Se quiser e a lei deixar, passe o “creme tóxico” que quiser no seu filho. Mas a ciência não pode parar!

Em resposta não ao texto que circulou as redes sociais esses dias, nomeado “Com licença que vou passar esse creme tóxico em meu filho“, mas aos comentários que acompanharam os compartilhamentos. Me assustaram! Quero neste post promover uma reflexão: o problema são esse monte de estudos com direcionamentos científicos ou o julgamento e o apontamento de dedos que vivemos ao criar os filhos?

Sim à ciencia e a luz que tenta trazer para nossas vidas, NÃO aos julgadores do senso comum de plantão.

O texto em si, achei bem bacana. Ele fala do quanto o dia a dia é exaustivo com uma criança e que esse tango de regras faz com que a maternidade fique mais pesada. Concordo plenamente.

Mas como disse, comentários acima desse texto, nos muitos compartilhamentos que vi, afirmavam: “odeio estudos sobre maternidade”, “para que tantos estudos”, “um saco essa ciência” e blá blá blá…

Gente, não dá para parar a ciência, pois pesquisas simples trazem conclusões não apenas pontuais, como também acabam descobrindo implicações em dicas nada a ver com o que foi pesquisado. E isso pode ser sim maravilhoso ou não.

“- Gato Cheshire…quer fazer o favor de me dizer qual é o caminho que devo tomar?

– Isso depende muito do lugar para onde quer ir. – disse o gato.

– Não me interessa muito para onde… – disse Alice. 

– Não tem importancia entro o caminho que você tomar. – disse o gato.

– …conquanto que eu chegue a algum lugar – acrescentou Alice como uma explicação.

– Ahh, disso pode ter certeza – disse o Gato – desde que caminhe bastante!”

Alice no País das Maravilhas

Muitos não sabem, mas Lewis Carroll, além de autor de Alice no País das Maravilhas, era também professor de Matemática da Universidade de Oxford. E esse trecho mostra o quanto fazer escolhas conscientes é importante para quando se tem um lugar para onde se quer chegar.

É difícil pensar em um mundo sem a pesquisas, avanços tecnológicos, sem ciência. É um norte para onde queremos chegar: a cura de um câncer, o aumento da expectativa de vida, da nutrição infantil…

A ciência encontra soluções plausíveis para os feitos do homem, o caminho que ele tanto almeja seguir. Claro que não dá para generalizar, já que nem sempre uma proposta convidativa resulta em ações satisfatórias. A pólvora foi criada pelos chineses, que buscavam o exibir da imortalidade, mas no fim, criaram as armas de fogo que matam tantas pessoas todos os dias. Como tudo na vida, as vezes até a ciência pega o trajeto errado. Entretanto, uma entre suas invenções mais aclamadas foi a cura de diversos tipos de câncer, por exemplo.
A ciência não é a resposta para tudo. Mas ela não pode parar. Tampouco você precisa aplicar ela à sua vida.

Como disse o Gato para Alice, você decide o caminho que quer tomar. Há pessoas que preferem o da não informação. Respeito. Mas ela tem que continuar, quer você queira, quer não e onde você decido o que quer e o que não que é no âmbito da sua vida. Parece óbvio, mas aqui começam as questões!

Cada um faz o que quer na criação de um filho, contanto que esteja agindo conforme a lei e às necessidades de uma criança. Se a mãe não quer saber se o açúcar pode acabar com o fígado de uma criança, é opção dela. Ninguém tem nada a ver com isso.

Antigamente fomos criados sem noções nenhuma de ciência: não tinha telas de proteção nas janelas da casa da minha avó, tomava leite com achocolatado e vivíamos felizes. Talvez nossas mães também: não saber de tanta coisa dá mais leveza.

Porém, o fato é que as informações estão aí. Cabe a cada um agir e seguir o caminho que quiserem, contanto que dentro da lei. O problema não é a ciência em si. É a policia virtual que advém do avanço tecnológico. Segundo Jon Ronson, autor do livro Humilhado – Como a era da internet mudou o julgamento público – “as redes sociais deram voz a milhões de pessoas sem voz. Mas também criaram a polícia e a vigilância virtuais. E isso esta fazendo com que as pessoas voltem a não ter voz”.

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Está fazendo com que as mães não tenham o direito de escolha sobre qual caminho seguir livremente! Por que se não pensarmos conforme o pensamento vigente e da moda mandam, somos julgados das piores maneiras possíveis. Estamos chegando ao ponto de vermos pessoas “dorianizando” suas histórias, só para ter “apoio popular” (diga-se likes).

