação ao cumprimentar é uma coisa, contato físico é outra), mas ela costuma  a ser muito carinhosa com quem ela gosta muito (característica dela).

E isso se repercute com as crianças da escola, dos cursos, do convívio entre amigos. Ela adora tanto alguns, que ama dar beijos e abraços, na maior pureza de seus 3 anos de idade.

As crianças imitam os pais, são espelhos, refletem atitudes. Minha Clara é muito carinhosa e distribui beijos aos amigos queridos e, quando dá na boca (sim, acontece!), eu sempre a corrijo, digo que é para dar beijo só na bochecha. O fato é que ela não sabe o que é “o beijo na boca” em seu significado real, ela vê eu e o pai dela nos beijando e reproduz, em sua pureza, sem maldades. Como não incentivo – ou melhor, ainda digo que beijo é só na bochecha – isso pára por aí.

Pena que nem todos enxergam assim!

Começou um tal de fulaninho namora fulaninha, Clarinha beijou não sei quem, e blá blá blá e muitos pais dando corda para o assunto. Eu sinceramente não gosto disso, pois sei que se minha filha beija um amigo ou uma amiga, ela não tem nada que não seja a pureza de seus sentimentos ali. Ela não sabe o que é namorar, nem precisa saber (aos 3 anos de idade) e, se depender de mim, ficará nessa por um bom tempo.

Mesmo quando souber, ela até pode brincar que namora fulano ou ciclano, mas eu não irei potencializar essa historia não. Não antes da hora.

O incentivo vindo dos pais ao namoro entre crianças, só faz com que etapas sejam puladas ou ainda, no pior dos cenários (que infelizmente também acontece), sejam expostas a coisas ruins sem que elas sequer desconfiem que estejam passando por uma situação ruim.

Ao virar algo natural o namoro entre crianças, os pais tornam o filho vulnerável ao crime de abuso sexual. A criança que cresce sabendo que namoro é coisa de adulto, que carinhos como beijo na boca deve acontecer entre adultos apenas, “tem mais condição de estranhar contatos físicos indevidos. Ela é mais capaz de reconhecer o abuso como violência”, disse Deborah Moss, neuropsicóloga mestre em desenvolvimento infantil, em entrevista para a Revista Estilo.

Eu me pergunto: “pra que?”.

Fiquei um tempão com isso na cabeça, muito antes da campanha viral do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), não publiquei antes pois não quis que ninguém entendesse isso como indireta, mas como alerta.

É de bem geral que todas as crianças permaneçam o maior tempo possível sendo crianças, né?

Para quem não acompanhou, em 8 de abril, o CNJ fez uma publicação em sua página do Facebook com o objetivo de chamar atenção sobre a sexualização da infância, com o tema “Criança Não Namora”. A publicação já alcançou mais de 10 milhões de pessoas e foi uma das mais efetivas do órgão, em rede social.

Quando vi isso, só imaginei o incentivo ao namoro nos círculos em que Clara frequenta e pensei: isso não é coisa de mãe chata, não é mimimi, c oisa se gente politicamente correta e chata. Isso é empatia, enxergar o mundo do olhar de uma criança e respeitar essa diferença de perspectiva, protegendo-a!

Então, se quiserem dizer que seus filhos namoram, fiquem a vontade. Mas não venham dizer que a minha o faz, pois ela só tem 3 anos e, se depender de mim, ela ficará de boa por um bom tempo ainda!

Um beijo, Marrie

 

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