Somos de certa forma ilha, que precisamos de outras ilhas ao lado para um continente. Seres únicos navegando dentre uma imensidão de outras ilhas totalmente distintas, onde cada uma vê a mesma coisa de um ângulo totalmente diferente. Por isso, nunca agradaremos a todos e, nossa grande missão é nos rodear daqueles que gostam de estar ao nosso lado, curtem a nossa forma de ver o mundo. Que nos complementem e nos façam evoluir mutuamente.
Muitos buscam aceitação em quantidade e não em qualidade e aí mora o perigo, a falta de opinião própria, a dificuldade de dizer não e, paradoxalmente, acabam sem nenhum amigo de verdade ao lado.
Acredito que exista uma linha imaginária que dita aquele limite que cada um possui. Uns denominam como pavio curto ou longo e não gosto dessa descrição.
Eu diria que cada um tem a sua área onde coloca sua cerca, sua propriedade sentimental individual, uns instalador em terrenos mais abertos e visíveis, outros com mais muros, grades e proteções.
Essa é uma área dentro de nós onde não queremos que todas as pessoas ultrapassem. Aliás, para muitos, onde poucas pessoas são admitidas.
Mas existem aqueles que ultrapassam essa linha do outro sem serem convidadas, o que é algo de extrema indelicadeza e falta de educação. É como se derrubassem a porta de entrada de nossas casas de madrugada, enquanto dormimos, sem que estivéssemos convidado ou esperando.
Ultrapassada essa linha, perguntas não são bem vindas, pois lá nossos maiores segredos tem sua morada e não somos obrigados a dar entrada àqueles que não conquistaram nossa confiança, com a imposição de que somos fechados, chatos, difíceis. Existe uma parte de nossa alma que não precisa ser um livro aberto: quer entrar lá? Conquiste!
Achava que isso fosse óbvio, mas com o tempo, vi que muitos não entendem – e não respeitam – essa “residência profunda” de cada um de nós. E insistem em entrar, com a maior “simpatia”, e quando vetamos, passamos de antipáticos.
A verdade sempre tem muitos ângulos e facetas, mas nossa morada profunda é nossa e ninguém pode ditar o que somos. Só quem entrou nela profundamente e com a nossa permissão poderá dizer.
Por @MarrieOmetto #reflexoesplugadas

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