Harvard fala sobre o preconceito às mães no trabalho

Hoje vou discorrer sobre um artigo muito interessante e ao mesmo tempo conflitante publicado pela Harvard Business School. Ele aborda as desvantagens que a mãe enfrenta no ambiente profissional, não só em relação aos homens com ou sem filhos, mas em relação também à mulheres sem filhos (reforçando meu post de que, se algo não mudar, as coisas não se sustentarão a longo prazo).
O artigo cita que as mães que trabalham fora recebem salários de de 5 a 7% menores (por filho) comparando às mulheres sem filhos. Achei interessante este ponto. Já não basta a culpa e zilhões de jornadas que a mãe carrega, em nome do amor incondicional, continuação da espécie, da forma de trabalho a longo prazo (dependendo da visão que quiser dar), ela ainda tem que pagar um preço por esse FAVOR que presta a humanidade (falando com muita ironia, claro).
Que absurdo gente! Entendo que empresas precisam de lucratividade e não vivem de donativos. Mas também deve-se entender que mães precisam levar seus filhos ao pediatra, precisam “ter o direito efetivo” de trabalhar a jornada de 8h/dia (que apesar de CLT, muitas empresas não respeitam, principalmente quando se trata de cargos com salários bons), precisar se ausentar numa eventual doença,… Mas isso não faz dela menos produtiva, muito pelo contrário. Elas passam menos tempo nos cafézinhos para dar conta do recado! Bom, essa é a minha percepção! Já trabalhei  (antes de ter a Clara) com muitas mães super produtivas, que davam conta do recado dentro do expediente. Admiro muito isso.
Agora voltando ao artigo: as mães estatisticamente ganham menos no mercado de trabalho por PRECONCEITO.
Eles fundamentaram essa teoria fazendo o seguinte experimento: observam um processo seletivo para uma vaga de emprego, com candidatas com exatamente a mesma experiência e escolaridade. Nos processos avaliados,  a profissional sem filhos era estatisticamente muito mais considerada para a posição e, caso considerassem a que era mãe para a vaga, o salário a ser proposto era significativamente inferior. Ao analisarem o mesmo contexto, mas para o sexo masculino, não detectou-se diferença: pais e não pais recebem a mesma e justa avaliação.
Buscando a solução para os problemas maternos profissionais (#SQN), fizeram outra análise neste estudo, com o intuito de responder: Será que as mães profissionais poderiam quebrar esse preconceito, no ambiente de trabalho, ao trabalhar mais horas, estar sempre à disposição da empresa, colocando o trabalho acima de tudo e de todos?
No experimento desenhado para responder a esta pergunta, os pesquisadores identificaram que  essas mamães hiper-comprometidas eram descritas por seus chefes e colegas de trabalho como  “um dos funcionários mais produtivos que a empresa contratou recentemente”.
Este estudo conclui ainda que demonstrações de compromisso heróicas local de trabalho fez eliminar a discriminação baseada em “SER MÃE” no ambiente de trabalho.
[1 minuto de silêncio].
Concordo com o termo heróico, afinal quanto mais horas longe de casa, menos contato com os filhos e, sem julgamentos de valor, precisa de muita coragem e determinação para esta opção. Agora, apesar de concordar com o termo heroico, não acho nada justa/nada humana essa “sugestão”.
Sim minha gente, assim como vocês, eu também sei que importa pela ótica capitalista é o lucro da Companhia… Mas e o futuro de nossas crianças, cada vez mais terceirizadas precocemente (leia mais sobre os 1000 dias)? Quem vai olhar por isso?
Em Economia (em teoria), a gente aprende que o que é de interesse coletivo e todos podem usufruir, ninguém quer arcar, então cabe às políticas publicas cuidar…Ah, sim, LINDO! Se depender da nossa pátria amada, vamos debater no futuro, queridos pesquisadores de Harvard e Stanford! Infelizmente!
Agora cá entre nós: Imagina se fizessem esse estudo aqui no Brasil, onde a CLT é mais firme em relação aos direitos do trabalhador (em comparação com EUA), como os resultados seriam impactantes para as mulheres?
Ressalto novamente que achei extremamente interessantes as pesquisas realizadas neste artigo, mas considero o experimento-sugestão para o preconceito um tanto quanto óbvia (pelo menos para mim que fiquei 10 anos no mercado executivo, não há dúvidas que o interesse é por resultado, não importando o resto) e ao mesmo tempo, que não resolve em nada o problema do dilema materno-profissional.
De novo ressalto o que já escrevi aqui. Se nada disso mudar por “humanidade”, o colapso natural do sistema irá tratar disso… Pois um sistema que não se encaixa na natureza da humanidade, desrespeitando até a continuação da vida humana, não tem como seguir intacto por muito tempo.
Um beijo, Marrie
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