Hoje em dia parece que as crianças saíram de cena, dando lugar aos mini adultos. Raramente as vemos como elas realmente são (ou deveriam ser): felizes, confortáveis, correndo e brincando, como víamos nas obras de arte do passado.
Cada vez mais engomados, presos em apartamentos, muito bem penteadas, fazendo lindas poses para as fotos
com sorrisos amarelados, quando eles existem, pois muitas vezes nem sequer conseguem sorrir, tamanha insatisfação por ter que estar ali parado para fotografar. Do barro do parque para a Disney. A bagunça ficou estruturada: Tinta com espaço delimitado e hora para acabar a atividade. Tudo muito estético, clean, organizado. Fundo branco nas fotos. Agenda de executivo: manhã com natação, judô, ballet e a tarde com escola e ingles. Num frenesi e ordem inerente ao mundo infantil. Cadê o tempo para ser simplesmente criança?
Hoje em dia, ao invés de vestidos de algodão enfeitados com casinhas de abelhas, as crianças vestem calças agarradas, mini saias, meia calça arrastão, top cropped, biquinis minúsculos de crochet, lindas peças que, silenciosamente, roubam a infância de uma criança, tirando-lhe o conforto que precisam para descobrirem livremente o mundo que os cerca. Cadê o conforto para o livre brincar?
Afinal, é tão fofo ver um “mini adulto” todo bochechudo e rechonchudo, né? Sim, mas essa é a pergunta que deveríamos fazer se a questão for formar adultos que acreditam que sua imagem externa sobrepõe-se ao que verdadeiramente são. Por dentro. Além disso, não é necessário vestir uma criança com uma sensualidade QUE ELA NÃO POSSUI. Isso só a expõe a perigos desse mundo doente que nenhuma mãe quer para sua criança. Cadê a segurança?
Se a questão é proteção e ensinar valores da vida, as coisas mais simples, seriam vistas como as mais importantes. E, como completou tão bem Renato Russo, nos deram espelhos e vimos um mundo doente. Ele estava certo: se a preocupação é criar seres de valores, a pergunta deveria ser: isso é bom para esta criança? É dessa peça de roupa que ela precisa? Cadê os valores?
Bom, vamos lá:
PRIMEIRO, o engomado não é confortável. Criança precisa estar com os membros flexíveis para poderem pular, escalar, correr… Uma calça jeans skinny ou micro saia de couro provavelmente não a conferirá esse conforto. “Ah, mas criança ama fantasias, e elas pinicam. Como fazer?”. Eu penso muito nisso e acho fantasias muito importante para o desenvolvimento das crianças. Só que, como conforto em primeiro lugar, coloco peças 100% algodão por baixo delas (veja mais aqui).
SEGUNDO, você deixará essa criança sujar-se com esse look todo mini fashionista? Se sim, a meia calça se auto-destruirá em segundos! Prepare o orçamento para reabastecer o armário. Não é questão de preço, aqui foi apenas uma observação. A questão aqui é que talvez você não deixe ela brincar livremente pelas peças serem caras.
TERCEIRO, criança é criança. Parece óbvio e clichê mas não é. Criança não é mini adulto em nada: nem no psicológico e muito menos no físico. Criança não pensa como nós pensamos, ela apenas age conforme vão aprendendo e explorando o mundo. E precisam ser entendidas desta forma.
QUARTO, crianças não são um quintal da nossa alma. Eles são serem únicos e em formação. Deixar que eles participem do processo de vestirem-se, na medida do possível e sob supervisão, é logoco, lhes confere a formação da identidade própria.
QUINTO, crianças exploram um mundo de cores, texturas e sabores. Deixe que elas reflitam isso em suas roupas. Por que só rosa para meninas e azul para meninos?
SEXTO e mais polêmico: Crianças não tem noção de perigo, exatamente por não serem mini adultos e estarem APENAS conhecendo este mundo em que habitam.
Explico: Imagine você que, sempre vestiu sua filha como uma mini adulta, com decotes e mini saias. Isso desde bebê. Ela estará acostumada a tal moda mini adulta e, quando chegar próximo dos 10 anos, continuará a vestir-se como sempre foi: como adulta. Porém, agora, ela tem o corpo se formando, mas a mentalidade do que ela ainda é, apenas uma criança, porém exposta a um mundo adulto que ainda não entendeu se ela é uma menina ou uma mulher. Essa criança será mais exposta a uma situação em que ela não precisa passar nesse momento da vida: homens mexerão com ela na rua e olhares a cruzarão, sem que ela tenha malícia do que está acontecendo. Agora, me diga: isso é ou não roubar a infância de uma menina?
