Consumo por consumo infantil, massificação, hipnoses por propagandas, desejos por brinquedos que são utilizadas por 5 minutos e olhe lá…
Gente, uma panela faz mais sucesso que uma boneca de alto valor na primeira infância. Quem tem filhos pequenos em casa entende plenamente o que estou dizendo. Aqui Clara passa horas no desvendar do armário da cozinha, fazendo “arte” ao desarrumar coisas ditas “proibidas” e ao desbravar sofás ao estilo pico do Everest.
Percebe-se que na primeira infância, crianças não precisam de brinquedos caros. Não precisam daqueles barulhos inebriantes dos objetos a pilha. São totalmente alheios ao valor monetário das coisas. O interesse é a descoberta pelo mundo, sendo acompanhar a caminhada de uma formiga mais interessante do que um caríssimo Furby (posso afirmar isso pois Clara brincou muito na primeira semana e agora o mesmo encontra-se dormindo profundamente na estante).
Porém senti uma enorme mudança quando Clara passou a assistir propagandas focadas diretamente aos pequenos, principalmente em canais de TV fechados. Ela passou a ficar vidrada nesses comerciais (realmente a equipe de marketing está de parabéns, chamam muito a atenção das crianças) e me peguei vendo ela repertir algumas musicas e ainda dizer “qué esse” e apontar para a propaganda.
Tenho uns pôneis que uso para decoração do quarto da Clara. Eles foram desejo de consumo meus, pois amava pôneis na minha infância. Como Clara não ligava muito, deixei decorando os módulos do quarto dela. Porém, após ver as propagandas nos canais de TV infantis, passou a pedir os pôneis (mesmo não curtindo o desenho animado). Dura 5 minutos a brincadeira. Não passa disso. Imagina se eu tivesse comprado por causa do pedido dela? Gastaria uma nota e renderia 5 minutos de diversão….
Nada contra os pôneis, muito pelo contrário, eu sou fã…Sou contra essa propaganda indiscriminada com foco exclusivo num público consumidor potencial (ainda não formado) tão jovem. Sou contra essa mentalidade e cultura “consumo por consumo” tão já disseminada e implantada nos cérebros dos nossos pequenos cada vez mais cedo (minha Clara recém completou 2 aninhos).
Uma coisa é a criança pedir um brinquedo/personagem por que goste e se identifique com o desenho animado. Outra bem diferente são propagandas massificadoras manipulando crianças, ou pior, por algumas vezes conduzindo pais a consumirem coisas que não serão aproveitadas a contento.
Percebendo isso, estou evitando esses canais que notadamente tem muitas propagandas voltadas ao público infantil. Acho que ela não precisa ser tão manipulara desde tão cedo. Quando ela quer assistir a algum programa de TV ou desenho, opto por lugar o YouTube no meu televisor e pular as propagandas. Até fiz um post contando quais programas mais acesso (aqui).
Não sou radical (abomino qualquer pensamento rígido), assumo usar a tecnologia que temos disponível a nosso favor (facilitando rotina), sou economista de formação e tenho plena consciência do mundo capitalista em que vivemos. Porém, não acho nada “fair” essa manipulação consumista ser tratada de forma tão natural como é hoje.
Enquanto eu puder evitar, assim o farei. Como mãe, desejo que minha filha escolha um brinquedo pelo desejo de desenvolver alguma atividade que lhe dá prazer e confira alguns desenvolvimento pedagógico. E não por que é o brinquedo que passou na TV, que “todo mundo tem e só eu não” ou algo de modinha. Quero que entenda o porquê precisa daquilo e a real necessidade de seu desejo.
Será que estou querendo demais?
Um beijo, Marrie


Claudia
10 de dezembro de 2015 at 16:57Concordo com vc Ma… Sabe oque fiz aqui? Gravei vários desenhos no pen drive, os preferidos, assim não tem propaganda. Beijo em vcs
Marrie Ometto
10 de dezembro de 2015 at 17:17Rsrsrsrs… Boa!