As pessoas estão deixando de se aceitar para entrar num padrão vigente dos ditos “bons costumes”, que diga-se de passagem, tornam-se demodê ao longo do tempo.

No mundo materno, podemos citar, entre inúmeras outras situações, o parto que ditam como o melhor, amamentação por prazo monitorado pelos outros, alimentação das crianças sendo vigiadas, o casamento perfeito e sem crises, até a idade em que as crianças andam e falam são cronometradas…

Se você não se enquadrar nesse nível de perfeição, tem duas opções: ou mente para agradar (joga a auto aceitação e valores pessoais no lixo, como já vi muitas fazerem) ou assume e aguenta os radicais te arremessarem pedras e mais pedras (são poucas que nesse meio, conseguem admitir o que pensam e o que são).

Então, não é dá licença que vou passar esse creminho tóxico no meu filho com esse deboche todo. Passe o creme que quiser, se ele é lícito! Eu penso e ajo assim. Não to nem aí se tem parabenos ou não nos shampoos, até por que já li e tenho minha opinião, à qual não manifestarei agora. Mas, se eu concordar e for convencida de que o creminho tóxico realmente não agregará na minha vida, eu vou parar de usar. Ainda prefiro saber, para não trilhar meu caminho às cegas.

O problema não é a ciência, as pesquisas e os estudos, feitos por pessoas tão trabalhadoras, gabaritadas e persistentes, que, no Brasil, trabalham muitas vezes colocando até dinheiro do bolso para as pesquisas continuarem. Em busca de luz para o caminho de pessoas que esperam isso. O problema é esse monte de senso comum, sem gabarito algum, que distorce o que é estudado por anos e sai arremessando farpas e segregando as pessoas. Que tornam teorias e ideais radicais mais valiosos do que sentimentos humanos.

Já fui em vários profissionais da saúde que não podem escrever nas mídias sociais o que estudaram, para não serem crucificados pelo senso comum. Pode?

Não pára por aí: Esses dias fui julgada por postar uma mamadeira, que paguei e usei em minha filha e quis fazer um review. Não sou uma criminosa por isso. Eu digo: Menos mimimi e mais consciência e ciência!

Escolham a luz que querem enxergar, aquelas que agregam para a vida de cada um e sigam!

 

Um beijo, Marrie

 

Leia também:

https://www.mamaeplugada.com.br/2016/07/por-que-tento-criar-minha-filha-de-forma-leve/

https://www.mamaeplugada.com.br/2016/02/a-questao-nao-e-gostar-ou-nao-de-ser-mae-essa-e-so-a-pontinha-do-iceberg/

 

 

 

35 Comments

  1. Laura Coser

    30 de julho de 2016 at 18:35

    Concordo que q ciência está em constante evolução mas acho que o que realmente prejudica são as “notícias” assustadores que são compartilhadas diariamente. Semana passada prestes a dar a vacina do rotavírus na minha bebê, aparece uma notícia da morte por desidratação culpa dessa mesma vacina! Que mãe não fica louca de medo de dar a dita? Aí você vai pela ciência, pois estudaram anos para chegar nessa vacina….e fica com o coração na mão pq pode ser que aconteça com seu filho. E todo dia é assim, tragédias e mais tragedias de todos os tipos que acontecem com bebês quando você menos espera, dormindo, por alergia, por uma comida…realmente é cansativo!!!

  2. Celisse LB

    30 de julho de 2016 at 18:20

    Lóooogico que no meu tempo não tinha essa de: “não pega na mão do bebê”. “Evite ambientes muito fechados ou aglomerados até os 3 meses”. “Esteriliza tudo!” E por aí vai… Daí vem os mais antigos e dizem a famosa frase:. “Dei à ele/ela e não morreu”… Ou nós mesmos dizemos: ” Comia e não morri…”
    Fato! Estamos aqui! No máximo o que aconteceu ao comer terra nos deu uma dor de barriga e olhe lá… Hoje em dia as crianças estão mais susceptíveis a adoecer e não quero isso pra minha filha.
    Hoje o que muita gente não compreende é que tudo evoluiu, principalmente os vírus e bactérias… Estas se tornaram mais resistentes com o passar do tempo e até novas cepas surgiram… Mais e mais resistentes… Aí vem a ciência e nos diz para tomarmos estes cuidados de prevenção enquanto formulam antibióticos e antifúngicos para combater a doença…
    Sou super a favor da evolução da ciência e aplico. A ciência não está aqui para nos aprisionar e sim orientar e cada um decide o caminho que quer seguir, como a Alice…
    Sou da área da saúde e sigo o caminho da ciência, porém o meu instinto maternal é meu norteador.
    Ótimo texto Mari. Parabéns!