Quanto antes seus filhos parecerem mais velhos, mais cedo serão expostos a situações que os anteciparão para a vida adulta. Que mãe quer isso para seu filho?
Sim, concordo que a maldade está nos olhos de quem vê, que não podemos manter nossas crianças numa redoma de vidro e poupá-los de tudo. Mas podemos SIM mantê-los como crianças por mais tempo. E a vestimenta é sim uma forma: Com lookinhos lindos, porém coloridos e confortáveis, não justos e sem cor como os adultos gostam.
Não, não sou dessas que acha que devemos ficar presos em casa pois a violência está demais lá fora. Que acha que pessoas comuns “pedem para ser assaltadas”. Muito pelo contrário. Mas em relação a crianças, que como disse acima, não tem noção do perigo e nascem com zero noção dessa sensualidade que muitas roupas às confere, é necessário sim prudência. Afinal, não dá para romantizar esse mundo onde não está isento de abuso, violência e pedofilia. É preciso cautela, uma vez somos responsáveis por esses seres puros e indefesos.
Não, não é um argumento machista. Adultos devem sim vestirem-se como quiserem, mas vejam bem, OS ADULTOS, pessoas que já tem discernimento e podem escolher conscientemente. Crianças estão sob responsabilidade dos adultos. Eles podem escolher o que quiserem para elas? Podem. Mas é preciso refletir não só sobre as consequências, mas também sobre a personalidade que está criando para esta criança.
Gosta de vestir com seu filho e montar looks lindos para ele? Eu também adoro vestir minha filha! Mas se atente à mensagem que passa ao fazer isso! Em primeiro lugar deve vir a infância e suas necessidades. Depois, então, é que os looks fashionistas deveriam vir, adaptando-se ao espaço que sobrou.
A questão é tão simples: Não é uma criança que deve seguir a moda. Mas a moda que deve ser adaptada às necessidades de seu filho. Dá para fazer looks modernos e descontraídos SIM, sem tirar das crianças o conforto ou sensualizar. É questão de PRIORIZAÇÃO.
Vestir uma criança como criança é um ato de amor, proteção e zelo! E nada mais fashion e trending que o amor!
Este post faz parte de um projeto patrocinado pela Brandili (#missãovestirbrandili), escrito de forma totalmente livre e espontânea por mim, de acordo com a missão deles, que é o amor pela criança #publi.
Leia também:
https://www.mamaeplugada.com.br/2016/05/como-ensinar-seus-filhos-a-vestirem-se-sozinhos/
https://www.mamaeplugada.com.br/2016/05/moda-infantil-inverno-2016/
https://www.mamaeplugada.com.br/2016/06/minhas-dicas-para-vestir-crianca-em-festas-juninas/


Paula Campos
3 de outubro de 2017 at 12:38Gabriela Alves Delgado
Juliana De Carvalho Setta
3 de outubro de 2017 at 12:26Concordo com tudo.
Vejo mini adultos “adestrados”
Faz isso, Faz aquilo, da um beijo no fulano, sorrir….
Coitadas das crianças que não podem ser livres
Juliana De Carvalho Setta
3 de outubro de 2017 at 12:26Concordo com tudo.
Vejo mini adultos “adestrados”
Faz isso, Faz aquilo, da um beijo no fulano, sorrir….
Coitadas das crianças que não podem ser livres
Alberto
17 de agosto de 2017 at 21:08Disculpe que le escriba en español. Me parece más fácil para usted de comprender, que si utilizo el Google Traslate.
A menudo veo sitios, en Facebook o en Instagram, donde usan, continuamente, a niñas, sobretodo, también algunos niños, para promocionar sus productos para la venta.
Y veo, también que, frecuentemente, trasladan a las niñas a distintos estados del inmenso Brasil. Haciendo habitual dicho traslado como algo habitual en las niñas menores de 14 años. Digamos, algo típico de la edad.
También veo que desfilan, publicitando los modelos de los productos que representan, con una organización de modelos profesionales. He visto niñas desfilar con diminutas bikinis, pintadas como adultas, peinadas como adultas, y contoneando su cuerpito como mujeres adultas.
También noté, en algunas oportunidades, realizan excursiones en lujosos yates, o viajan en lujosas limusines, como si eso fuera algo común para las niñas menores de 14 años.
Sesiones fotográficas realizadas por fotógrafos profesionales, para producir “books” con grandes cantidades de fotografía. Igual que sucede con las modelos profesionales.
