Medos e minha escolha por tipo de parto…

Vem chegando a data do parto e, literalmente, “a agua batendo na bunda”. É preciso pensar sobre aquilo que sempre me amedrontou, desde que ainda era uma menina que brincava de bonecas e dizia que era a tia, pois nao seria mãe para não ter que parir…Sim, não nego, sempre tive medo de partos e nunca nem a terapia me resgatou disso.

Engraçado é que sempre senti medo do parto normal. Da dor. Desde criança. Seria por conta de ter estudado em colégio católico e ter a imagem da cena: “parirás com dor”, após expulsão de Eva do paraíso?

Talvez…

O fato é que a (falsa) sensação de controle que a casaria proporciona nunca me causou medo, como o parto normal me aterrorizava. E, para minha surpresa, do nada, agora no fim da gestação, estou mais certa do que nunca que quero tentar aquilo que sempre me aterrorizou: o parto normal…

 

 

Da véspera do natal (24 para 25) para hoje (26.12.19), senti minha barriga um tiquinho mais baixa, vocês não acham?

Mostrei nos instastories a barriga de 38 semanas de gestação de vários ângulos e respondi algumas perguntas sobre parto que vocês tem me feito. Ressalto que, não estou justificando manda a ninguém, são MINHAS escolhas, não cabendo a ninguém criticá-las, ainda mais num momento tão especial como esse. Mas senti vontade de abrir meu coração aqui com voces, pois sei que muitas tem esses mesmos sentimentos e muitas vezes, calam-se diante do medo das pedras:

  • Relatei ha algum pra vocês que tenho medo de parto: já li, reli, assisti tudo quanto é documentário, relato, estudos, material,… é algo meu que nem terapia curou.
  • No parto da Clara – mãe de primeira viagem, cheia de incertezas e querendo controlar a situação – nem cogitei parto normal. Tive medo. Meu marido viajando demais à trabalho, família longe, sofria com constante desespero em ter que ir a um hospital sozinha. Foi uma cesária tranquila, em 5 dias fazia tudo. Hoje o corte nem aparece mais. Ela nasceu de 38 semanas, 3,660 kg.
  • Nessa gestação, o medo do parto perdura. Mas não pensava mais em cesária como da outra vez. Portanto, não agendei. Agora no final da gestação, senti uma vontade muito grande de tentar o parto normal, sem radicalismos, se não der, ok tb. Vou tentar esperar a hora do Lucca, ciente de tudo o que se vem falando por aí sobre o tema, mas também que, se necessário, cesária salva vidas sim.
  • To muito ansiosa. 38 semanas de gestação e o único sinal que tenho são dores no osso da virilha, em especial a noite. To cheia de líquido aminiotico, colo de útero firme, barriga alta, ansiedade a mil.
  • Quero esperar o Lucca escolher a data em que quer nascer, mas aguento isso até 40 semanas de gestação e alguns dias, no máximo. Mais que isso, sai do meu controle psicológico.
  • Não sei explicar da onde veio, justo em mim, essa vontade louca de tentar um parto normal sem indução e sem analgesia. Mas me deu. Talvez seja pelo fato de estar mais relaxada e de não querer ter tanto o controle das coisas (controle esse que a cesárea proporciona e, no parto normal, a gente não sabe exatamente no que vai dar. Tentamos, mas no fim, quem manda é o acaso). Serão os hormônios os responsáveis por essa mudança de opinião repentina?

Bom, é isso, explico acima todas as maiores dúvidas que recebo entre as perguntas que me enviam. Hesitei muito a falar sobre isso, pois sei dos radicalismos que pairam no ar quando o tema é parto e, nessa altura que estou, não quero que me apontem dedos, até porque, não devo satisfações a ninguém.

Porém, em consideração e respeito a tanta gente legal que me segue por aqui (muitas até antes de eu ter a Clara) e me faz essas perguntas, eu resolvi abrir meu coração e mostrar que nem tudo é o politicamente correto ou o que uma vertente da moda quer ouvir: somos humanas, constituídas de medo, ansiedades, instintos, hormônios…
Certa de que meu relato ajudará muitas outras mulheres que pensam assim e não tem coragem de se expor, dada a repressão que paira sobre o tema.

Me desejem boa hora! Já noas aguento de curiosidade de conhecer meu baby Lucca!

Um beijo grande, Marrie.

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