Olá Mamães!
Hoje fui atacada por várias mães que diziam-se fazer parte de um “grupo a favor da amamentação” (como se eu não fosse também a favor) por eu ter feito um review de uma mamadeira, onde eu paguei por ela e fiz de forma espontânea, sem nenhum patrocinador. Estava apenas emitindo minha opinião, garantida pela Constituição Federal, onde “é livre a manifestação do pensamento, sendo vedado o anonimato”.
Mesmo assim fui acusada de descaso, de fazer propaganda ilícita (onde eu PAGUEI pelo produto que estava avaliando no post) e ainda fui julgada de que o meu leite secou por culpa da mamadeira, e não do estresse familiar ao qual fui submetida, onde meu pai – uma pessoa saudável e jovem – foi atropelado, ficando dois meses na UTI e depois vindo a falecer. Tive que ouvir de uma leitora que meu leite não secou devido ao fato de que tivesse acontecido essa morte e, em seguida, a de uma tia muito querida (uma semana depois). Disseram claramente que meu leite secou por conta da mamadeira.
Primeiro pensei: Meu Deus, mas um grupo de defesa da amamentação (não vou citar qual por respeito aquelas que fazem parte mas não concordam com isso) deve sair julgando dessa forma as mulheres? Quem estava aqui na minha casa, vestindo meu calçado pode até emitir uma opinião dessas. Mas quem me acompanha virtualmente não deveria, por respeito a dor alheia, sair emitindo esse tipo de “achismo”. Um mega cyberbullyng!
Depois respirei e disse: “ah esses radicais, deixa eles”, e segui respondendo tranqüilamente, onde mais e mais farpas foram sendo arremessadas. Até por que eu acho que eles tem sim seu papel, quando não saem ofendendo as pessoas. Aí eu parei e refleti: “Meu Deus, e quem por um acaso não pode amamentar?”.
Por isso resolvi escrever um pouco da minha história.
Antes de qualquer coisa quero deixar claro que abomino radicalismos, julgamentos à mulher e essa idealização do mundo materno. Somos humanas e não perfeitas, apesar de termos uma coisa em comum: querermos o melhor de nossos filhos.
Eu entendo que informar é algo importante e responsável, e faço o que posso para contribuir com a informação, sempre trazendo links com pesquisas e outras fontes, que muitas vezes até são copiadas daqui, mas cerro os olhos e finjo não ver, para evitar confusão.
Mesmo assim, sou uma só, humanamente incapaz de agradar a todos e, não vou negar a minha história, só para agradar o senso comum vigente no momento. Minha história pode influenciar as pessoas? Sim, pode e tenho ciência disso. Mas acredito no senso crítico de cada um, para usar daqui, da minha história, o que for cabível à realidade de cada um. Não vou mentir, negar ou idealizar minha história só porque eu tenho um site de alcance. Sabem por que? Por que sou uma pessoa e não um AVATAR: sou um ser humano comum, uma mulher e mãe de primeira viagem antenada na melhor forma de criar minha filha nos valores que tenho de família, errando e acertando, mas sempre em busca do que acredito ser, nada mais, nada menos do que o que POSSO fazer de melhor.
Então vamos lá: quando Clara nasceu, sofri muito no início da amamentação. Tinha muito leite, mas a pega dos seios foi super difícil. Ela passou quase dois dias sem mamar, eu insistindo e nada. Não queria pegar meu peito de jeito nenhum. Imagina o meu desespero?
Eu era economista responsável pela área de análises de investimentos em um Fundo de Investimentos Norte Americano e, o plano inicial, era eu retornar da Licença Maternidade quando Clara tivesse com quase 5 meses (fim da licença maternidade + ferias + licença amamentação). Relatei sobre meu desligamento da empresa e decisão de não retornar ao mercado de trabalho tão cedo aqui no site, mas como essa decisão só aconteceu de última hora, Clara até iniciou na escolinha nesta época, ficando 1 semana lá, até que eu finalmente decidi ficar em casa com ela. Como ela iria para a escolinha muito cedo, e eu não queria desmamar, desde cedo eu ja tirava LM com a bomba Medela Swing (maravilhosa, não dói nada para extrair o leite) e oferecia na mamadeira para ela quando saíamos.
Sim, sei que poderia ter oferecido no copinho. Mas – NO MEU CASO – optei pela mamadeira. Eu oferecia na Mamadeira Tommee Tippee, a que encontrei com o bico mais similar ao bico do seio (lembrando que nada artificial é melhor que o natural, mas vejam bem, foi uma escolha de vida que tive e optei e ninguém pode julgar), além de ter um excelente sistema anti-colicas. Acredito que este foi um dos fatores pelos quais ela não desmamou mesmo aceitando a mamadeira. Vejam que eu necessitava introduzir a mamadeira, visto que ela iria para a escolinha muito cedo. Nem todos os berçários tem profissionais que aceitam dar o copinho.
Se quiserem saber como eu armazenava LM, acessem este post:
https://www.mamaeplugada.com.br/2014/06/como-armazenei-leite-materno/
O desmame ocorreu de forma abrupta e não planejada. Numa segunda feira pela manhã, um homem de meia idade e cheio de saúde foi até uma padaria, na cidade de Itu, interior de SP, comprar algumas coisinhas para casa. Ele era divorciado e vivia só. Quando saiu do estabelecimento, fora atingido por um carro – digirido por um jovem extremamente embriagado, sem carteira de motorista e na contra mão – sendo arrastado por este veículo até chocar com outro, parado do outro lado da rua. Esse homem era meu pai, que ficou 2 meses na UTI e depois vindo a falecer. Mesmo dizendo isso, ouvi de uma mulher e mãe, que a mamadeira foi a tragédia da minha amamentação).