En ocasiones, especialmente por Instagram, observé la presencia de dichas niñas en grandes fiestas, con todo lo que contienen las grandes fiestas que se ofrecen a modelos profesionales. Iba a decir “fiestas nocturnas”, pero estaría desvaríando. La escena de un salón de fiestas, no me permite reconocer si las fiestas son diurnas o nocturnas. De igual modo, a mi me parece que son nocturnas.
Incluso, en sus perfiles de Instagram, algunas, no todas, en la presentación, dan a conocer un número de teléfono, seguramente de telefonía celular, para “contrataciones”. De niñas que en ocasiones, no cumplen, aun, los 8 años.
Disculpe le extenso de mi comentario, pero mi pregunta es:
¿Estas situaciones a que se ven expuestas las niñas (insisto, también hay niños, pero en menor cantidad) no es un modo de ABUSO INFANTIL?
No voy a hacer comentario alguno sobre lo expuestas que se encuentran estas niñas a situaciones de riesgo.
Me aboco únicamente a comentar si no resulta un abuso, de parte de quienes las contratan, de parte de los propios padres, hacer que esas niñas hoy crean, o estén convencidas, que están viviendo una niñez normal.
Alguna vez le pregunté a alguien que contrata niñas para que modelen sus productos, si no le resultaba abusiva la manera como hacía trabajar a niñas de muy corta. Y me respondió, muy tranquila y sin remordimientos: “¡Para nada! ¡Para las niñas es un juego!”
Claro, para las niñas es un juego, pero para ella es un negocio. Y, aunque me informen, que los papás cobran por el trabajo de las niñas, le dejo otra pregunta: ¿Es correcto que niñas de entre tres o cuatro años hasta trece o catorce, trabajen como profesionales?
Insisto. ¿No es eso un verdadero ABUSO INFANTIL?
Espero que comprenda usted algo de español. Y también espero que me disculpe por la extensión de mi consulta.
Pero considero algo muy preocupante ver como, con la excusa de que “para ellas es un juego”, se les ROBA LA NIÑEZ a las niñas para que otras personas, empresarias o empresarios, obtengan generosas ganancia con su trabajo.
Muchas gracias por leerme. Y vuelvo a disculparme por la molestia.
Alberto (Esteban Quito)
Marrie Ometto
17 de agosto de 2017 at 21:43Esteban,
Entendo o espanhol, mas não consigo responder na língua, então o farei em português, me desculpe.
Realmente, principalmente no Instagram, há uma super exposição de meninas, muitas vezes menores de 8 anos de idade, como se fossem top models, vestidas como adultas, viajando pelo país para desfiles como bloggers. Entendo que estejam sendo acompanhadas pelas mães, mas à rotina de fotos, de desfiles, muitas vezes não remunerada (sim, pois grande parte das vezes são só brindes) é sim uma forma de exploração da imagem da criança, que até entende aquilo tudo como uma brincadeira, até que ela se cansa, mas devido a um compromisso, precisa terminar o combinado, como num trabalho.
Tenho pena por vários motivos:
1. Criança precisa estar brincando. Até nas fotos e vídeos, ela precisa estar confortável.
2. Criança não precisa ser exposta a modelos de beleza adultos. Magreza excessiva. Tintura de cabelo. Maquiagem…
3. Criança vestida como criança é sempre uma segurança à infância. É fofo sim, casualmente, uma criança vestida como Mini pessoinha, mas tem coisas que incitam a pedófilia que, infelizmente, está aí!
4. Criança um dia tem todo o direito de reclamar com a mãe o porquê de ela ter sido tão exposta assim. Na Europa, até processo rola.
5. Em que momento, uma criança que vive em desfiles, tem tempo para explorar sua criatividade? Seus gostos? Sua infância UNICA?
É isso! Obrigada pelo rico comentário.
Um abraço, Marrie
Thays Naves
9 de dezembro de 2016 at 13:15Gostei demais do texto! Exatamente o que penso!
Desiree Santos
9 de dezembro de 2016 at 10:56Perfeito! Seus textos são demais!
Tina Andrade
9 de dezembro de 2016 at 10:41Amei …
E isso mesmo ..
Roberta Melo
14 de outubro de 2016 at 15:15Rutênio Ribeiro
Rutênio Ribeiro
14 de outubro de 2016 at 15:19Você leu? Ou só me marcou? ??
Rutênio Ribeiro
14 de outubro de 2016 at 15:20Você leu? Ou so me marcou amor?? ???
Lidiane Faleiros
26 de setembro de 2016 at 03:25Luciana Cristina Renata Canuto Helena Antoniete Ivete Martins Cleuza Faleiros Laisa Bijos 😉
Samara Braun
25 de setembro de 2016 at 11:26Lê isso Gleidiane Araújo!