Crise de humanidade?

Crise política? Crise Econômica? Pior é viver crise de humanidade!

 

Fomos criados para fazer silêncio, evitando assim, incomodar o próximo que nada tem a ver com nossos problemas,

Mesmo com tanta gente se metendo em problema que não é chamado.

Paradoxal, não?

Pois quando o problema é dos fortes mesmo, a maioria sai correndo e faz cara de paisagem.

Ajudar? Só se for por mídias sociais! Melhor não se envolver…

No fundo, ensinamos a não gritar não só para não incomodar os outros, mas para não sermos incomodados também.

Ouve-se tantos gritos de socorro e tapam-se os ouvidos. Quer ver? No mundo, crianças sem pais, maus tratos, fome, guerras, sem terras, sem países, pessoas vivendo em campos minados.

Já na porta ao lado…tsc tsc tsc…

Tantos casos de pessoas que, por boa educação, não  intromete-se  na briga do vizinho e a mulher dele acaba espancada.

Médicos das melhores instituições rindo no whatsapp sobre como melhor matar uma paciente. E a coitada, nem gritar poderia!

Notícias plantadas pela mídia só para incitar o ódio, na maioria, mentiras.

E, enquanto a festa ocorre nas mídias, vida real que segue,

Coisas comuns, corriqueiras, mas pouco assumidas,

Por medo? Vergonha? Por gritar e ainda ser julgado?

Enfim…

Violências obstétricas, assédios morais, psicológicos e sexuais no trabalho, continuam, e no dia a dia, as vezes até com sua colega de baia, na empresa.

Por que, meu caro, essas coisas horrorosas a gente não se vê só no jornal não. Às vezes está do nosso lado, mas a gente não ouve. Ou não quer ouvir. Ou não se dá brecha, não estende-se as mãos para isso. Melhor ficar só nos papos superfluos do “como foi seu dia?”.

Lendo, você pode estar a pensar: “Ah, mas as pessoas não gritam!”.

E se gritaram, seu ouvido seletivo deixará esse tipo de suplica processar?

Os poucos que gritam, quase não são ouvidos. Mas vida alheia, ahhh essa meu caro, mesmo ao som ambiente, há quem até encoste a orelha na parede para ouvir melhor.

Sabe-se de cor e salteado das variações  de nuances por sazonalidade da grama do vizinho e meter-se em campo onde não foi chamado parece até simpático.

Mas gritos não se ouvem, não… Melhor não se meter. Não é educado. Eles se resolvem.

Nossa geração bota fogo na calmaria e deixa se alastrar quando o fogo já é incêndio.

“Meter o bedelho” é considerado preocupação enquanto ajudar quando se precisa é deselegante.

Essa é a geração do muito palpite, e pouca solidariedade.

E viva a crise da humanidade, que esqueceu-se que, antes de qualquer ideologia política, de qualquer condição econômica, de nuances de pele ou cultura, ainda somos humanos!

Por Marrie Ometto @reflexoesplugadas

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