Amamentar não promove a mágica de cancelar o excesso de calorias ingeridas ou peso adquirido, apesar da propaganda que fazem! É indiscutível que a amamentação é excelente para saúde da mãe, do bebê e para a promoção vínculo mãe e filho, havendo uma lista enorme de benefícios, mas a amamentação em si, apesar de promover o alto gasto de energia (e calorias), ela em si NÃO promove o emagrecimento. Entenda o porquê aqui.
A equação é simples: se você comer demais, irá engordar. E a propaganda do quanto amamentar é bom deve nortear a saúde do bebê e da mulher, não a fórmula magica do emagrecimento!
Quando engravidei, eu engordei 18 kg. E todos me diziam do poder da amamentação para me emagrecer: meus médicos, os estudos que lia, os artigos, as amigas, as novas mamães ao meu redor. As famigeradas 750kcal por dia que potencialmente perdíamos na amamentação eram adicionalmente motivadoras, além e principalmente, é claro, dos benefícios da amamentação para a saúde da criança, da mãe e do vínculo mãe e filho.
E eu, como mulher vaidosa, não só amei como me agarrei a isso. Eu estava empolgada, principalmente pois acredito demais no vínculo mãe bebê da amamentação, mas as frases tornavam tudo ainda mais atraentes, afinal, que mulher vaidosa não coloca isso na lista de belezuras da amamentação? Quem não quer ficar ainda mais linda pós filhos, mesmo que isso não seja prioridade?
As frases eram:
“Eu perdi tanto peso fazendo isso!”
“Voltei meu peso só amamentando”
“Eu comia de tudo e ainda assim emagrecia!”
Ee esforcei muito para amamentar e o teria feito de qualquer forma: com ou sem promessa de emagrecimento, pela saúde da minha filha que era o primordial. Insisti diante de um cenário onde muitas teriam desistido: Meus peitos jorravam leite e minha filha não pegava, tive glândula mamária suplementar na axila e mal fechava os braços a gente não se acertava na pega. Ela chegava a berrar de fome e eu lá insistindo, ordenhando, colocando no copinho e tal. A dor era imensa, mas eu sei o quanto aquilo era importante e eu insisti. Até que, com ajuda profissional, em uma semana, acertamos o passo, mas esses 7 dias em que não acertávamos foram dias muito exaustivos.
Valeu demais a pena. Eu tinha muito leite e doei por bastante tempo litros de leite maternos semanalmente para hospitais públicos.
E até cheguei a emagrecer no começo, achando que que fosse pela amamentação. Mas com o tempo, ou a falta dele – aliada à falta de sono, os distúrbios hormonais, o stress e a falta de tempo para caminhadas – não emagrecia mais, e sim, engordava.
Não me interpretem mal, dá até medo de falar sobre amamentação e parto, devido ao radicalismo que se instaura nesse meio em relação à só se poder falar o que é admitido falar, não cabendo aqui novas discussões ou pautas. Eu sou devota e super a favor do aleitamento materno, pois os benefícios são inúmeros – e eu amei amamentar até quando pude (leia mais aqui).
Há uma lista de benefícios para a mãe também, como redução do risco de câncer de mama e diabetes, mas sinceramente, com o tempo, a mensagem de que o aleitamento materno está diretamente correlacionada com perda de peso foi me deixando com “a pulga atrás da orelha”. Então, sou contra à propaganda de que amamentar emagrece por si, como é feita.
Achei que o problema fosse só comigo, mas não entendia o porquê: minha genética é magra. Minha mãe é minha, minhas avós, são/foram todas super magras e meu pai faleceu sem ter nem sequer barriga de chopp.
Observei ainda mais afundo, fora do meu circulo genético e vi que, também à minha volta, várias mães também não estavam perdendo peso amamentando.
Foi quando caiu a ficha de que isso não acontecia só comigo: Tinham várias outras mães ao meu redor também querendo perder aqueles 5 quilinhos que insistiam em não sair, remanescentes da gestação e descobri que, embora seja verdade que o ato de amamentar queima muitas calorias para a produção do leite, o corpo também requer energia na forma calorias. E dá o comando para que nossa fome seja muito maior… E contra fatos não há argumentos: dependendo do que você atacar na geladeira, isso irá se sobrepor muito além das 750 kcal que a amamentação promete queimar de calorias diariamente.
Assim, ao contrário da opinião popular, amamentar não ajuda você a perder peso, pois as mulheres precisam comer algumas centenas de calorias extras por dia para manter-se bem e produzindo leite.
Cientificamente falando, o que auxilia nesse processo é a prolactina, um hormônio que estimula a produção de leite e que TAMBÉM estimula a fome e, em alguns casos, suprime a capacidade do corpo de metabolizar (leia artigo cientifico, em língua inglesa, aqui).
Sim, podemos comer bem. Mas se fossemos instruídas à isso desde o começo, né? E não iludidas de que a natureza nos faria emagrecer.
Mas então por que tantas mulheres parecem perder peso sem esforço enquanto estão amamentando?
