Sobre estarmos sempre “no modo automático” na pressa do dia a dia de nossas vidas, sobre nossos filhos crescerem como um jato e provavelmente no futuro podermos nos lamentar de não termos feito com eles tudo o que gostaríamos, MAS NÃO TIVEMOS TEMPO.
Hoje, quem escreve o post é minha tia Ana, que já tem 2 filhos adultos e uma adolescente, com uma reflexão de que o simples pode ser surpreendentemente o mais importante, portanto, se esforce para não ignorar por estar no automático da vida.
Achei muito bacana a reflexão e trouxe para vocês! Um olhar lá na frente de uma mãe zelosa.
“Caixa de recordações
Numa manhã qualquer há algum tempo, minha filha caçula à época com seus nove anos, pediu para que eu lhe ouvisse umpouco: Queria que eu a ajudasse a construir uma caixa de recordações a pedido da professora.Essa caixa deveria conter fotos, roupas, brinquedos, enfim… recordações.Passou aquele dia, depois o outro e mais outro (sempre estamos tão ocupadas).Alguns dias depois ela voltou a fazer o mesmo pedido: “Mãe, você precisa me ajudar com o trabalho da caixa de recordações, estáchegando o dia da entrega”.Não podia mais deixar de colaborar com um pedido tão simples.Era uma ótima hora para pausar e dar atenção a minha filha denove anos…Parei tudo o que estava fazendo e começamos a construí-la.A caixa não podia ser uma caixa qualquer, tínhamos que seguir algumas regras, ela deveria ser grande, forrada e decorada aonosso gosto (deveriam caber ali algumas recordações).Logo pensei: Meu Deus! Isso vai demorar uma eternidade! Tanta coisa a fazer!Tantas outras prioridades – na época trabalhava muito e o cansaço chegava logo.Iniciamos separando os materiais: cola, tesoura, retalhos de tecido, algumas bugigangas que ela gostava e não tinham utilidades– serviriam para decorar a caixa de recordações…A coisa realmente começou a valer a pena quando ambas percebemos que para um simples forrar de caixas (figura geométricatão comum) tudo sairia mais perfeito se nos ajudássemos.E assim fizemos, uma segurava o tecido escolhido esticando-o, a outra cuidadosamente colava o tecido no papelão, a caixa foitomando forma a quatro mãos…. Não só as dela (que pediu ajuda) e muito menos só as minhas… Temos que ser conscientes queos trabalhos são deles e não nossos.Construímos a caixa com dois pares de mãos.Como foi bacana esse trabalho! E era só o começo… Marcela, minha filha, fez a colagem com fotos antigas do nosso pet no tecido, algumas lantejoulas foram coladas criando detalhes e dando brilho à caixa.Ela vibrava, pulava de alegria ao ver a caixa se tornando tão bela.Naquele momento o ato de colaborar, construir, pensar, amar e vivenciar em conjunto tornou o clima contagioso e bastante construtivo.O próximo momento foi o de preencher o interior da caixa com algumas recordações:1º Ela achou seu brinquedo preferido, era aquele brinquedo que passam de um filho para o outro de tão fofo que é.Ao rever o brinquedo pensei: não sei se tive esse tempo com meus outros filhos. Será que dei auxilio quando precisaram demim… Será que tive tempo? Creio que sim. Ufa que bom!2º Achamos sua roupinha de bebe, essas usadas ainda na maternidade…– Como eu podia caber aqui? -disse ela admirada.Lembrei-me da sensação gostosa e ao mesmo tempo assustadora, ter uma coisinha tão pequenininha para cuidar, proteger…Colo de mãe… eternamente…3º Muitas fotos legais foram tiradas de outra caixa para preenchermos a dela… Pegou uma delas, e disse:– Nesse dia tinha caído na escada da escola.– É… Levei-te num cirurgião tão grande ficou seu nariz… Mas nada podia ser feito a não ser esperar que o tempo curasse a feridae tomar analgésicos.
–Olha essa foto!Esse dia andei a cavalo com meu pai na serra!-disse com alegria.–Precisamos voltar a serra, é muito bom e todos gostaram daqueles ares.-Veja esse anel colorido de plástico, vinha numa caixa junto com uma bala, uma amiga me deu, adoro a cor.E assim a caixa foi se preenchendo e nos preenchendo de recordações, alegrias e de momentos vividos. Foi preenchendo nosso espaço num espaço de luz.Assim passamos muitas horas: decorando, redescobrindo, vivenciando…Aos nossos olhos a caixa ficou linda e completa!Sei como é difícil, mas dê um tempo para você e para seu filho...
As surpresas acontecem quando menos se espera! “Por Anna Ometto

E vocês? Estão aproveitando cada singela atividade com seu filho para estreitar esse vínculo de vocês?

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