Eu apaguei esse tipo de coisa, pois apesar de gostar e incentivar comentários e críticas construtivas, não sou obrigada a ouvir tamanho abuso. Ele foi atropelado em plena luz do dia, por um motorista embriagado e na contra mão. Um homem saudável e jovem. Nunca imaginei que perderia meu pai naquele dia, tão cedo, com tantas coisas que tinha para falar para ele, mas estive tão entretida com a gestação e nascimento da Clara que acabei deixando para depois.
Escorreu uma lágrima quando hoje vieram me dizer que esse tipo de trauma não seca leite. Relembrei do tempo de horror que vivi, meu pai na UTI em outra cidade, meu marido trabalhando longe de casa (viajando) e eu sozinha, responsável por um pai que estava acidentado – em outra cidade – e uma bebezinha. Meu pai é divorciado de minha mãe e meu irmão estava morando bem longe. Me senti não só responsável por ele, mas culpada por não poder me doar mais. Ia até lá sempre que meu marido vinha para casa, ele ficava com a bebê enquanto o visitava, ficava pegando em sua mão e vendo-o tentar me dizer coisas, mas os aparelhos não o deixavam se comunicar. Não pude ouvir as ultimas palavras dele, que com tanto esforço tentava proferir. Não tive ajuda, ninguém veio até minha casa ficar comigo na época. Não pedi ajuda também, sou do tipo que não pede auxilio e admito – sofro com isso. Mas a pressão de não poder estar sempre lá na UTI (pois não era possível entrar com bebê) e de uma nova realidade quase me afundou. Estava no fundo do poço.
Mesmo assim, diante de tanta coisa acontecendo, eu amamentava Clara e ainda usava muito a bombinha para tentar “ressuscitar” o LM e até estava com muita dificuldade conseguindo (apesar da Clara dormir a noite toda, quando isso aconteceu eu acordava de 4 em 4h para extrair LM e tentar não baixar a produção). Tomei muito chá da mamãe (da Weleda) e medicações que o médico passou para não deixar o leite secar (Tomei Equilid e Motilium – nunca tomem medicação sem consultar um médico, PELO AMOR DE DEUS).
Porém uma semana depois da morte de meu pai, minha tia super querida, irmã dele, veio a falecer também, e ai ja era! A última gota de LM virou pedra!
Assim foi o desmame da Clara. Foi triste. Escrevo este post em lágrimas. E peço para quem só ataca a favor de uma causa, antes pense que, a realidade que vivem pode não ser a da outra.
Ser a favor da amamentação não pode se sobrepor a ser a favor da humanidade. Hoje não tiveram humanidade ao atacar minha história. Ao atacar o que fez meu leite secar.
Opiniões sim, farpas e ataques não!
Mais união mães, por favor! Leite sim, amor sim, mas mais compreensão e menos sapatos arremessados e mais sapatos calçados.
Assim como eu vivi meu luto, cada uma vive um luto. Cada uma com uma história. Uma mãe que só quer o melhor para seu filho não deveria ser julgada assim.
Vamos fazer desse mundo materno um mundo melhor!
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Fernanda C. Tessaro Deschamps
21 de agosto de 2016 at 02:49É… Quando nos tornamos mãe aprendemos que as coisas não acontecem do jeito que imaginávamos e não temos controle de tudo. Mas sem dúvida somos a melhor mãe que poderíamos ser para nossos filhos e a plateia que cuide do seu próprio nariz! Julgar é fácil quando não usam o nosso calçado… 😉
Sabrina Colares Nogueira
13 de agosto de 2016 at 09:24Mãe, lindo seu relato! Sinto em seu texto profundo rancor no que se refere aos idiotas, extremistas que te julgaram…esqueça disso…Quem julga por si só já erra. Eu sempre dei mamadeira com leite materno porque meus mamilos se desintegrarAM e nem por isso mna bb desmamou (até hj elá mama 8 meses). Além disso, só a mãe sabe as dificuldades do caminho. ..ninguém mais. Eu tbm tive um blues terrível e fui julgada…o que só piorou…mas levantei a cabeça e disse a todos: sou humana, a filha é minha e vocês são insensíveis, até que se tocaram…Portanto, continue sua missão de dizer a verdade sobre as felicidades e tristezas da maternidade.
Patricia
29 de julho de 2016 at 11:35Puxa, fico muito triste com essa competição materna… mais amor, por favor. Parabéns pelas decisões tomadas, pela família linda e por compartilhar sua vida com a gente. Fiquei muito emocionada e sensibilizada com o teu post. Um abraço muito apertado em você.
Monique Favila
26 de julho de 2016 at 04:13Minha amiga não fique triste com essas mães cheias de mimimi… Com stress o leite diminui sim e muito! Um dos meus seios secou, a introdução alimentar nos 6 meses da minha filha foi um caos (eu chorava todo dia). Fico revoltada com essas mães cheias de pudores que não erram e não falham nunca ( são umas hipócritas) adoram apontar o dedo para nós, mães que assumem serem humanas, todas nós falhamos todos dias, ou toda semana com nossos filhos. Ser mãe é uma das tarefas mais difíceis de uma mulher, lidamos com os extremos o tempo todo e somos felizes mesmo assim!
Meus sentimentos pelos teus entes queridos.
Fica com Deus vc e sua família!
Estamos juntas…
Mães sem mimimi ?