Ensinar as crianças a esperar é mais importante do que imagina!

Você dá prontamente tudo o que pode aos seus filhos? Ou pratica o “valor da paciência” em casa, fazendo com que eles aprendam a esperar um pouquinho?

Por mais difícil que seja para admitirmos, uma coisa é certa: quanto mais  agradarmos nossos filhos, mais impacientes e rudes serão como adultos. E não sou eu, apenas mãe da pequena Clara de 2 aninhos que estou dizendo não. É a ciência.

Aprender a esperar é muito mais importante do que se pode imaginar. Em um estudo antigo, publicado em 1972 (nem sonhava em nascer nessa época) realizado pela Universidade de Stanford (leia mais aqui), foram selecionadas crianças de 4 a 5 anos, para as quais foram cedidos um marshmallow para cada.

Esse estudo ficou famoso e conhecido como a TEORIA DO MARSHMALLOW DE STANFORD. Tem até livros sobre isso.

Mas enfim… Voltando ao assunto: Deram um marshmallow para cada criança e, com ele, a promessa de que teriam outro, caso pudessem esperar por alguns minutos sem atacar o primeiro. Quem esperasse, levaria o marshmallow adicional.

Quatorze anos depois, aquelas crianças cresceram e, os que tinham comido rapidamente o primeiro marshmallow lutavam contra auto-estima baixa e mostraram-se mais propensas à frustração, inveja e conflito. Aquelas que tinham esperado, mostraram-se mais tarde socialmente mais saudáveis, conseguiam lidar melhor com o estresse e a frustração, e obtinham também melhores notas.

Para provar que não adianta só ensinar a esperar, anos depois dessa publicação de Stanford, a Universidade de Rochester fez outro estudo, com a diferença de que, nesse caso, as crianças teriam experiências de não confiar que receberiam outro marshmallow. Claro, o estudo foi impactado pelo ambiente. Assim como será se você ensinar paciência ao seu filho e depois “enganá-lo”. Ou prometer algo depois – só para que ele pare de pedir – e depois não fazer.

Aqui neste texto abordo apenas a importância do ensinar a esperar, LEVANDO EM CONSIDERAÇÃO QUE O AMBIENTE SEJA BASEADO NA CONFIANÇA. “O mundo é bom!”.

A capacidade de esperar é poderosa: ensina o auto-controle e a disciplina. Crianças que aprendem a esperar são mais capazes de pensar antes de agir e compreender as possíveis consequências de suas ações.

Elas aprendem o respeito, a paciência, a tolerância, a gratificação adiada, o “plantar para só depois colher” e o fato de que outras pessoas além deles também têm suas necessidades e direitos.

Por isso fizeram esse estudo com crianças de 4 anos – afinal, os “toddlers”, crianças pequenas dos 1 aos 3 anos, ainda estão aprendendo essa coisa de que existe vontades além das suas nesse mundo!

Porém, nem por isso você não precisa começar a ensinar. Crianças de 1 – 3 anos ainda não sabem que os outros tem vontades, mas os valores podem sim ser enfatizados sim, desde o berço.

As crianças desta idade não irão entender explicações verbais. Eles precisam de experiências. A experiência, através do exemplo, atua como professora muito mais poderosa do que meras palavras.

Leia também: Não faça pela criança o que ela é capaz de executar sozinha.

Segundo Maria Irene Maluf, especialista em Psicopedagogia e Neuroaprendizagem e ex presidente da Associação Brasileira de Psicopedagogia para a Revista Psique, Edição 122:

“se ao longo do crescimento a criança é sempre atendida muito prontamente e sem que haja urgência (por vezes até para não chorar), se não há um tempinho mínimo de espera para que seus desejos sejam realizados, ou se o são antes mesmo que ela o perceba, acaba por não desenvolver a tolerância e – pior, a não sentir falta de nada; portanto, sempre satisfeita, não consegue distinguir seus desejos, necessidades e não aprende como deveria. Torna-se assim, eternamente insatisfeita e esse comportamento se dissemina em todas as áreas de sua vida”.

A propaganda abusiva infantil tende a piorar a situação.

Leia também: Propaganda infantil e massificação

Tudo muito lindo e sedutor aos olhos infantis – aliado à pais que estão cada dia mais ocupados – faz com que eles cedam, por ilusoriamente “fazer o filho feliz”, por poder “recompensar” aquele tempo em que esteve ausente ou até mesmo para que supra aqueeeela necessidade que ele próprio teve em sua infância, mas seus pais, naquela época, não puderam lhe dar.

Pesquisas recentes do SPC Brasil e Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas, apontam que 64% das mães não resistem em fazer a vontade de seus filhos, comprando coisas sem necessidade e que 46% não impõe regras para presenteá-los.

Leia também: O que você não teve na infância não necessariamente é o que seu filho precisa

É exatamente por isso que cada vez mais rapidamente os brinquedos perdem o interesse, após sairem das prateleiras das lojas.

A vontade dos pais por satisfazer seus filhos acaba gerando um ciclo vicioso de insatisfação, onde deseja-se mais e mais e a satisfação vai embora cada dia mais rápido e, com ela, o equilíbrio emocional desse ser em formação.

Em uma sociedade microondas, a espera e a paciência são uma artes perdidas que precisam urgentemente serem ressuscitadas.

Como pais, podemos e devemos, ensinar nossos filhos de qualquer idade o valor desse esperar.

Ao não atender a sua criança prontamente, ao pedir que espere, você não está a fazendo sofrer, muito pelo contrário: Está o educando para uma vida socialmente e psicologicamente saudável e mais feliz!

Esperar é um aprendizado

Um beijo, Marrie
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25 Comments

  1. Celisse LB

    1 de dezembro de 2016 at 16:06

    Mariana Bassan já viu esse vídeo? Gostei! Isso mesmo?

    1. Mariana Bassan

      2 de dezembro de 2016 at 19:50

      Não tinha visto antes! Muito bom! É isso mesmo!

  2. Mariana Monteiro

    29 de novembro de 2016 at 22:10

    Esse vídeo é incrível, traz muitas reflexões positivas!

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