Minha teoria sobre o amor

Ouço muitas pessoas me dizendo que olha nos filhos e recarrega energias para o casamento. Me peguei pensando nisso e confesso que não acredito nessa teoria.

Uma coisa é eu ser uma boa mãe, e meu marido ser um bom pai. Mas somos bons esposos um para o outro?

Acredito que temos um coração enorme e podemos distribuir muito amor. Porém não acredito em baciada de amor, onde se coloca todo mundo numa bacia, não se dá atenção para ninguém de forma a enxergar a individualidade de cada um, e dizemos estar todos muito bem assim. Acredito numa teoria minha fundamentada em vasinhos de amores.

Um vasinho de amor próprio, que na vida adulta depende só da gente para florir (mas que para a criança, precisamos auxiliar a semear).

Um vasinho com uma bela Rosa muito frágil, o amor companheiro, dos relacionamentos.

Um vasinho de amor materno/paterno, que independe do vaso que regamos com o relacionamento amoroso, mas que gera seiva para o amor próprio da criança florir.

Desculpem os românticos, mas não acredito em abastecimento por sobreposição de papéis, por que o protocolo social manda. Minha fome de amor não pode ser sanada por eu ter um bom pai pra minha filha. Quero um companheiro.

Por isso faz-se tão necessário um preciso um respiro de nós dois quando não se tem tempo para mais nada. Por mais que priorizemos a criação com apego, é preciso em algum momento esvaziar a cama repleta de crianças na calada da noite e assim garantir um pingo de privacidade. É sim preciso regar o vaso do casamento e olhar para ele e para suas necessidades, não só cuidar do vaso da maternidade e esperar que tudo ficará bem. E, como se não bastasse, nunca esquecer-se do seu vaso de amor próprio, pois só distribui amor, quem tem amor.

Qualquer amor, independentemente de qual, só sobrevive de regas. De cuidado. De atenção.

Tomo muito cuidado para não encharcar um vaso e deixar o outro solo como um deserto ártico. Seco. Gélido.

Preciso estar feliz comigo mesma para ser feliz com outrem.

Preciso ser feliz com outrém para que meus dias em família sejam prazeirosos e dignos de serem vividos.

Mas não precisamos desse outrem para sermos boas mães/ bons pais. Isso é um fator independente.

Buscar força nos filhos para segurar um relacionamento, na minha opinião, é jogar vida pela janela.

É preciso que valha muito a pena por si só, para que se ame! Se precisar de muleta, não é amor, ou ele já murchou por falta de rega!

Por Marrie Ometto, autora de “Desapareci ao Virar Mãe, Mas Reencontrei-me”, disponível para vendas na Amazon (link http://bit.ly/livrodesapareciaovirarmae), Editora Bianch e Livraria Cultura.

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