Não quero que minha filha cresça normal

Alice: Chapeleiro, você me acha louca? 
Chapeleiro: Louca, louquinha ! Mas vou te contar um segredo: as melhores pessoas são assim!

Alice no País das Maravilhas

 

Criança nasce criativa. Monta quebra cabeça ao contrario, junta peças azuis com vermelhas, encaixa círculos em quadrados. Desbravam ambientes, sem noção do perigo.

Conforme vão crescendo, vamos podando essas habilidades delas, muitas vezes por questões de segurança: não deixamos que façam vôos do alto da mobília, que cheguem perto do fogão ou que ponham seus dedos na tomada. Mas ainda que não sejam questões de segurança, podamos outros potenciais criativos, apenas para seguir com os padrões da normalidade: ensinamos a juntar azul com azul/vermelho com vermelho, a rabiscar em papel, a montar o Lego conforme instruções da embalagem e a não mais sair “fora da caixinha”. Ou seja, sem querer, matamos a criatividade delas lentamente, para que elas sejam “crianças normais”, “crianças padrão”, “crianças na média escolar”, sem sequer nos lembrarmos que, um dia, o mundo cobrará delas a criatividade que fomos sufocando ano após ano.

Quero minha filha ética, respeitando o próximo e o mundo em que vive, isso sim. Mas no que tange ao status quo das coisas bestas da vida, quero que ela tenha o direito de OUSAR.

Não, não quero que minha filha cresça normal. Ou melhor, não quero contribuir para que ela siga um script que a sociedade impôs a mim como educadora e a ela, como criança em formação.

Eu quero que a gente possa seguir nossa própria peça, que façamos o nosso próprio espetáculo. Quem foi que disse que vermelho tem que ir com vermelho? E que o lego não pode ser montado de ponta cabeça? Eu quero é que ela se permita testar o óbvio, enxergue onde estão todos cegos, viva sem amarras bobas.

Eu não quero que digam como ela deve ser vestir. Se está na moda ou não.

Eu quero ver minha filha refletindo em suas vestimentas aquilo que sente, seu estado de espirito no dia, seu estilo proprio, pessoal e único.

Não quero que minha filha cresça normal. Dependendo de aceitação popular.

Eu quero que ela seja segura, e dependa da satisfação dela em realizar aquilo que terá como missão nessa vida.

Eu não quero que minha filha cresça normal, tomando comprimidos para curar uma dor de coração.

Eu quero que ela aprenda a sentir a dor da decepção, chore e veja que aquilo além de passar, trás um aprendizado!

Eu não quero que minha filha cresça normal, sendo obrigada a dar beijos abraços e demonstre carinho à quem nunca lutou por seu afeto quando criança.

Eu quero que ela seja dona de sua vontade desde cedo, no que tange o seu próprio corpo.

Lei mais em: Não obrigue seus filhos a dar beijos e abraços em parentes

Eu não quero que minha filha cresça normal. Que culpe o governo, o pai, a mãe, o papagaio por não conseguir terminar algo que almeje.

Eu quero que minha filha lute incessantemente pelo que acredita e entenda que, quem quer de verdade, avalia todo o ambiente e consegue driblá-lo para conseguir o que almeja.

Eu não quero minha filha padronizada por notas escolares. Testes iguais para crianças completamente diferentes.

Quero que sim, estude, pois só quem conhece muito bem as regras é capaz de rompê-las de forma criativa. Mas que também saiba o valor de se ajudar o próximo, de se desenvolver naquilo que ama, de crescer e aprender no seu próprio tempo. Quero que entenda que, sobretudo, ser feliz é a maior chave para o sucesso. Quero que saiba que não estamos numa corrida de Fórmula 1.

Eu não quero que ela cresça normal, tendo que se enquadrar em alguma categoria.

Eu quero sim que ela se ame e aceite seu estilo próprio. Eu quero que ela seja exatamente quem ela é! Eu a quero aceitando-a como ela é! Amando-a como veio ao mundo.

Eu não quero que ela cresça acreditando que as celebridades em revistas são mais perfeitas, talentosas ou melhores que ela.

Eu quero que ela tenha consciência de que essas pessoas públicas são tão comuns quanto qualquer outras que caminham pelas ruas: que sentem fome, frio, sorriem, choram… E hoje em dia, olhar para uma celebridade de igual para igual virou coisa anormal!

Eu não quero que ela cresça normal,  acreditando que a única maneira de ser feliz seja conseguindo um trabalho que lhe pague bem, mas que odeie e lhe aprisione para sempre. Não quer que ela venda a alma pelo dinheiro.

Eu quero ter o ORGULHO de ver ela CRIAR um trabalho que ame. Algo que encha sua alma com paixão e consequentemente faça com que isso não pareça trabalho. Quero minha filha tendo a oportunidade de trabalhar com aquilo que a faz sorrir. Sem amarras de que o que ela escolheu é promissor ou não. Eu quero que o dinheiro venha para ela como um meio pelo qual sua missão de vida vem sendo reconhecida.

Eu não quero que minha filha cresça normal, acreditando que desde criança teria que ter criado uma rotina de executivo, aprendendo não só o inglês, mas o francês, alemão, chinês, tailandês, robótica, física quântica e astrologia…

Eu quero que minha filha viva um pouco. Aproveite a infância e a juventude. Quero que viaje com a mochila nas costas, como eu tive oportunidade de fazer, na época trabalhando para pagar minhas custas nas viagens.

Eu não quero que minha filha cresça normal, achando que 17 anos é a idade de se entrar num curso superior. Quero sim que estude, pois o intelecto é algo que levamos conosco para sempre. Mas que estude aquilo que ela goste, que tire proveito na sua vida. Prefiro que entre aos 25 no que ama, do que entre aos 17, mas entre e saia de diversos cursos, sem saber aonde ir.

Quero que ela tenha em mente que quando não se sabe aonde quer chegar, qualquer caminho serve. Mas que não adianta cobrar da rota aquilo que passe a almejar no meio do percurso.

Eu quero que minha filha faça as coisas quando se sentir pronta. Que sim estude, se forme, trabalhe, mas que permita-se se achar antes, para traçar um caminho mais feliz. Menos normal, mais tardio, mas mais acertivo e criativo.

Eu quero que ela faça quando estiver pronta e não quando a sociedade dita que ela deva fazer.

Eu quero que minha filha veja sem essas amarras da sociedade, que só faz nos cegar! E que o que ela espalhará, e não o que ela juntará, definirá como ela viverá!

 

Por Marrie Ometto #ReflexoesPlugadas

nao quero que minha filha cresca normal, padronizda

 

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https://www.mamaeplugada.com.br/2015/11/voce-incentiva-a-criatividade-do-seu-filho/

 

19 Comments

    1. Mari Benjamin

      18 de junho de 2016 at 01:17

      Perfeito Carol e a cara da Maricota! Acho que ela já está ensinando td isso pra vc!!! ?

  1. Maria Eduarda Sa

    18 de junho de 2016 at 00:23

    O a sempre falamos sobre Jojo.. Ederson Rezende

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