  3. Cleiciane Oliveira

    30 de julho de 2016 at 16:45

    Só acho que ninguém mais, nessa sociedade modrena, sabe criar seus filhos. Eu faço o que posso e o que dá. Pq em um mês pode enrolar o BB pra dormir, no outro mês esse tipo de coisa pode aumentar a morte súbita. Uma hora dormir com os país pode matar o BB em outro pode fazer um beeemm danado pro futuro da criança. Então sim! Eu faço o que meu extinto de mãe diz, pq se eu fosse pela orientação do pediatra teria dado fórmula pro meu BB nas primeiras horas que ele nasceu, pq pela lógica: eles sabem o que é melhor pro meu filho,mais d que eu! É sobre essa regra de que ciência é a base da criação dos filhos que não dá pra aceitar.

    1. Mamãe Plugada

      30 de julho de 2016 at 16:55

      Não é regra, é luz, pega a lamparina quem quiser. Eu pelo menos vejo assim. As vezes já estou com uma lanterna na mão e lança outra. Vou ver e nada mudou tanto assim. Sigo com a minha. É legal que podemos escolher.

    2. Cleiciane Oliveira

      30 de julho de 2016 at 22:40

      Obrigada pela correção d a grafia, ela realmente irá mudar minha visão sobre o tema em debate rsrs

  4. Thalita Gondim

    30 de julho de 2016 at 16:03

    Contra fatos não há argumentos. Ciência é ciência, quando dizem eu fiz e não morri acho egoísmo, quero filhos com qualidade de vida e não sobreviventes.

  5. Laís Marinho

    30 de julho de 2016 at 15:05

    Eu vou pela ciência, só faço o que a pediatra determina, não sou mãe de “comi e não morri” sou mãe de fazer o melhor pra minha filha não por que “a mãe sabe o que é melhor pro seu filho”, mas pq o melhor pro meu filho é o que o faz bem de maneira geral, não pela arrogância de pensar que mãe sabe td.

  6. AnaGabi E ZéAugusto

    30 de julho de 2016 at 14:58

    O fato é, queremos ser profissionais de excelência, estudamos, investimos tempo e dinheiro para se capacitar e ter uma bagagem invejável. Mas porquê que quando se trata de cuidar dos filhos pode ser de qualquer jeito? “Ah porque minha mãe fez isso comigo e eu não morri, ah quanto mimi, ah toda mãe sabe oq faz..” Ok! Sabe mesmo, tem instinto, mas é muito egocentrismo achar que sabemos tudo, não precisamos melhorar e pior, não querer agregar conhecimento a si para a construção de um ser humano, esse sim, mais importante que qualquer construção física ou material! Amei Marrie!

  7. Julio Silva Ana Paula Silva

    30 de julho de 2016 at 14:22

    Ainda não sou mãe, mas acompanho a página a um tempinho já é gosto bastante

  8. Marcia Leticia Lima

    30 de julho de 2016 at 14:13

    Eu escolhi o caminho da informação aqui é leitura sobre tudo desse mundo materno, desde a gravidez. Parabéns pelo texto mamãe plugada

    1. Mamãe Plugada

      30 de julho de 2016 at 14:19

      Obrigada, Marcia Leticia Lima❤️. Uma pena algumas pessoas confundirem informação à julgamento materno ?.

  9. Jenifer Garcia

    30 de julho de 2016 at 13:30

    Essas mamães me odeiam. Prazer cientista brasileira, desvalorizada, trabalhadora, dedicada e não desiste inclusive por pessoas como vocês, que ainda estão no escuro do conhecimento. Que não tiveram oportunidade de estudar.

    Marrie, força e conhecimento sempre.

    1. Mamãe Plugada

      30 de julho de 2016 at 13:33

      Jenifer Garcia admiro muito por quem ainda luta pela ciência e conhecimento nesse país!

    2. Jenifer Garcia

      30 de julho de 2016 at 13:33

      Obrigado. Mas não tá fácil não. Só piorando desde esse novo governo.

    3. Mamãe Plugada

      30 de julho de 2016 at 13:35

      Governo e senso comum que não dá o devido valor à vocês! Aonde vamos parar?

    4. Jenifer Garcia

      30 de julho de 2016 at 14:09

      Não sei. Mas cheguei a pensar em desistir depois do doutorado. Mas estamos aí. Obrigado.

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