O que não teve na infância nem sempre é o que seu filho precisa

Livros e mais livros nos bombardeiam com técnicas de como modificar o comportamento dos nossos  filhos, né? Poucos abordam que a mudança começa sempre da gente…

 

Fico feliz em ver este quadro está mudando através de pesquisas que estão apontando a bússola para o outro lado (PsychologyToday). Primeiro porque não é saudável mudar ninguém. Somos seres únicos e dotados de um comportamento que precisa ser socializado, mas nunca mudado. Depois porque muitas das respostas, que inclusive eu percebi nesses dois anos de maternagem, é que a resposta está em nós mesmas.

 

O que nós faz bons educadores não está no poder de mudar seu filho, mas sim no nosso auto-desenvolvimento. No escutar nossos instintos. No aplicar apenas aquilo que cabe no nosso dia a dia. Em conhecer a nós mesmos e aos nossos filhos intimamente, para ter criticidade para escolher os melhores caminhos.

 

Acontece que, quando nascem nossos filhos, lá no íntimo, resgatamos sentimentos não resolvidos da nossa infância e, por querer sempre o melhor para esses anjinhos inocentes e puros, buscamos suprí-los com aquilo que não tivemos. Quantas pessoas eu já vi dizendo assim: “Eu não tive isso, então meu filho vai ter!”.

 

Porém, quem te disse que seu filho quer o que você quis na sua infância? Pode até ser que ele aceite de bom grado. Porém, você der a ele de forma espontânea, sem ele desejar, aquilo não terá o valor para ele como teve para você (chagando até a marcar sua infância). E essa desconexão emocional pode até causar ressentimentos de nossa parte, do tipo, “poxa, eu quis tanto isso, por que meu filho não dá valor?”.

 

Quando eu disse que a melhor maneira de sermos bons pais é nos conhecendo e conhecendo a nossas crianças, respeitando todos os envolvidos como seres únicos (diferentes). Devemos usar isso para deixar quaisquer pendência que temos com o passado lá mesmo, nunca projetando elas aos nossos filhos (a não ser que seja de desejo deles também). Se conhecer, se desenvolver, seguir sua vida com alegria e felicidade são as melhores maneiras de você educar com  positividade e proximidade.

 

“Meu filho não quer comer, o que faço?”. Fique tranquila. Pediatra da Clara vive dizendo: “Crianças pequenas não fazem greve de fome, mas se você insistir, além de estar fazendo da hora das refeições um momento super desagradável do dia, pode causar alguma disfunção alimentar”. Eu resolvi isso aqui em casa, quando Clara não queria comer, corrigindo a mim mesma, não a ela.

 

Como? Da seguinte forma: “Não quer comer? Então ok, não coma”. E retiro o pratinho da mesa. Ela fica feliz da vida. Só que não cedo a besteiras ou outras coisas que ela queira comer, a não ser que esteja doente. Sigo com o cronograma alimentar normal, onde ela voltará a se alimentar depois de 3 horas. Isso fez com que ela entendesse que, se não quisesse comer, ok, mas não haveriam substituições e, muito menos, stress da minha parte. As refeições passaram a ser prazerosas e, por mais que ela não sentisse fome, sempre pegava do prato aquilo que mais gostava, só para “beliscar”, garantindo que aguentasse até a próxima refeição, lanche ou leitinho.

 

Fiz assim, eu mudei. Parei de me estressar, entendendo ela e não caindo em pressão. A calma fez com que eu a entendesse e ela a mim, aumentando nossa conexão e assim resolvendo o mal pela raiz. Dar o que a criança quer ou ficar atras para que coma forçadamente é “apagar o fogo”, que se repetirá diariamente.

 

Não projete no seu filho o que você quer que ele seja. Ele não é produto do seu desejo e sim uma pessoa em formação, mas com personalidade própria. Tenha calma, analise a situação, olhe para si e pergunte-se “isso é mesmo necessário? Preciso obrigar meu filho a escovar os dentes,
mas preciso obriga-lo a ser extrovertido, só por que eu quero que ele seja?”.