Existem muitos fatores que não estão relacionados à amamentação. O corpo pré-gestação, o ganho de peso na gestação, exercício moderado, sono e baixos níveis de estresse ajudam a manter o metabolismo acelerado – todas as coisas que eram muito difíceis de eu obter quando eu fica presa em uma cadeira horas por dia com um bebê recém-nascido, sem ajuda. Além disso, o corpo armazena cerca de 3,6kg de gordura para preparação para a amamentação. E, por isso, apesar de muitas emagrecerem amamentando, isso não é regra, é mito, afinal muitas mulheres vivenciam o ganho de peso durante a amamentação.
O Royal College of Midwives (RCM) não defendem que os profissionais usem a perda de peso como um incentivo à amamentação – o foco está nos benefícios de saúde para mamãe e bebê, já que enquanto a amamentação queima calorias, outros fatores trabalham para que a mamãe sinta fome e possa comer muito mais do que gasta.
Eu, por exemplo, tinha uma fome de leão. Não me exercitava mais como fazia na gestação (que fazia pilates e hidroginástica 4x na semana), até por que a minha Obstetra havia liberado apenas caminhadas leves enquanto amamentei. Não dormia direito pois amamentava a cada 3h durante a madrugada e ainda precisava fazer todo o resto da casa sem ajuda nenhuma.
E quando ocorreu o desmame, minha fome diminui muito. Até os médicos confirmam que a fome dá uma cessada quando paramos de amamentar. Comecei a poder voltar a treinar de forma mais forte e aí sim consegui finalmente começar a voltar à forma.
Tudo tem sua hora. Pressa para que, né? Se a gente quer ser mãe, deve estar preparada para, pelo menos em um momento da vida, priorizar nossos filhos. A estética a gente tem a vida toda para correr atrás!
Mas o fato de pregarem que amamentar emagrecia me fazia sentir um ET. Por que só eu não consigo? Aí eu entendi!
Sim, eu certamente poderia ter comido melhor, bebido mais líquido, buscado descansar mais (não sei como, mas tudo bem), me organizado com as caminhadas leves prescritas pela minha médica, mas para uma mãe de primeira viagem esgotada, teria sido bom não me agarrar apenas à amamentação como principal fator de volta ao meu peso. Já eram tantas coisas para eu me sentir um ET (mudança no “clima” do casamento, na carreira, na vida em si), que eu poderia não ter me iludido com isso.
Enfim, eu poderia ter sido melhor orientada. Teria sido muito útil saber que a amamentação, mesmo tão benéfica como se prova ser dia após dia, não é semelhante a uma pílula mágica de perda de peso.
Um beijo, Marrie
Leia também:
https://www.mamaeplugada.com.br/2016/03/carta-de-um-recem-nascido-sobre-amamentacao/
https://www.mamaeplugada.com.br/2016/07/meu-relato-de-desmame/
https://www.mamaeplugada.com.br/2015/08/tipo-de-mamilo-interfere-na-amamentacao/

ARA EDNA
18 de junho de 2021 at 22:45Também não emagreci nada amamentando.engordei foi mais.da uma fome de leão!!!
Heloisa Silva
21 de abril de 2021 at 08:49Melhor matéria sobre o assunto! Estou com bebê de 3 meses e assim como na gestação anterior não perdi nada amamentando mesmo sendo em livre demanda e exclusiva. Não usei leite suplementar em nenhum dos meus filhos. O que se deve admitir é que isso de emagrecer com o “milagre da amamentação” simplesmente não funciona pra todas!
Erika
13 de fevereiro de 2021 at 11:02Obrigada por escrever seu relato da amamentação, pois estou me sentindo assim como se sentiu um ET. Porque imaginei que logo iria emagrecer amamentando e, infelizmente, até agora nada. Estamos em livre demanda há 2 meses e ontem me olhei no espelho e percebi o quanto estou gorda logo eu que usava 34 agora me encontro no 40. E sem contar com uma chuva de hormônios a flor da pele é uma mudança e tanto passar por esses primeiros meses, gratidão.
Grazi
25 de novembro de 2020 at 17:20A mulher emagrece muito quando amamenta em livre demanda – e mesmo comendo muito, porque é impossível comer pouco. E acredito que o mesmo não ocorra quando as mamadas são reguladas (ex. com limitação, somente a cada 3h ou afins). Emagreci muito, comendo muito e meu bebê mamando o dia todo – assim se foi o peso ganho na gestação e mais vários quilos, ficando bem mais magra que o habitual. Isso foi uma consequência, não um objetivo. A nossa amamentação foi bem difícil nos primeiros meses, mas seguimos firmes e sempre visando a saúde do meu bebê, e a minha.
Marrie Ometto
2 de dezembro de 2020 at 17:16aqui é livre demanda, nada de regulado, nada de perda de peso…
Camilli raizer
20 de maio de 2021 at 16:27Aqui tbm, livre demanda e sinto que até engordei. Agradeço sua partilha pq eu estava me sentindo a única mãe azarada q não emagrece amamentando rs