 

Lembre-se: Você é o modelo. Crianças fazem o que os pais fazem, não o que eles dizem. E respeito gera respeito. Calma gera calma. Afeto gera afeto.Amor próprio gera amor próprio e segurança. Segurança muito do que faz uma criança feliz.

 

Muitos pais abdicam de img_3490.jpegtudo o que amam fazer, em virtude de seus filhos. Não quero dizer que isso é errado, é uma escolha e fruto de um amor incondicional, amor doação. O errado seria que se esquecesse de você em detrimento do citado acima. Estando infeliz, que modelo será para seu filho? Quer a felicidade dele? Seja feliz! Viva sua própria vida e não deixe nas costas dele o fardo de “ter tirado muita coisa boa da sua vida”.

Sim, as coisas mudam e muito pós maternidade. Não temos tempo para sair como antes, estar com as amigas, passar horas diante do espelho nos embelezando ou na academia. Mas dá para ser feliz de uma forma equilibrada. Não precisa abdicar de tudo, mas siga sua vida, como fênix que ressurge das cinzas, reviva sua felicidade pós maternar.

A melhor forma de ajudar nossos filhos a não sacrificando-nos para eles, mas por tentar cumprir nossas próprias vidas. Quando estamos envolvidos em uma busca honesta de nossos objetivos, servimos como exemplos positivos para eles. Para ensinar nossos filhos como viver bem, temos que valorizar a nós mesmos verdadeiramente, aceitar todos os nossos sentimentos, desejos e prioridades, e participar ativamente em nossas próprias vidas, não só das deles.

Por exemplo, você teve que deixar o emprego para ficar mais tempo com seu filho, mas gostava de trabalhar? Então procure uma atividade que possa executar de casa. Olhe para si e achará as respostas sempre. Digo com propriedade isso, pois abdiquei de uma longa carreira de economista para ter tempo com a Clara e hoje trabalho de casa em horários flexíveis. Passei um longo ano perdida, tentando me reencontrar, e hoje me sinto feliz e satisfeita com minha escolha. A gente tem mais forca e criatividade do que imagina!

Em vez de viver suas próprias vidas, muitos pais vivem através de seus filhos, agindo muitas vezes guiados pela “fome emocional”, em busca de dar o que julga-se melhor, mas que na verdade é aquele desejo insatisfeito privado de sua própria infância. Muitos pais confundem intensos sentimentos de necessidade que tiveram e com sentimentos de amor genuíno.

Ao invés de nos esforçarmos para cumprir um papel de um pai ou mãe “perfeitos”, que tal  sermos apenas reais e admitirmos nossas falhas e fraquezas? Que tal  dividir com eles as nossas histórias de vida, nossos desejos na idade em que eles se encontram, revelando nossas lutas pessoais e sucessos, de forma mais honesta possível? Em última instância, essa humanidade e compaixão dos pais por si mesmos serão atributos muito importantes para criação dos filhos.

E, por ultimo, precisamos entender as expressões espontâneas de nossas crianças de carinho e amor para conosco e com os familiares com os quais estabeleceram vínculos afetivos. Isso parece óbvio, mas pode ser a tarefa mais difícil enfrentado por nós como pais, como podem ver em discussão ao post “não obriguem seus filhos a dar beijos e abraços em parentes“.

 

Viva a sua vida positivamente, seja feliz e honesto com seus sentimentos e terá meio caminho andado para o que mais buscam como pais: a felicidade de seus filhos!

Um beijo, Marrie

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15 Comments

  1. Bruna Rodrigues

    3 de agosto de 2016 at 01:17

    Olha Demaira Volpato o que estávamos conversando hoje…

    1. Demaira Volpato

      3 de agosto de 2016 at 01:26

      legal…penso assim mesmo, não dou o que não tive, procuro dar a eles aquilo que eles precisam… o que é importante…

  2. Silvana Barros

    2 de agosto de 2016 at 15:49

    Não importa se o bolo do lanche foi comprado, feito por VC ou se tem cobertura de chocolate! O que importa é saborear o bolo juntinho aos filhos! Eles querem a nossa cia! 😉

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